Motorhead: desta vez morno, mas sempre bom
Resenha - Motorhead (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 28/04/2007)
Por Raphael Crespo
Postado em 18 de maio de 2007
Quem presenciou o arregaço promovido pelo Motorhead em 2004, num show no Canecão, certamente esperava outra apresentação do tipo "arrasa-quarteirão" na noite do sábado na Fundição Progresso. Antes de mais nada, um show do trio não tem como ser ruim. Os caras têm todas as manhas possíveis em cima de um palco e como diz o vocalista Lemmy durante as apresentações: "We are Motorhead. And we play Rock n' Roll". Mas, a rigor, a passagem mais recente da banda pelo Rio de Janeiro teve um clima mais morno que a anterior.
Não que o show tenha sido ruim. Pelo contrário. Foi até bem legal. Mas a escolha do set list deixou o clima um pouco arrastado, não tão energético. Faltaram diversos clássicos que, em 2004, quase colocaram o Canecão abaixo, como "No Class", "Bomber", "R.A.M.O.N.E.S" e a música "Motorhead". O mais recente disco, "Kiss of Death" (2006), traz um Motorhead bem Rock n' Roll, pesado, mas com o pé no freio, ou seja, um pouco menos veloz. E, talvez, isso tenha se refletido no show.
De qualquer forma, a abertura, com "Doctor Rock" foi matadora. "Stay Clean", outra das antigas, veio na sequência e manteve o pique. E, a partir daí, o show foi se alternando com músicas dos dois álbuns mais recentes - "Inferno" (2004) e "Kiss of Death" - e outras com mais idade. Se em 2004 o cover apresentado foi "God Save the Queen", do Sex Pistols, desta vez a banda homenageada foi o Thin Lizzy, com "Rosalee", que não chegou a empolgar.
Na segunda metade do show, no entanto, o clima começou a esquentar de vez. No meio da excelente "Sacrifice", Mikkey Dee provou ser um dos melhores bateristas da história do Heavy Metal, com um solo inesquecícel. É sempre assombroso assistir a esse mestre das baquetas, que, ainda por cima, durante todo o show, comandou o público, pedindo palmas e marcando os compassos. Muito simpáticos, Lemmy e Phillip Campbell se alternavam na comunicação com a platéia, o que, por sinal, demonstrava o quanto estava baixa a voz do vocalista, que quase não era ouvida durante as músicas. O microfone de Phill estava com um volume muito mais alto.
Quando Lemmy anunciou "Going to Brazil", urros foram ouvidos por toda a Fundição Progresso e a roda formada se seguiu em "Killed by Death" e na esperada "Iron Fist". Quando a coisa já pegava fogo, a banda deixou o palco e voltou para o bis com dois violões e uma gaita, a cargo de Lemmy, para a execução de "Whorehouse Blues", uma ótima música, mas que foi colocada na hora errada. Por respeito, o público levantou os braços, acendeu isqueiros e aplaudiu no final, mas demonstrou sua sede pelo peso e velocidade característicos do Motorhead nas duas músicas que fecharam, de forma matadora, o show: "Ace of Spades" e "Overkill", esta última, praticamente, à velocidade da luz.
Set list:
Dr. Rock
Stay Clean
Be My Baby
Killers
Metropolis
Over The Top
One Night Stand
I Got Mine
In The Name of Tragedy
Sword of Glory
The Chase is Better Than the Catch
Rosalee
Sacrifice
Just 'Cos You Got The Power
Going to Brazil
Killed by Death
Iron Fist
Bis:
Whorehouse Blues
Ace of Spades
Overkill
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