Resenha - Nightwish (Canecão, Rio de Janeiro, 30/11/2004)

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Por Rafael Carnovale
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Fotos: Antonio Cesar

O crescimento do Nightwish com o lançamento do cd “ONCE” foi surpreendente. De uma boa banda finlandesa de heavy metal com vocais femininos, o quinteto passou a ser uma unanimidade, ganhando a confiança dos fãs adolescentes, que começaram a literalmente idolatrar a banda. Se antes o Nightwish já gozava de um certo prestígio no Brasil, “ONCE” elevou esse prestígio a patamares nunca antes imaginados por Tuomas e cia. Vídeo-clipes na MTV, música tocando direto nas rádios, camisetas sendo vendidas como água no deserto e muita, mas muita ansiedade por parte dos fãs quando foi confirmada a turnê brasileira da banda, no início de 2004.

A que se deve tal crescimento? A banda de fato tem talento, Tarja Turunen é uma excelente cantora, e “ONCE” é um bom cd, mas há de se dar mérito ao excelente trabalho de divulgação das gravadoras e dos promotores, que fizeram de tudo para que a banda se mantivesse em evidência. O fenômeno Evanescence em muito ajudou tal fato, porque quem conheceu o trabalho de Amy Lee e cia obviamente abriu os olhos para os finlandeses, com mais tempo de estrada. Negar isso seria negar o óbvio. E os resultados foram os melhores possíveis: shows lotados, turnê nos EUA, histeria e tudo mais que cerca um grupo alçado ao mega-estrelato, pelo menos aqui no Brasil.

Para o show carioca foi escolhido o Canecão, que vem abrigando vários shows de metal (Angra e Primal Fear por exemplo), um local tradicional mas com limitações: lotação fixa em 3.000 pagantes, acústica problemática e estrutura inadequada para um evento do porte do Nightwish (que contava com dois shows totalmente “sold out” em São Paulo, em casa de maior porte). Porém o mesmo tem a seu favor a acessibilidade de qualquer local do Rio de Janeiro, e o fato de poder ser adaptado para qualquer evento. Mas quem previu que haveria confusão, histeria e muita gente acertou em cheio.

Os primeiros fãs chegaram na manhã do dia 30 de novembro, e lá permaneceram até as 20 horas, quando os portões da casa foram abertos. Logo o peso de abrigar um show “sold-out” causou o primeiro transtorno: a grade que servia de recuo para os fotógrafos foi abaixo com a pressão da galera. Tentou-se em vão recolocar a mesma no lugar, mas sabe-se bem que grade derrubada nunca é recolocada do mesmo jeito, logo a idéia foi abolida. Nesse meio tempo vários fãs eram retirados da pista passando mal, mas pessoalmente acho que este problema, embora tenha causado um atraso de uma hora no show, ocorreria em qualquer lugar, já que a expectativa dos fãs era enorme. E afinal de contas não tivemos nenhum Altamont (show dos Rolling Stones aonde dois fãs foram assassinados por seguranças) nem nenhum caso mais grave além do tradicional número de fãs que passaram mal pelo calor.

Eram 22:30 quando as luzes se apagaram, uma “intro” começou a soar nos PA’s e a galera começou a enlouquecer. Rapidamente Jukka (bateria), Marco (baixo) e Emppu (guitarra) iam aparecendo, junto com Tuomas (teclados), sob fortes aplausos. “Dark Chest of Wonders” iniciou a histeria coletiva e praticamente não se ouviu mais nada quando Tarja adentrou o palco, vestindo um sobretudo vermelho e distribuindo sorrisos. “Planet Hell” veio em seguida e via-se choro, gritos, desespero... e olha que estávamos apenas nas músicas de “ONCE”. “Deep Silente Complete” e “Phantom of the Opera” estremeceram a casa, seguidas de “Ever Dream” e da belíssima balada “Sleeping Sun” (cantada por todos).

Neste momento Tarja deixa o palco e Marco Heitala (que cada vez mais se consolida como o “frontman” da banda, considerando que até Tarja cede mais espaço para ele, dado seu grande carisma) avisa: “É hora de deixarmos Tarja no backstage. Vamos tocar uma música que não foi feita por bons garotos!!!”. Levam “Symphony of Destruction” (Megadeth), aonde o grande problema ficou nas guitarras de Emppu (fato que se repetiu por todo o show), com som baixo e quase imperceptível em alguns momentos. Tirando este detalhe, o “cover” ficou razoável. O grande problema do show estava no “Set-List”. Baseado em seus dois útimos cd’s, a banda deixou para trás músicas dos excelentes “Angels Fall First” e “Oceanborn”, que seriam muito bem aproveitadas neste show.

Tarja volta ao palco para “Kinslayer” e “Wishmaster” (matando a sede da geração pré-MTV e dos novos fãs, que cantaram cada verso junto com a vocalista), com direito a uma palhinha de “Paranoid” (Black Sabbath) ao final desta última. Para acalmar os ânimos mais um momento suave: “Dead Boys Poem”, seguida de “Slaying the Dreamer”, que foi um dos melhores momentos da noite: Marco e Tarja fazem duetos de altíssimo nível (embora Marco seja muito limitado como cantor), e demonstram imensa sintonia. O investimento feito nesses duetos fez crescer muito a desenvoltura da banda. Jukka é um bom baterista e Emppu, embora não estivesse em seus melhores dias, sabe bem o que fazer. Já Tuomas é o cérebro da banda, e um agitador de primeira. Uma máquina bem azeitada. Para os fãs de Tarja, uma grata surpresa: a mesma, além de cantar maravilhosamente, está cada vez mais se soltando no palco, chegando a ensaiar movimentos sensuais que mexeram com a galera... para uma banda que estava quase saindo de cena em 2002 as coisas mudaram bastante.

Faltava o “hit”... e ele veio: “Nemo” foi executada e obteve a repercussão esperada, seguido por “Ghost Love Score” e “Over the Hills and Far Away” (outra que quase demoliu o Canecão). Para o final deixaram a nova “Wish I Had an Angel”, que funcionou muito bem ao vivo (com suas levadas a lá Rammstein). O público cantou cada letra das músicas e ainda pediu mais depois de quase duas horas de show, sob um calor infernal.

Os problemas ocorreram e não há como negar. Todos têm sua responsabilidade... mas não há como dizer que foi um show ruim, pelo contrário... o “Set-List” apenas razoável foi compensando com muita energia, e o público saiu bem satisfeito. Parabéns a Hard and Heavy e a Laser Company por este evento e esperemos que 2005 seja mais proveitoso ainda para os fãs cariocas, que estão esperando grandes shows.

Nota: Aguarde publicação de uma galeria completa com as fotos deste show.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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