Então o Rock está morrendo?
Por Lenny Granada
Postado em 21 de março de 2018
"Alguns jovens amigos firmaram um pacto de se encontrarem todos os finais de semanas ou dias possíveis para que possam tocar Rock, cada um tem seu instrumento (o que não foi barato) e cada um tem sua função. Alugaram um estúdio bacana dentro do orçamento e todos os sábados se reúnem para juntar aquelas várias partes aleatórias de sons que fizeram em casa afim de que alguma canção surja. E de fato surgiram! Juntaram as várias influências e referências de cada um para as canções. Quando já tinham composto cerca de 13 canções, se sentiam prontos para tocarem ao vivo..
Conversaram com o dono daquele bar que sempre frequentavam para assistir outras bandas e então conseguiram uma data junto com outras duas bandas de vários estilos de Rock e ficou combinado que a bandas autoral tocaria primeiro e as duas bandas que tocavam canções de outros artistas (o famoso cover) tocariam depois. No dia e horário marcado, estavam todos lá, e as 10 da noite a casa deu o 'ok' para que começassem a noite de Rock n' Roll. Porém logo que subiram ao palco perceberam a casa um tanto quanto vazia, alguns amigos mais próximos e alguns curiosos de plantão. Apesar de ser a primeira vez tocaram como nunca para a alegria dos seus amigos e daqueles que estavam por ali tomando uma cerveja. Deve ser estranho ser 'ovacionado' por cerca de 15 ou 20 pessoas.

Após a apresentação das autorais, a segunda banda começou a tocar (algum mega hit radiofônico do Red Hot Chili Peppers). Quando a banda autoral se juntou ao resto do público uma infeliz surpresa, a casa estava bem mais cheia que antes e então tentaram ter uma ideia de quantas pessoas poderiam estar ali e chegaram a conclusão de que pelo menos umas 60 pessoas. A conversa interna entre os membros da banda foi a de que o horário era melhor, mais tarde então deu tempo da casa encher.
Por serem de uma cidade que não é um grande centro musical existiu uma certa dificuldade em arrumar novas datas de show e a oportunidade veio na mesma casa a qual fizeram o seu primeiro show, cerca de um mês depois do mesmo. Como na primeira vez tocaram no primeiro horário, pediram a casa se poderiam tocar em segundo dessa vez, como as outras bandas não chiaram, acabou ficando combinado assim então: A banda de abertura seria um grupo de covers, que tocariam coisas como Led Zeppelin, ACDC e Kiss, as autorais no segundo horário e pra finalizar a noite seria a banda que faria covers apenas de Iron Maiden.

Nossos amigos chegaram cedo e logo de cara notaram a casa bem mais cheia do que no mês anterior quando tocaram naquele primeiro horário da casa. Conversando entre si chutaram que deveria ter cerca de 90 pessoas na casa, incluindo eles mesmos e os amigos que estavam lá por causa deles. O show se inicia com as mais famosas canções de cada banda escolhida para o setlist de covers e assim vai show a dentro. Após aquela calorosa recepção do público para com os covers, a banda autoral pensou que teria um pouco mais de atenção da platéia do que teve no primeiro show. Mas para surpresa de todos os integrantes da banda o público tinha simplesmente caído para menos da metade, cerca de 40 pessoas no salão, assim que subiram ao palco perceberam a movimentação da galera saindo do salão e indo para as áreas de fumantes, para o banheiro e para o bar. Como se a apresentação deles fosse um intervalo entre as bandas covers. Começaram a tocar o seu setlist de canções autorais que até animou a galera que ainda estava pelo salão mas não com a mesma forma que os covers anteriores, até por uma questão de volume do público. Alguns gatos pingados voltaram para ver o show, alguns iam e vinham, outros simplesmente desapareceram. Logo após o show autoral, a casa voltou a se encher com os mais diversos tipos de tribos e pessoas afinal era o Iron Maiden cover, cover..."
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | E é dessa forma como a grande maioria das bandas começam suas carreiras e, na maioria das vezes, também terminam pois, com a falta de apoio do público, falta de casas de shows e sem incentivos de quaisquer natureza (público/privado), o sonho se esvai e com ele a boa música. Entendo que muitos dizem "ah, mas eu vou ao show para me divertir e ouvir músicas que gosto" ok, nenhum problema com isso porém, esse é o único raciocínio que vemos nos dias atuais. O problema não é curtir um cover, o problema é nunca curtir um som autoral.
O centro do problema é não ir aos shows de bandas novas de sua cidade e região, não conhecer o que está rolando perto de você, não fazer um download do disco, que na maioria das vezes as próprias bandas disponibilizam gratuitamente (afinal, as bandas querem que as pessoas as ouçam), não dar um curtir nas redes sociais, as quais são a fonte primária de divulgação do trabalho das bandas (nem vou comentar sobre compartilhar ou publicar algo positivo pois a curtida já está difícil!).

E toda essa situação apontada acima ainda acarreta em outros problemas, tais como: A superestimação de bandas antigas como: Led Zeppelin, ACDC, Deep Purple, Kiss entre outras. Que fique bem claro, nada contra o rock "clássico" dessas bandas mas convenhamos que já foi né? Existe um mundo lindo e maravilhoso de bandas de Rock formadas pós anos 2000, muitas delas com a mesma "pegada" dos velhos figurões da história do Rock, como: Deap Vally, Thundermother, Crobot e Monster Truck. Mas, nem precisamos ir tão longe pois o The Temperance Movement é aqui de Londrina no Paraná! E se formos por outros caminhos que não esse das bandas com fortes apelos setentistas, teremos inumeras boas bandas pelo Brasil, como: Far From Alaska e Black Drawing Chalks no Stoner Rock, Deb and The Mentals e Water Rats fazendo um punk alternativo, o My Magical Glowing Lens no rock alternativo com fururismos e as mais belas divagações, Abraskadabra com um dos Skas mais animados que já ouvi, Loomer e Não Ao Futebol Moderno com um Rock Alternativo com os pés no Shoegaze, e pra quem gosta de um rock 'kinda' Los Hermanos com aquele gostinho de MPB tem o Seu Pereira e Coletivo 401.

E se adentrarmos a cena de hardcore, que apesar dos pesares vai muito bem obrigado, temos diversas novas e boas bandas, tanto surgindo quanto se consolidando, tais como: All The Postcards, Bullet Bane, Menores Atos, Chuva Negra, Under Bad Eyes, Futuro e Profasia. E lembrando que as bandas citadas são todas brasileiras! Se quiserem saber um pouco do que está rolando na cena Punk/HC gringa, indico que comecem com: Tigers Jaw, Bad Cop Bad Cop, The Last Gang, The Bombpops e SLED.

Sei que muitas pessoas dizem "o que é bom já foi feito" ou "não fazem mais música como antigamente", e para essas pessoas eu digo: Abra a sua mente! Saia da casinha, se permita conhecer novas coisas, novos sons e bandas. Novos estilos de música, novos músicos e novas formas de se fazer música. Pois, enquanto houver o preconceito que vejo na internet e nas casas de shows para com as novas bandas e com tudo que soe "moderno" dentro do rock, vocês continuaram à ouvir bandas que até nossos avós ouvem e falar sem conhecimento nenhum de causa que o Rock está morrendo ou que já morreu.
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