Fear Factory: espera de vinte anos recompensada

Resenha - Fear Factory (Espaço Lux, São Bernardo do Campo, 04/12/2009)

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Por Marco Néo
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Aqui o clichê é necessário. Depois de quase vinte anos de espera, finalmente o Brasil tem a chance de presenciar uma das melhores e mais polêmicas bandas surgidas nos anos 90. E essa espera foi recompensada com um fato histórico: os privilegiados presentes no Espaço Lux testemunharam a estréia mundial da comentadíssima nova formação do Fear Factory.

Fotos: Bruno Gruenwaldt

A sexta-feira chuvosa e o perene congestionamento da capital paulistas atrapalharam um pouco os planos, e este escriba só chegou no local a tempo de presenciar a segunda atração da noite, o Threat, que apresentou um show de qualidade com seu Metal cheio de groove e de influências tanto do hardcore (majoritárias) quanto do hip-hop (essas bem mais sutis). A recepção do público, ansioso pela atração principal, foi apenas morna.

O último show de abertura foi protagonizado pelo Embrioma, que agradou os presentes com seu Metal Industrial simples e objetivo. Destaque total para o baterista, um monstro em seu instrumento, e para o performático tecladista. O Embrioma gerou um fato curioso, pelo menos pra mim: eu estava com amigos na entrada do salão principal, aguardando o início da apresentação dos caras, quando surge um sujeito a toda velocidade, vindo da porta de entrada. Ele para na nossa frente na maior afobação e solta a pérola: “caras, eu sou o vocalista da próxima banda, o que é que eu faço???” “Vai pro palco, campeão!” É, se não tivesse uma história bizarra não era um show de Metal de verdade.

Histórias e bandas de abertura à parte, é chegada a hora. Uma introdução traz o Fear Factory ao palco e o primeiro clássico é executado: "Shock", com participação efusiva de uma platéia que, se não lotava o Espaço Lux (reflexo da enorme quantidade de shows neste final de ano), fazia bastante barulho, suficiente para deixar os músicos satisfeitos.

O setlist do show, como era de se esperar, focou somente a fase de Dino Cazares e, mais ainda, os três primeiros e clássicos lançamentos – do “Digimortal”, a “Linchpin” e mais nada. Boa decisão, que deixou a impressão de uma pequena retrospectiva, algo como um lembrete aos fãs da importância da banda. As músicas foram reunidas em blocos, começando com três do álbum mais bem sucedido da banda, comercialmente falando, “Obsolete” (além de “Shock”, “Edgecrusher” e “Smasher/Devourer”), seguindo com três do primeiro álbum, “Soul of a New Machine” (“Martyr”, “Scapegoat” e “Crash Test”, recebidas com entusiasmo febril).

Pausa na retrospectiva, é a hora da música nova, “Powershifter”, recentemente divulgada na internet e que teve seu coro cantado em uníssono pelos presentes, fato que deixou os americanos visivelmente impressionados.

O que veio a seguir levou os fãs ao êxtase total: após um retorno à época de “Obsolete”, com a lenta e épica “Resurrection”, o “Demanufacture” foi tocado quase na íntegra. O “bloco” foi iniciado com a faixa título, seguida de “Self Bias Resistor” e “Zero Signal”. Quebrando a sequência do álbum, vieram “Flashpoint”, “H-K (Hunter-Killer)” e “Pisschrist”, que surpreenderam positivamente muitos ali que não esperavam ouvir essas músicas, e o grand finale com “Replica”. Aplausos efusivos.

Em resumo um grande show, um Fear Factory evidentemente revigorado tanto pelo retorno de Dino Cazares ao lugar de onde nunca deveria ter saído quanto pela nova (e grande) aquisição: na bateria, ninguém menos que o monstro Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Strapping Young Lad, etc.), que, além de executar com perfeição as partes complicadíssimas compostas por Raymond Herrera, mostrou a que veio na não menos trabalhada “Powershifter”. Burton C. Bell, a esta altura o único a ter participado de todas as formações, e o baixista Byron Stroud, integrante desde a época do álbum “Archetype”, também fizeram apresentações sem falhas e permitiram que o Brasil testemunhasse a apresentação de pioneiros no auge da forma. Que venha o disco novo, “Mechanize”, e que esta não seja a última passagem dos caras por aqui!

Setlist:
1. Shock
2. Edgecrusher
3. Smasher/Devourer
4. Martyr
5. Scapegoat
6. Crash Test
7. Linchpin
8. Powershifter
9. Resurrection
10. Demanufacture
11. Self Bias Resistor
12. Zero Signal
13. Flashpoint
14. H-K (Hunter-Killer)
15. Pisschrist
16. Replica

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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