Resenha - Alice Cooper (Credicard Hall, São Paulo, 02/06/2011)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Quando nasci, em 1979, o vocalista ALICE COOPER já tinha uma dezena de álbuns lançados e inclusive alguns deles contemplados com discos de platina e de ouro. Há mais de 40 anos no ramo, foi um enorme prazer presenciar mais um show do velho mestre no Brasil, o grande criador do Rock Horror que mescla boa música, bom humor e encenações teatrais no palco.

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Existe o Rock antes e depois de ALICE COOPER. De KISS a Marilyn Manson, inúmeros são os músicos e bandas que buscaram e ainda buscam inspiração para seus shows nas apresentações da “Tia Alice”.

Sem banda de abertura e marcado para 21:30h, o show do vocalista e sua banda começou com meia hora de atraso, às 22hs, o que foi bom pois muita gente ainda entrava no Credicard Hall no horário inicialmente indicado no ingresso. ALICE COOPER apareceu do alto de uma espécie de torre colocada no meio do palco, para comandar o microfone durante a execução de “The Black Widow”, canção que abriu a noite e foi originalmente gravada no álbum “Welcome To My Nightmare”, de 1975.

Em seguida foi a vez de “Brutal Planet”, música que tem uma pegada bem mais pesada e brutal, como diz o nome. Se a primeira música da noite remeteu os fãs aos anos 70, “Brutal Planet” fez todos viajarem no tempo até o ano de 2000, ano de lançamento do disco de mesmo nome dessa canção. Ou seja, ALICE COOPER, como disse antes, tem história na música e anos e anos (e anos!) de estrada, mostrando já no início do show que o repertório seria variado e traria sons de várias épocas.

A atual turnê do mestre ALICE tem o nome de “No More Mr. Nice Guy” e foi justamente a música de mesmo nome uma das que mais sacudiu a pista lotada do Credicard Hall, com todos cantando a canção título da turnê.

Teve ainda a surpreendente “Hey Stoopid” que não era tocada desde 1997 e é aquele típico hit Hard Rock dos anos 90. Nem preciso dizer que mais uma vez o público ficou inquieto.

ALICE COOPER não deixou nada de fora e veio ao Brasil com sua produção de palco completa: espalhou notas de dólares com sua espada em “Billion Dollar Babies”, usou sua jaqueta com patas de aranha, dançou com uma boneca de pano durante a balada “Only Women Bleed”, trouxe ao palco seu gigante monstro Frankenstein e ainda foi parar na guilhotina, só para citar algumas das partes do teatro criado pelo vocalista no palco.

Mas como disse acima, sua marca é aliar esse lado artístico teatral à música e não faltaram canções de qualidade. Foi um grande espetáculo visual que contou com uma banda agora composta por três guitarristas e que estava “redonda” e muito entrosada. Os músicos deram um show à parte na execução da extensa “Halo Of Flies”, canção com um instrumental poderoso e que ao vivo ficou ainda mais interessante, tendo ALICE COOPER literalmente como um maestro à frente dos demais integrantes da banda. Um dos pontos altos da noite para este redator, ao lado de “Poison”, música que o público cantou do começo ao fim, outro hit indiscutível do final da década de 80/início dos anos 90.

Com “School´s Out”, que ainda contou com a inserção de um trecho de “Another Brick In The Wall, Part II”, do PINK FLOYD, durante sua execução, ALICE se retirou do palco após quase 1 hora e meia de show, a essa altura já vestindo uma cartola brilhante, a camisa da seleção brasileira e espalhando enormes balões pelo público.

Nem 1 minuto depois ele e sua banda já estavam no palco novamente para cumprir a cartilha e voltar para o tradicional “bis”. Para fechar, “Elected” e “Fire”, cover de JIMI HENDRIX, completaram os quase 100 minutos de show, com direito a chuva de papel picado no final.

Na noite anterior ao dia da apresentação do velho mestre, assisti a uma rápida entrevista de ALICE COOPER para uma rede de tv brasileira e o vocalista terminou dizendo algo assim: “venham ao meu show amanhã, vocês não vão se arrepender. Quem não vier vai perder o melhor da música.” E ainda brincou, ameaçando aqueles que estavam pensando em não ir: “eu sei onde vocês moram.”

Felizes daqueles que seguiram a recomendação de ALICE COOPER. Com suas boas sacadas de humor, seu lado teatral e sua boa música, o vocalista teve mais uma ótima atuação no palco do Credicard Hall em São Paulo, provando que faz um Hard Rock duradouro que atravessa gerações e influencia muita gente.

Agradecimentos a Juliana Siqueira (Time For Fun) pela atenção e credenciamento.

Banda:

Alice Cooper – vocal
Damon Johnson – guitarra
Tommy Henriksen – guitarra
Steve Hunter - guitarra
Chuck Garric – baixo
Glen Sobel – bateria

Set List:

1- The Black Widow
2- Brutal Planet
3- I'm Eighteen
4- Under My Wheels
5- Billion Dollar Babies
6- No More Mr. Nice Guy
7- Hey Stoopid
8- Is It My Body
9- Halo Of Flies
10- I’ll Bite Your Face Off
11- Muscle Of Love
12- Only Women Bleed
13- Cold Ethyl
14- Feed My Frankenstein
15- Clones (We're All)
16- Poison
17- Wicked Young Man
18- Killer
19- I Love The Dead
20- School's Out

Bis
21- Elected
22- Fire

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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