Blaze Bayley: público pequeno mas fiel em Salvador

Resenha - Blaze Bayley (Boomerangue, Salvador, 14/04/2010)

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Por Valmar Oliveira
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em sua terceira visita a Salvador, divulgando seu mais recente CD, o ótimo "Promise and Terror" (lançado pela Die Hard Records em parceria com a Open The Road Management), Blaze Bayley se deparou com um grande inimigo: a chuva torrencial que devastava a cidade! Por conta dela, e do show ser numa quarta-feira, e para alguns pelo preço, um público reduzido, mas fiel e animado, compareceu ao evento, na Boomerangue.

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O evento estava programado para começar às 20h, mas devido ao dilúvio que atravancou o trânsito e tornou a cidade um caos, com o prefeito a colocando em situação de calamidade, houve um grande atraso de mais de duas horas.

Sem bandas de abertura desta vez, o show foi só do 'Messiah', e foi um grande show, uma aula de Heavy Metal, sem frescuras e com bastante interação com a audiência, onde se viu uma banda coesa, afiada, embora contando com um baterista contratado para a tour sul-americana. O substituto segurou a onda e não decepcionou, ainda mais devido ao pouco tempo que ele deve ter tido para pegar um set extenso.

O show se iniciou com uma intro, com um estilo semelhante às cantatas de Carmina Burana, breve e bem climática. As cortinas então se abrem e a poderosa "Madness and Sorrow" é despejada sem piedade. Música maravilhosa com grande apelo, nela já se mostrava que Blaze estava em ótima forma e visivelmente menos cansado do que no show do ano passado, com grande disposição e com grande alcance vocal. Em momento algum a voz dele deu sinais de cansaço ou falhou. Mais uma vez provando que é um grande vocalista, que não merece mais ficar à sombra do Iron Maiden (como faz Paul DiAnno até hoje!) e que suas músicas tem tudo para se tornarem clássicos e hinos do Metal.

Em seguida, sem pausas para respirar "Voices from the Past", do álbum anterior, "The Man Who Would Not Die", mais uma vez contando com grande participação da audiência. Note-se que embora o público não chegasse desta vez em 100 pessoas, parecia que o recinto estava lotado devido aos coros do público que em certos momentos parecia suplantar o volume dos amplificadores. Ao fim da "Voices...", Blaze saudou o público, brincou não saber em que cidade estava, perguntando ao público se era Curitiba, Rio.... e aclamou o público que lá estava, devido ao comparecimento, sabendo do caos que acontecia na cidade devido à fortíssima chuva. Realmente, sair de casa para ir ver um show numa quarta, à noite, com um dilúvio devastando uma cidade, só para reais fãs de Heavy Metal!!

Então ele introduz outra faixa do novo CD, "City of Bones", que praticamente foi berrada pelo público (também por este que vós escreve: "You Fight! You STAND AND FIGHT, FIGHT FOR YOU LIIIFEE... STAND AND FIGHT, STAND AND FIGHT , FIGHT FOR YOU LIIIFEE."), álias, como praticamente todas as músicas durante o show. Grande música, bem épica e cativante. Mais uma do álbum anterior, a rápida e melódica "Blackmailer", com um grande trabalho dos guitarristas e o público agitando insanamente, e Blaze, com suas expressões e agitação características e sempre interagindo, apertando mãos e sorrindo. Emendam com a ótima "Faceless" do novo disco, onde essa interação chegou ao ponto de ele cantar trechos da música ao ouvido de várias pessoas perto do palco, numa perfomance impressionante! Em seguida, mais uma do "The Man Who Would Not Die", a épica "Smile Back At Death", baseada no filme "Gladiador" onde mais uma vez quase perdi a voz.

Blaze agradece (em português) e discursa para a platéia, falando que a banda acredita nos fãs, que os fãs são a razão da banda existir e tocar e que sem eles a banda não é nada, e que procuram sempre agraciar o público com um bom show, e que não acredita mais em gravadoras, selos e revistas. Então tocam a única do CD "Blood & Belief", a faixa-título do mesmo, faixa que ele não executava desde a tour do disco em questão, em 2004, e que foi uma boa surpresa, já que sempre executavam "Alive" ou "Ten Seconds", e às vezes "Regret". Então é vez da rápida "The Launch", do já considerado um clássico do Heavy Metal "Silicon Messiah", com gente emocionada cantando. A emoção foi lançada para cima com a introdução característica de "Lord of the Flies", do grande "The X-Factor", disco de estréia de Blaze no Iron Maiden, e com muita gente cantando a plenos pulmões, e Blaze sempre com um sorriso e incitando a turba, que enlouqueceu com a execução da rápida "Futureal" do "Virtual XI", abrindo uma grande roda de mosh e muito empurra-empurra no Boomerangue.

Voltando ao "Promise and Terror", vem a cadenciada, trabalhadíssima e instigante 'Letting go of the World', que no com seu trecho que faz todos cantarem a plenos pulmões: "Fight, Kill, Fuck, Eat... Fight, Kill, Fuck, Eat!" e logo em seguida outra cadenciada, 'Wating for My Life to Begin', do disco anterior e não executada na tour anterior. Boa idéia variar algumas músicas. Tem bandas com discografia mais extensa que não faz isso. Nota-se que Blaze não se preocupa mais em executar faixas do seu tempo de Wolfsbane, e de sua fase no Maiden são menos faixas do que no passado, embora muitos achem que ele ate deveria tocar outras mais obscuras como 'Judgment Day', 'I Live my Way', 'Justice of the Peace' ou 'Judgement on Heaven'.

Para minha alegria, e de muitos fãs, é executada a magnífica 'God of Speed', do cd novo. Uma das melhores faixas que ele já escreveu na carreira solo! E todos cantando mais uma vez, assim como fizeram na música seguinte, a emblemática 'The Brave', do primeiro cd (dedicada aos corajosos que compareceram ao evento com um breve discurso), e uma música do fantástico cd "Tenth Dimension": 'Leap of Faith' com seu dueto estilo Judas Priest. Ai vem mais música do "Virtual XI", a já clássica 'The Clansman', executada de forma primorosa, que faria Steve Harris ficar roxo de inveja. Sim, essa faixa só é clássica se for Blaze cantando! No fim dela ele introduz outra faixa poderosa: 'Man on the Edge'! Parecia que o Boomerangue ia desabar! Da mesma forma que quando executam a 'The Man Who Would Not Die', em toda sua potência! E ai, para quem ainda não estava moído, detonam a veloz e pesada 'Robot', que abriu outra roda e com muitos berrando o refrão: "I am... I am, I am, I am... I hear, I see, I feel, I think therefore I am!!". Ai pensei que o show ja se acabara. Blaze se dirige ao público, agradece mais uma vez, e diz que espera voltar, dessa vez sem chuva! E anuncia a grande 'Kill and Destroy', mas o guitar Jay Walsh não percebeu a chamada do baterista, o que fez a banda ter que recomeçar (como disse Blaze "let's Kill and Destroy... again!" entre muitos risos). A música é executada e contando com participação do público no trecho final que é repetido o titulo da musica. Após o encerramento Blaze e o guitar Nico Bermudez permaneceram tirando fotos e autografando CDs, posters e o que mais aparecesse e apertando a mão do público, numa demonstração de que eles realmente se importam.

Um show primoroso, mais uma vez, em terras soteropolitanas, que foi prejudicado pelo tempo. Mas acho também que o público de Salvador tem se tornado mais e mais acomodado. A nova geração deve ter ficado em casa vendo seus vídeos e mp3 baixados na Internet e declarando nos fóruns que é true metal.

Parabéns a João, da Maniac, pela produção. E parabéns ao público que compareceu, pois sem ele, não haveria uma cena e nem shows.




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