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Resenha - Curitiba Rock Festival (24 e 25/09/2005)

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Por Cristiano Viteck
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No final de setembro aconteceu na capital paranaense a terceira edição do Curitiba Rock Festival. Inicialmente previsto para ser realizado na Pedreira Paulo Leminski, o evento foi transferido de última hora para o Curitiba Master Hall. O local, além de garantir uma acústica muito melhor, era o mais apropriado para receber as cerca de 6 mil pessoas que comparecem no sábado (24) e domingo (25) para assistir os norte-americanos do Weezer e do Mercury Rev, os dinamarqueses do Raveonettes, além das atrações nacionais.

O público foi bem inferior aos cerca de 15 mil pagantes da edição do ano passado, que teve o Pixies como principal atração. Mas, a redução do público é perfeitamente entendida. Afinal, os ingressos promocionais para as duas datas estavam sendo vendidos pela "bagatela" de R$200,00 enquanto que os ingressos para cada um dos dias de shows saíam por "apenas" R$120,00.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Na primeira noite do evento apresentaram-se Suite Minimal, Rádio de Outono, O Sete, Charme Chulo, Biônica, Cidadão Instigado, Acabou la Tequila e, finalmente, o Weezer. Depois de perder as duas primeiras apresentações, cheguei quando O Sete estava no palco. Uma rápida olhada e como o grupo não despertou nenhum interesse, o negócio foi dar uma conferida nas bancas de CDs e camisetas e esperar as próximas bandas nacionais. Do elenco brazuca, vale a pena destacar os shows do Biônica (punk de garagem) e do Acabou la Tequila (com sua mistura rock, samba e jazz). Aliás, é válido ressaltar que esta edição do Curitiba Rock Festival foi a que contou com a pior escalação de bandas nacionais. Nomes de pouco reconhecimento fizeram shows pouco empolgantes, com exceção dos Los Diãnos e talvez da Ultramen no domingo, além das duas antes já citadas. Mas, se o elenco brasileiro era franco, o time internacional chegou quente a Curitiba.

Weezer

Que o diga o Weezer, que logo após a apresentação postou em seu site (www.weezer.com) uma mensagem em que afirma que este foi definitivamente um dos melhores shows de toda a carreira da banda. E eu acredito. Durante os 90 minutos (19 músicas) em que ficou no palco o Weezer fez valer todos os reais cobrados pelo ingresso. Foi uma noite insana. Não bastasse apresentar todos os seus hits novos e antigos (entre eles "Jonas" e "Beverly Hills"), a banda – que deu uma rápida pausa na turnê mundial com o Foo Fighters só para tocar em Curitiba – manteve-se bastante comunicativa com o público, que cantou praticamente todas as músicas. O vocalista e guitarrista Rivers Cuomo é um cara pequeno e tamanha excitação não coube naquele pouco mais de 1,60 m de altura. O jeito foi extravasar. E lá foi Cuomo cantar a balada "Island In The Sun" no meio da galera (foto), isso depois de ter assumido a bateria no lugar de Patrick Wilson, sendo que este foi tocar baixo, enquanto que o baixista Mikey Welsh assumiu a guitarra e puxou o coro na música "Photograph".

Quando todos achavam que as surpresas haviam acabado, Rivers Cuomo pediu se alguém da platéia sabia tocar violão. No entusiasmo, praticamente todo mundo sabia. Depois de convencer a banda que realmente sabia tocar, um tal de Leandro foi chamado ao palco e apresentado ao público pelo vocalista como "Reandrow, my friend". E não é que Reandrow não decepcionou? Ele tocou "Undone" inteirinha e assistiu o resto da apresentação do palco. Ao final do show era difícil saber quem havia gostado mais: o público ou a banda. Pelo "nos vemos da próxima vez" na despedida do grupo, é certo que logo, logo o Weezer voltará para uma turnê que passará por mais cidades brasileiras.

Raveonettes e Mercury Rev

Depois do que o Weezer havia aprontado na noite anterior, seria difícil esperar que alguém pudesse fazer um show tão bom quanto. Mas o Raveonettes fez, e talvez ainda melhor. Oficialmente a banda é formada pelo guitarrista / vocalista Sune Rose Wagner e pela baixista / vocalista Sharin Foo. Nos seus três discos de estúdio, a dupla praticamente realizou todo o trabalho sozinha, contando apenas com a ajuda de uma bateria eletrônica.

Mas, em Curitiba, o Raveonettes surpreendeu vindo com uma excelente banda de apoio, formada por um guitarrista alucinado, um baterista careca que parece Billy Corgan e um baixista andrógeno. Para quem não conhece, o Raveonettes é uma mistura fina do melhor pop rock dos anos 60 com a microfonia oitentista do Jesus And Mary Chain e a ficção científica da série Arquivo X. Com uma essa fórmula não há o que possa dar errado.

E, definitivamente, tudo deu certo no show do Raveonettes. Pode ser que a banda ainda não tenha tantos fãs quanto o Weezer no Brasil, mas parece que todo mundo conhecia as canções "Attack Of The Ghost Riders" e "That Great Love Sound", além do novo single "Love In A Trashcan", anunciada por Sharin Foo como uma música "sobre garotas que se apaixonam por caras de banda". O Raveonettes encerrou o seu show com uma versão estendida de "Twilight".

Enquanto a banda ainda arrancava as últimas microfonias das guitarras, Sharin Foo desceu do palco e foi se despedir da turma que se espremia na primeira fila. Já Sune Rose Wagner foi mais discreto, dando um rápido "tchau" para o público. Foram 60 minutos de show, tempo suficiente para transformar o Raveonettes na nova banda preferida deste colunista – pelo menos até os ouvidos pararem de zumbir depois de tanto barulho, o que deve acontecer nas próximas semanas...

Com a missão de fechar o festival sem deixar a peteca cair, o Mercury Rev subiu ao palco após o Raveonettes. Única banda a incrementar mais o palco, o Mercury Rev apresentou o seu rock com pinceladas do Pink Floyd da primeira fase. No telão, imagens submarinas, fotos de livros e filmes e mensagens de figuras como Kubrick, Hemingway, Saint Exupéry, e até do piloto de corridas Mário Andretti. Quem é chegado em rock progressivo adorou. Quem não gosta, como este colunista, se encheu depois de 15 minutos. Encerrado o Curitiba Pop Festival, lá se foi este colunista e mais uma penca de jornalistas curtir uma festa fechada com o pessoal do Raveonettes. Melhor final para um festival, impossível.


Baladas de Sangue
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Sobre Cristiano Viteck

Cristiano Viteck é jornalista em Marechal Cândido Rondon (PR), apresentadordo programa Garagem 95, da Rádio Difusora FM, e assina a coluna de música Pédo Ouvido do jornal O Presente.

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