Scorpions em Recife: uma verdadeira aula de rock n' roll
Resenha - Scorpions (Chevrolet Hall, Recife, 07/09/2008)
Por Fábio Emerenciano
Postado em 11 de setembro de 2008
Ir a um show do SCORPIONS é, sem dúvida nenhuma, um dos momentos mais aguardados da vida de qualquer fã do rock n’ roll. Ver dois shows em um ano, sendo um deles o famoso acústico, é, no mínimo, um sonho – um sonho realizado. Depois da grande passagem da banda por Recife em agosto de 2007, eis que a capital pernambucana foi mais uma vez parada do quinteto alemão.
A espera de duas horas numa fila enorme e extremamente desorganizada serviu para constatarmos que o SCORPIONS tem fã dos mais diversos tipos. Além dos cabeludos vestido de preto, víamos muitas moças que pareciam nunca ter ido a um show de rock antes, tamanho eram os saltos altos, maquiagens e roupas de grife... Coitadinhas, devem ter sofrido horrores lá dentro! Víamos também uns sessentões que até poderiam estar ali para deixar e buscar os filhos, mas não era isso. Eles estavam na fila esperando para ver o show! Havia também umas figuras que deviam ter se confundido com as datas e só podiam estar lá esperando um show de forró.
Quando os portões foram finalmente abertos, a coisa melhorou um pouco. Apesar do palco baixinho, a estrutura do lugar é muito boa. Os fãs ficaram bem acomodados e tudo correu na paz.
O SCORPIONS entrou no palco por volta das 22h00 com a excelente "Hour 1", que levantou todos no lugar. É ótimo ver que a banda, mesmo depois de tantos anos de estrada, não perdeu a empolgação. E com um riff de guitarra como os tocado por Matthias e Rudolf, como ficar indiferente? Vale destacar também o baixista Pawel Maciwoda, discreto porém extremamente competente.
Na seqüência vieram, entre outras, dois grandes números: "Bad Boys Running Wild" e "No Pain no Gain". Todo mundo enlouqueceu. A voz de Klaus Meine, como sempre, estava limpa e bem afinadinha, e sua felicidade com o show era nítida. Ele se aproximava dos fãs, dançava, e não deixava ninguém quieto.
Veio então "Coast to Coast" que contou com a participação de Andreas Kisser, consagrado guitarrista do SEPULTURA, que deu um gás a mais na música.
A partir daí começou a parte acústica do show. Foram nove músicas executadas da forma mais bela possível. Além de Kisser, reforçaram o time três cantoras, dois percussionistas e um tecladista que também batucou em alguns momentos. Foi a hora de jóias como "Always Somewhere", "Holiday", "Dust in the Wind" e "Loving You Sunday Morning" além dos clássicos "Send Me an Angel", "Tease Me Please Me", "Rhythm of Love" e a obrigatória "Wind of Change". Nem precisa dizer que teve gente chorando, casais se beijando e muita gente se esgoelando para acompanhar o gogó poderosíssimo de Meine.
Para voltar à agitação do rock n’ roll, nada melhor que "Kottack Attack", um ótimo solo de bateria do doidão James Kottack que, além de botar fogo na platéia, mostrou que sabe muito de seu instrumento. Para dá um toque final ao seu show particular, mostrou a enorme tatuagem que tem nas costas onde se lê "Rock n’ Roll Forever". Precisa dizer mais alguma coisa?
Os outros músicos voltaram ao palco com "321". Sinceramente achei que iria morrer nessa hora. Estava todo mundo tão extasiado que faltou fôlego. Minha querida esposa, sempre do meu lado, também me confidenciou mais tarde que achou que depois daquela música só restava ir embora. Mas ainda bem que os deuses do rock n’ roll nos deram força para vermos o que ainda viria: uma fantástica seqüência com "Blackout" e "Big City Nights. A banda se retirou do palco, mas todos nós sabíamos que aquele ainda não era o final. Na volta, mandaram, para a volta do chororô, as baladas "Still Loving You" e "Humanity". Se eu estivesse em um estado de consciência, acho que dava para ouvir os "sniff, sniff" da platéia.
Para voltar o peso do show, nada melhor que "Rock You Like a Hurricane" e a casa de show quase veio abaixo. Acreditem, foi mesmo um furacão que passou por ali naquela madrugada de segunda-feira. O show, na minha humilde opinião, deveria terminar aí. No entanto, veio ainda a morna "A Moment in a Million Years", que não empolgou tanto. Isto, no entanto, não estragou o show, que foi um dos melhores que vi, sem dúvida nenhuma.
Obrigado Scorpions!!!
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