Resenha - Helloween (Canecão, Rio de Janeiro, 16/09/2003)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Rafael Carnovale
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.






Fotos do show por Henrique Pacheco
Fotos da tarde de autógrafos por Rafael Carnovale

Este coelho não saiu fácil mesmo. Com a saída de Roland Grapow e de Uli Kusch do Helloween, e o anúncio de seus substitutos, Sascha Gerstner e Stephan Swarzmann (no lugar de Mark Cross, indicado inicialmente), o Helloween deu início ao seu re-começo (mais uma vez) com o CD “Rabbit Don’t Come Easy”, que se não é a oitava maravilha do mundo, dá continuidade à carreira da banda com dignidade. Deu-se início a uma guerra verbal entre Grapow e Deris/Weikath através da imprensa... mas o tempo acabou dissipando toda essa diarréia verbal e vieram os shows. E o Brasil seria uma das primeiras paradas da “Rabbits on Tour 2003”, aonde poderíamos conferir o poder de fogo do novo material e a performance dos novos membros.

Após um bom, porém tumultuado (nos bastidores), show em São Paulo, a banda chegou ao Rio de Janeiro para sua terceira aparição na cidade maravilhosa. O show já começou às 18 horas numa agitada e concorrida tarde de autógrafos na Hard and Heavy do Flamengo. 200 fãs nervosos e ansiosos esperavam pela banda, que veio sem seu vocalista Andi Deris, pois o mesmo alegou que precisava “descansar a voz” no hotel. Os fãs foram ao delírio quando Weike, Markus, Sascha e Stephan adentraram a galeria e a loja, trazendo desde CD’s até guitarras e violões. A banda só dispunha de uma hora para atender os fãs, o que forçou que a tarde corresse com certa pressa, mas no final, todos foram atendidos e os alemães saíram muito satisfeitos deste evento (Markus confidenciaria que nunca tinha visto tamanha euforia em qualquer tarde de autógrafos que eles tenham feito na Europa).

No Canecão a ansiedade aumentava a cada instante. Apesar do público não ser dos maiores (cerca de 1600) pessoas, a empolgação era altíssima. A promessa de um “set” baseado em músicas antigas e clássicos deixava a multidão nervosa. Os shows em POA e São Paulo já tinham mostrado que o “set” seria matador e isso se comprovou quando às 22 horas as cortinas se abriram e a banda entrou com tudo despejando “Starlight” do EP de 1985, com um pano de fundo simples e um bom jogo de luz e fumaça. Apesar de alguns fãs literalmente desconheceram a música, boa parte nem acreditava no que estava ouvindo. “Murderer” veio em seguida com um som embolado e extremamente alto. A acústica da casa não ajudava muito e o som só viria a melhorar bem depois. Andi Deris aproveita para minimizar a confusão que se formara pelo fato de estar ocorrendo no mesmo dia o show do Deep Purple no ATL HALL dizendo que se dependesse deles eles tocariam com prazer com o Purple, e agradeceu, emocionado aos fãs que aplaudiram e gritaram o seu nome, antes de despejar que a próxima música viria do cd “Keeper of the Seven Keys”, sendo a música de mesmo nome, o que aumentou a já intensa emoção dos presentes. A despeito da performance de Andi, pode-se afirmar que o mesmo levou com muita garra as vocalizações de Kai Hansen e Michael Kiske, embora a banda tenha diminuído “Keeper” em um tom.

Continuando o massacre sonoro a banda despeja “Future World” (aonde Sascha não fez o longo solo que Kai Hansen criou e Roland Grapow continuou) e “Eagle Fly Free” (aonde Deris forçou bem os agudos no refrão, saindo-se razoavelmente bem). Uma pausa para o descanso veio com “Hey Lord” (aonde os bumbos de Sascha apresentavam uma iluminação vermelha quando eram usados) e a balada “Forever and One”, cantada em uníssono pelo público.

Andi aproveita e anuncia que agora iriam tocar uma música do novo cd escrita pelo “homem mais alto da banda (Sascha)” e levam “Open Your Life” que ao vivo ficou muito mais pesada, sendo acompanhada pelo público. Deris emenda com “Are You Ready for Dr. Stein?” e a banda já manda um de seus clássicos, aonde o vocal de Andi falhou algumas vezes, mas deu conta do recado, apesar de ter errado a letra devido a uma crise de riso, provocada por Weike, que começou a saltar feito um maluco na frente de Andi. “If I Could Fly” viria em seguida e esfriaria os ânimos, seguida de um mini-solo de Stephan e “Back Against the Wall”, que novamente ficou muito mais pesada que sua versão de estúdio.

Neste momento Deris vira-se para o público e anuncia que era a hora de dividir o público em 2 partes para ver quem cantava mais alto e a banda manda o seu maior sucesso na era Deris, “Power”, seguida por uma música de “Master of the Rings” que o público adorou, “Sole Survivor”, e emendando com “I Can”. O “set” oficial encerraria com outra música de “Master of the Rings”, que o público adoraria novamente, “Where the Rain Grows” (aonde Sascha fez os backings de Grapow usando efeitos na voz).

Era uma boa hora para aproveitar e analisar como está este novo Helloween. Markus continua o mesmo agitador de sempre, indo de um lado ao outro do palco, enquanto que Weike ainda é um guitarrista paradão, mesmo que neste show ele tenha se mostrado mais comunicativo e agitador. Sascha ainda parece sentir o peso de ser membro do Helloween, mas tecnicamente é um bom guitarrista. Muitas vezes ele ia solar junto de Weike e vice-versa. Stephan já tem história como baterista e apesar de um ou outro erro (quando Weike olhou para ele esperando o começo da música) ele se mostra um bom substituto. Deris ainda tem um vocal limitado, mas cada vez mais mostra-se muito cuidadoso em encaixar sua voz de modo a não vacilar nas músicas antigas e no seu material. Uma banda que com mais alguns shows vai estar tinindo.

Voltando ao show, Sascha e Stephan voltam para uma mini “jam”, aonde Sascha empunha uma guitarra-cítara, logo trocada por uma de 7 cordas para levarem outra música do novo cd, “Sum 4 the World”, que com sua levada cadenciada, saiu-se muito bem, embora muitos esperassem “Just a Little Sign”, que vinha sendo tocada nesta seqüência. “How Many Tears”, como de costume, fecha o show, com um solo bem descontraído de Weikath e Sascha no meio da música, totalizando duas horas de heavy metal.

Tecnicamente o show foi bom, mesmo com a péssima acústica do Canecão e as emboladas que ocorreram direto, além de um chiado irritante que predominou por boa parte do mesmo. O Helloween segue tendo um show bem forte e surpreendeu por trazer um “set” bem trabalhado e diversificado. Se continuar assim, ainda ouviremos “Happy Happy Helloween” por muito tempo. Agora, quem teve a maldita idéia de colocar os dois shows (Helloween e Deep Purple) no mesmo dia?

Agradecimentos:
Hard and Heavy (Alexandre, Paulo e Folena)
Rock Brigade/Laser Company

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Uli KuschUli Kusch
"Michael Jackson utilizava ingredientes do Metal"

1250 acessosRio Rock City: O Power Metal morreu?1080 acessosAndi Deris: Vocalista canta música eletrônica0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Helloween"

UnisonicUnisonic
"Somos melhores que o Helloween!"

Power MetalPower Metal
Conheça dez álbuns essenciais do estilo segundo About.com

Roy ZRoy Z
A origem do nome, influências e mais em entrevista

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Helloween"

João GordoJoão Gordo
Meteu a mão na cara do Cazuza por ele ser folgado

Ratos x MaidenRatos x Maiden
Resposta de Jão à entrevista de Bruce Dickinson

RockstarsRockstars
Os piores empregos que eles tiveram antes da fama

5000 acessosAC/DC: a definição de Bon Scott por Brian Johnson5000 acessosMetallica: banda considerou contratar baixista do Megadeth5000 acessosOzzy: "se não fosse o Black Sabbath, eu já teria morrido"5000 acessosLegião Urbana: Dado relembra gravação de Faroeste Caboclo5000 acessosBanda ruim não tem vez: o futuro da indústria musical5000 acessosRegis Tadeu: Maiden envelhece com dignidade no espetacular TBOS

Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

Mais matérias de Rafael Carnovale no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online