Vader e WASP: Mais uma vez a banda de abertura se saiu melhor
Resenha - Vader e WASP (Jockey Lounge Bar, Curitiba, 05/06/2005)
Por Clovis Roman
Postado em 05 de junho de 2005
Quantas vezes você foi a um show de uma banda histórica, e no final, achou que a banda de abertura foi bem melhor? Boa parte de quem esteve no Jockey Lounge Bar neste domingo deve ter saído de lá com a impressão de que o Vader deveria ter sido a atração principal.
Originalmente publicado no site
http://www.ordernews.cjb.net
Para começar tudo, o Sad Theory subiu ao palco, e tocou apenas faixas do seu CD Madrigal Of Sorrow, como "Soothing Memories" e "Pain Poison Soul", que fechou a curta apresentação de apenas 5 músicas.
Estava na hora dos mestres do Death Metal, Vader. A banda costuma apresentar um setlist de 40 minutos, porém em Curitiba a banda foi obrigada a tocar ainda menos que isto. Então, foram apresentadas apenas nove músicas. O vocalista/guitarrista Peter sobe ao palco e fala "Boa Noite Curitiba, como estão vocês", num português claro e sem sotaque - a frase "Bem Vindos ao Inferno" precedeu o começo do ataque sonoro dos poloneses, com "Out Of The Deep". A banda passou sons de várias épocas, com músicas como "Crucified Ones", "Reborn In Flames" e a fabulosa "Carnal". Peter estava com uma roupa que lembrava a vestimenta de um padre, enquanto o baterista Daray tocava com uma camiseta da seleção Brasileira de futebol. Para encerrar a curtíssima apresentação, o vocalista grita "Do You Wanna Die?", já emendada com as batidas de bateria de Rainning Blood", do Slayer. A rodinha de pogo nesta derradeira canção ficou ainda maior. O Vader em meia hora fez uma apresentação histórica - e conseguiu ser mais convincente que o WASP.
Para encerrar a noite, a lenda do Hard Rock mundial, o WASP. Para os vários fãs presentes, o início não poderia ter sido melhor - um medley com canções como "On Your Knees", "Inside The Eletric Circus" e "Hate To Love Me". E a sequência de clássicos não parou por aí. Logo em seguida, vieram "Love Machine" e "Wild Child", que fez muita gente dançar - e cantar a todo folêgo seus refrãos. Mas uma coisa não parecia muito bem. O vocalista/guitarrista Blackie estava visivelmente irritado e periodicamente ia ao lado do palco reclamar de algo. E sua raiva foi aumentando no decorrer da apresentação. E já que estava com raiva, nada melhor que fazer a galera entoar o título da canção seguinte: "(Animal) Fuck Like A Beast". Pode acreditar, tinha até gente chorando nesta altura da apresentação. A sensacional "The Idol" foi a próxima, seguida de "The Real Me" - esta com o vocalista cantando a música em cima do pedestal (que era gigante e contava com molas em sua sustentação), usando uma maquiagem que brilha no escuro, criando um efeito interessante em sua face. Mais duas canções e a banda manda outro clássico memorável, "I Wanna Be Somebody". Tudo estava indo bem, não fosse o que aconteceu no final desta música. O baterista levanta, pega um pedestal (com o prato e tudo) e começa a batê-lo num microfone, e num dos canhões de luz (que é caríssimo) - depois o joga no chão e sai com um ar revoltado. Blackie apenas diz "Good Night", e sai do palco também não muito contente. E assim terminou a apresentação, com um pouco menos de 1h de duração - apenas uma dezena de músicas foi apresentada. "Blind In Texas", que foi pedida várias vezes pelo público, não foi tocada. Um fim melancólico para um show que teria sido histórico - não fosse o anti-profissionalismo dos americanos.
Mais uma vez a banda de abertura se saiu melhor - o Vader apostou apenas na música, e o resultado final foi muito superior ao WASP, que contou com troncos de árvore, pedestal personalizado e carne viva, mas que com toda sua afetação, destruiu um show que poderia ter sido memorável - esta noite será sempre lembrada pela estupidez de Blackie e compania, e pela competência do VADER.
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