Resenha - Angra (Kazebre Rock Bar, São Paulo, 16/07/2011)

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Por Renê Matos
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Sábado (16/07) foi a vez do Angra de subir no palco principal do Kazebre Rock Bar, casa de rock já bem conhecida na zona leste de São Paulo. Muita música e muita espera em pé para ver a banda em lugar privilegiado.

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Por volta das 22hrs a casa abre as portas para a fila de fãs que já se formava lá fora. Um dia quente, porém uma noite que eu diria “geladinha”, pra ser generoso.

Fim do frio, a galera instalada aguarda ansiosamente a banda de abertura Rock Jam, que entrou somente após à meia noite.

A banda de abertura contou com um repertório de “covers” um tanto ecléticos que incluía desde RUSH até LINKIN PARK e RAGE AGAINST THE MACHINE. Não ouso dizer que era uma banda de clássicos do rock. Agradou bem o público, mas da pista ouvi alguns comentários do tipo: - Cadê o Angra? Será que eles tocam ainda? Tá ficando tarde, heim?

A ansiedade continuava. Em menos de meia hora, pista lotada de gente quase até a fogueira na frente do palco. A galera cantando, gastando energia e esperando em pé a entrada da atração principal.

Quando o show de abertura termina, começa a desmontagem de batera da banda, e acertos finais para a entrada do Angra, enfim.

Note-se, já transcorreram algumas horas e a banda com certeza estava impaciente para entrar. Até dei umas cabeçadas no camarim e vi o Ricardo (Confessori) na porta, esperando a chance de entrar lá pelas 2:30 da manhã.

Pela entrada tardia da banda de abertura, e o show extenso (mais de uma hora de show), 3:20 da manhã, finalmente!

Começa a introdução: "Vinderunt te Aquae" e logo em seguida a poderosa abertura de "Arising Thunder".

Aparelhagens perfeitas, som cristalino da voz e instrumentos. Faço questão de dar os parabéns ao baixo muito bem timbrado e volume regulado. Não é sempre que eu vejo tal coisa no Kazebre.

Após a ótima execução da banda para sua música de trabalho do disco Aqua, vem então a saudosista "Angels Cry", do seu primeiro álbum (homônimo), que não falta no show deles. Essa é de lei. O público canta bastante e levanta as mãos para prestigiar essa música que já esta na tradição da banda, e funciona muito bem ao vivo.

Mais saudosismo? "Nothing to Say", na seqüencia, leva o público ao ápice até então. Muita gente gritando os refrãos e relembrando os velhos tempos. Depois a execução de "Heroes of Sand", do álbum “Rebirth”, pra dar uma acalmada na galera se espremendo um pouco lá na frente.

Execução de guitarra invejável de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Sem problemas quanto ao vocal de Edu Falaschi também.

Chega a vez de "Lease of Life", essa é perigosa. Executada a baixo do tom, algo em torno de 1 tom abaixo. Depois de algumas músicas, frio e alguns engraçadinhos fumando lá na frente. Senti que o Edu teve um pouco de dificuldade pra desempenha-la. Essa que é uma das mais difíceis do álbum “Aqua”, em minha opinião. Tudo tranqüilo, duas músicas lentas pra galera apaixonada, porém não acabou ai.

O metal começa a rolar solto com "The Voice Comanding You", que com certeza foi de uma execução muito boa tanto vocal quanto instrumental.

Como se não bastasse, vem a introdução "Deus Le Volt!" e o power de "Spread Your Fire" encerrando com chave de ouro as músicas do álbum Temple of Shadows. Porém, já nesse ponto, não senti uma interação proporcional do pessoal. Quando era pra pegar fogo, só senti uma faísca do público.

No intervalo Edu pergunta pra toda a galera: - E aí, estão desanimados?

Claro, toda galera diz que não, porém na próxima música "Carolina IV", do álbum “Holy Land”, a galera continua fria.

Edu reitera: - Falaram que não estavam desanimados? Estão sim! Quase 4 horas da manhã, né?

É verdade, o público se mostrava muito cansado de ficar em pé esperando a banda de abertura tocar, desmontar tudo e os responsáveis da casa liberarem para o Angra tocar. Já estava tarde pra uma banda principal entrar.

Mais uma do “Aqua“ se inicia poderosa: "Awake From Darkness", a melhor execução da banda na noite. Vocal perfeito, instrumentos e passagens progressivas em prefeita execução. Quero destacar a pegada da bateria de Ricardo Confessori nessa música. Achei que ele não teria cacife pra se adequar as composições de Aquiles Priester (ex-baterista do Angra), porém venho me surpreendendo a cada show. Com certeza quero ver essa no youtube depois.

Fora o público que não estava muito animado mesmo com tanta guitarra e bateria na orelha. A banda faz uma passagem no disco Fireworks, tocando a música "LISBON" do último disco de André Matos. Alguns cantam juntos, alguns assistem.

Na passagem dessa música Edu faz um alerta a casa. Diz que isso não é horário para eles liberarem o show deles e que se fosse banda gringa não esperaria e ia embora. Eles ficaram esperando no camarim. Atitude louvável da banda. Realmente, para nós, o público, 'tava cansativo mesmo. Apesar do show seguir fantástico.

Como sempre, não podia faltar a música "Rebirth" do disco homônimo, que fez muito sucesso na passagem da formação do Angra em meados de 2001.

Esperei, e atendendo aos pedidos da platéia, começa a introdução: "Unfinished Allegro" para o encerramento com "Carry On" emendado em "Nova Era". O público dessa vez respondeu à altura, cantou bastante e levantou as mãos pro alto pra prestigiar esse clássico power da banda. Encerrando com a “Gate XII”, a instrumental sinfônica de “Temple of Shadows” no playback pra despedir da galera e deixar aquele ar de “quero mais”.

Resumindo um pouco a história. Esperei mesmo que o Angra entrasse à meia noite no máximo, já estava cansado. Porém, a banda fez por onde, tirando a atuação de Edu na “Lease of Life”, que faltou um pouco. Independente disso eu achei que foi um show muito bom. Solos de guitarra bem encaixados e um entrosamento da banda que deu gosto. Me fez esperar um outro disco e turnê deles.

SETLIST

1. Vinderunt te Aquae / Arising Thunder
2. Angels Cry
3. Nothing to Say
4. Heroes of Sand
5. Lease of Life
6. The Voice Comanding You
7. Carolina IV
8. Deus Le Volt! / Spread Your Fire
9. Awake From Darkness
10. Lisbon
11. Rebirth
12. Unfinished Allegro / Carry On /
13. Nova Era
14. Gate XII

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