Shaman: Mais um domingo no ano com Shaman em Santos
Resenha - Shaman (Mythos, Santos, 07/12/2003)
Por Fernando De Santis
Postado em 07 de dezembro de 2003
Mais um domingo no ano com Shaman em Santos, mais uma noite com ameaça de chuva e mais uma noite com um grande atraso para abrir os portões da boite Mythos, que já havia sido palco do primeiro show do Shaman em Santos. Parecia que tudo iria ser como a primeira apresentação na cidade, mas só parecia...
Quem ficou com a missão de abrir o show foi a banda local Evil Eyes, que tenta fazer um som semelhante ao Judas Priest. A banda ainda passava o som com o público na casa, tentado dar um jeito nas coisas, quando fecharam as cortinas para começar realmente a apresentação. Misturando músicas próprias com covers, aos poucos o Evil Eyes conseguiu agitar o público. O som não estava lá essas coisas, o vocal estava muito alto e chegava a irritar um pouco... a escolha dos covers também não foi tão feliz, pois tocaram músicas que não agitaram tanto, como Judas recente, "Church Of Blood" do Primal Fear, "Cowboys From Hell" do Pantera (no final) e "Resurrection" do Halford – essa com participação especial de Dani Noldel, vocalista do Shadowside, que foi muito bem recebida pelo público. A apresentação do Evil Eyes poderia ser menos traumática, se tivessem escolhido pelo menos um cover mais "popular" e se a qualidade do som (principalmente do vocal) estivesse melhor.
Quando começou a tocar o playback de "Ancient Winds", os fãs presentes se apertaram próximo ao palco e sem maiores surpresas, o Shaman entrou tocando "Here I Am", que aparentemente estava um pouco mais "lenta" do que o normal. Dava para notar nessa primeira música que a energia dos integrantes era completamente diferente do show passado, de abril... os músicos estavam muito mais empolgados e pareciam estar se divertindo mais. "Distant Thunder", "Time Will Come", "For Tomorrow", "Ritual" e "Fairy Tale" vieram na seqüência. Até ai, sem surpresa nenhuma para os fãs presentes. "Lisbon" foi o primeiro cover apresentado na noite, e durante uma parada no meio da música, um fã subiu ao palco, abraçou Andre Matos, soltou uma frase do tipo "Santos, é nóis!" e deu o stage dive (mergulhou no público). Algo normal, que acontece em todos os shows, mas não para os "seguranças" da casa, que perseguiram o rapaz durante o solo de bateria do Ricardo. Tentaram arrastá-lo para fora da casa, rasgaram a camiseta dele, agiram com total hostilidade e ignorância, algo típico de seguranças que não estão acostumados com shows de Metal. Os "seguranças" ainda ficavam se enfiando no meio das rodas e acendiam lanternas no rosto das pessoas, quando subiam no ombro de alguém. Aliás, não sei porque fiquei surpreso com isso, pois lembro que em abril desse ano, quando o Shadowside abriu para o Shaman, um segurança inventou de ficar parado no meio do palco, de braços cruzados, ao lado da vocalista...
Esses episódios lamentáveis tiraram um pouco a atenção de quem estava por perto, mas logo voltaram a observar o palco, quando o Shaman começou a tocar "Pride". Andre deu o seu show particular, cantou de forma ímpar, foi o ápice da apresentação. Em determinado momento, Andre apontou o microfone para o público, que se soltou do tripé e caiu no meio da galera... Andre deu de ombros e deixou o microfone nas mãos da galera que cantava os versos da música. Após um pequeno hiato, Hugo executou o riff introdutório de "Holy Wars" do Megadeth, mas para a surpresa geral, logo após começou a tocar a introdução de "Sabbath, Bloody Sabbath" do Black Sabbath. Sem dar tempo para o público entender o que estava rolando, emendaram outro cover do Sabbath: "Symptom Of The Universe". Ao coro de "Carry On" gritado pelos fãs, Andre avisou no microfone: "Só tocaremos ‘Carry On’ no final do show... antes tocaremos duas músicas do mestre Ozzy Osbourne!". O clássico "Crazy Train" foi muito bem aceito, com destaque para a excelente performance de Hugo... até lembrou o mestre Randy Rhoads. "No More Tears" em uma afinação diferente da original veio na seqüência e arrancou aplausos de todos. E como promessa é dívida, Shaman tocou o clássico do Angra, "Carry On", para fechar a apresentação perfeitamente.
Foi um grande show do Shaman em Santos, com muita energia. Talvez tenha faltado apenas o cover de "Living For The Night" do Viper, mas mesmo assim, foi uma apresentação muito superior a de abril. O público da baixada fica agora na expectativa de ver a banda novamente, apresentando o próximo álbum no ano que vem...
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