Blaze Bayley: uma aula de Heavy Metal em Manaus
Resenha - Blaze Bayley (Cervejaria Fellice, Manaus, 09/04/2010)
Por Ricardo Lima
Postado em 17 de abril de 2010
Depois de Paul Dianno em 1997 e do próprio Iron Maiden em 2009, o competente Blaze Bayley também fez uma bem sucedida apresentação em Manaus, no dia nove de Abril, na cervejaria Fellice, na turnê de divulgação do seu ultimo disco Promise and Terror, lançado no inicio de 2010.
A banda encarregada do pré-show, Veludo Branco, de Roraima, fez o seu papel apresentando um Hard Rock seguro e bem tocado, executando músicas próprias e pequenos trechos do Led Zepellin e Black Sabbath — pena que o público não deu o merecido valor para o power trio.
Quando o relógio da maioria das pessoas já passava da meia noite, Bayley iniciou sua apresentação. Exatamente neste momento, todo o público veio para junto do palco e assistimos uma verdadeira aula de heavy metal, começando com a destruidora "Madness and Sorow", segunda faixa do poderoso "Promise and Terror". A banda apresentava uma coesão impressionante, as guitarras da dupla Jay Walsh e Nicolas Bermudes estavam muito bem entrosadas, detonando com riffs avassaladores e solos muito bem construídos; o baixista David Bermudez não deixava a desejar com uma boa presença de palco e uma técnica apurada; o baterista Claudio Tirincanti parecia uma máquina, não parava nenhum momento para respirar e descia o braço na caixa e nos pratos da cozinha; quanto ao chefe, o tenor Blaze Bayley, percebia-se a grande evolução em sua técnica vocal, assim como em sua presença de palco; com um carisma contagiante, o britânico não parava para agitar: levantava os braços, mandava quem estava parado bater cabeça ("bang your head, mother fuckers!"), apertava a mão dos fãs e agradecia toda hora pelo apoio recebido.
Durante os raros intervalos que o vocalista fez para dar uma palavra ao público, falou sobre a mudança de sua antiga gravadora para o seu recém montado selo, Blaze Bayley Recodings, e que agora, como artista independente, ele consegue fazer algo que não fazia antes — tocar em varias cidades do mundo. Também disse com grande razão: "vocês tem poder, os fãs do Brasil tem o poder, o poder de fazer uma banda grande, de fazer heróis, cada um de vocês aqui tem o poder, vocês tem a coragem de pensar por vocês mesmos, vocês tem a coragem de acreditar em seu próprio coração, e todos aqui sabem que vocês escutam a música que escolheram, não o que a MTV manda ouvir, mas o estilo musical que vocês escolheram."
Entre as músicas tocadas podemos destacar "The Brave", "City of Bones", "Faceless" e "Leap Of Faith"; embora estas canções tiveram uma grande resposta dos fãs, não há duvida de que as faixas dos tempos da Donzela e Ferro empolgaram mais: "Man on the Edge", "Lord Of The Flies", "Futureal" e "The Classman". Entretanto, falando como admirador de Blaze desde os tempos de Iron, senti falta de clássicos como "Sign Of the Cross", "2 A.M", e "When Two Worlds Collide", que com certeza se sairiam muito bem ao vivo. Também considero que Blaze poderia ter explorado mais o interessante disco "Tenth Dimension", do qual foram executadas apenas duas músicas, a porrada "Kill and Destroy" e a medíocre "Speed Of Light". Músicas marcantes como "End Dream", "Nothing Will Stop Me", "Meant To Be" ou a sombria "Strange To The Light" mereciam estar no set list.
O show fechou com a pesadíssima "Robot", com todos os músicos e público exaustos de tanto bater cabeça e agitar. Com a grande receptividade que os fãs brindaram Blaze Bayley, não há duvida de que poderemos vê-lo outras vezes aqui na Paris dos Tristes Trópicos. Que da próxima vez os promotores do futuro show resolvam realizá-lo num lugar maior e assim baratear o ingresso, pois o preço salgado deixou muita gente de fora: 60 reais a pista e 80 o VIP.
Ao contrário do ressentido Paul Dianno, que critica seu antigo grupo em todas as entrevistas que concede e chama Steve Harris de Hitler, mas ironicamente ganha a vida tocando as músicas de sua época no Maiden, Blaze Bayley segue em uma carreira solo cada vez mais bem sucedida tanto de critica quanto de público — firmando aos poucos seu trabalho na cena metálica mundial através de bons shows como o que ocorreu em aqui em Manaus.
A casa não teve lotação máxima. Mas o show foi excelente e a organização tem seu mérito pelo evento. Entretanto, houve problemas graves, como a questão da divulgação do horário do show: no ingresso constava às dez horas, enquanto que nos cartazes pendurados no estabelecimento constava: "show à meia noite"; outro erro foi a confusão sobre quem seria a banda pré-show. Também foi avisado que as pessoas que comprassem o ingresso VIP teriam direito a uma camisa e a uma sessão de autógrafos com o cantor, mas qual foi a nossa decepção quando vimos que a camisa não era boa, e parecia com as camisas dos funcionários do Fellice; quanto à sessão de autógrafos, uma desorganização total. Muitas pessoas que tinham comprado o ingresso VIP justamente para ter o CD autografado e tirar uma foto com o vocalista, como foi o meu caso, ficaram de fora — puxaram Blaze sem mais nem menos para dar entrevista para a TV Cultura. No final da execução de "Kill and Destroy" o microfone do cantor teve alguns problemas técnicos, que felizmente foram logo resolvidos, e uma das guitarras estava baixa demais — quase não dava para ouvir seus solos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior banda do Brasil de todos os tempos, segundo Andreas Kisser do Sepultura
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
Regis Tadeu esclarece por que Elton John aceitou tocar no Rock in Rio 2026
Os quatro clássicos pesados que já encheram o saco (mas merecem segunda chance)
Para Edu Falaschi, reunião do Angra no Bangers Open Air será "inesquecível"
As 3 bandas de rock que deveriam ter feito mais sucesso, segundo Sérgio Martins
O baterista que ameaçou encher Ronnie James Dio de porrada caso ele lhe dirigisse a palavra
Kiko Loureiro diz o que o levou a aceitar convite para reunião do Angra no Bangers Open Air
O disco do Dream Theater que Felipe Andreoli levava para ouvir até na escola
Com nova turnê, Guns N' Roses quebrará marca de 50 apresentações no Brasil
Os melhores covers gravados por bandas de thrash metal, segundo a Loudwire
Hall da Fama do Metal anuncia homenageados de 2026
A maior canção já escrita de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
O fã que conheceu Ozzy Osbourne no Rock in Rio e iniciou uma amizade de 40 anos
As cinco melhores bandas brasileiras da história, segundo Regis Tadeu

Paul Di'Anno era mais lendário que Bruce Dickinson, opina Blaze Bayley
Bruce Dickinson afirma não ter prestado muita atenção no Iron Maiden com Blaze Bayley
Em festival alemão, Blaze Bayley toca música que o Iron Maiden nunca executou ao vivo
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!


