Blog Rockrônico: Crítica Imparcial, o que isso significa?
Por Blog Rockrônico
Fonte: Rockrônico
Postado em 20 de setembro de 2014
O que leio e ouço com frequência diante de qualquer crítica que faço ou vejo é: "Você deve ser imparcial e não deve levar em conta seus gostos pessoais." Pois é. Eu também acho e, por isso mesmo, não levo em conta meus gostos pessoais. Se levasse isso em conta, não faria críticas ao Metallica, minha banda preferida; também jamais criticaria power metal, se levarmos em conta meu passado tendo tocado em bandas do gênero e já tendo até composto músicas (ruins) dentro desta vertente. E quanto à imparcialidade, percebo que aparentemente ninguém sabe o que ela realmente significa.
Com exagerada frequência, o conceito de "imparcialidade" é deturpado ou confundido com "fazer vista grossa". Na imagem acima, um comentário que comprova isso claramente. A matéria em questão é sobre uma professora de canto que teria analisado "tecnicamente" alguns vocalistas de rock. Como não há necessidade alguma de entrar em detalhes, vou pegar só o ponto central de minha crítica ao que ela diz, pois isso já basta.
Rob Halford, historicamente, nunca reproduziu ao vivo o que fez em estúdio. Isso, obviamente, por que ele sempre utilizou efeitos de gravação, edições no áudio de sua voz, etc. Mesmo quando ouvido "dentro do estúdio", Halford nitidamente soa de modo artificial... O timbre da voz, muitas vezes metálico, é nitidamente editado para parecer assim mesmo. E o mais importante é que isso não é um demérito para ele. A proposta do Judas Priest era bem essa mesmo. Se o que importa é o resultado, e se o resultado final é bom, para mim está valendo independente do processo utilizado. Se alguém ia aos shows do Judas esperando que ele reproduzisse "Painkiller" tal qual fazia dentro do estúdio, só lamento...
O que me intriga é ver uma alegada professora de canto não mencionar nada disso. O artigo dela é uma clara babação de ovo, pura conversa fiada para agradar fãs e puristas. E como o que ela diz - um monte de claras mentiras - agrada os fãs, eles acham que houve a famigerada "imparcialidade". Mas, não há nada de imparcial ali. É bem óbvio que a professora quis apenas dizer aquilo que todos queriam ouvir e ler para fazer média. Imparcialidade é analisar os fatos, deixar de lado sua preferência e isoladamente criar o conceito daquilo que se está analisando. A grande confusão que há no que diz respeito a opinião e fato é justamente esta: as pessoas parecem não saber a diferença. De algum modo, confunde-se sempre o que se acha sobre um fato e o que de fato aconteceu. Isso ocorre em política, futebol, filmes, novela, música e, claro, no rock não poderia faltar. É por isso que um monte de fãs malucos acredita mesmo que Slash era o grande talento dos Guns and Roses, mesmo que ele não tenha composto nenhuma música da banda. Por isso, também, imagino que tantos fãs acreditem cegamente na história de que o Metallica foi mesmo pioneiro do thrash metal, quando na realidade não foi.
Em meu último artigo, onde escrevi sobre a falência do Power Metal (melódico) - e que, aliás, não foi uma crítica ao gênero -, recebi massivamente as mesmas acusações. É bem óbvio que 90% das pessoas que comentam não leem, e isso é histórico em se tratando de internet. Mesmo assim, a acusação mais comum era a de que eu critiquei o gênero apenas por não gostar dele; outros também disseram massivamente que eu não conhecia bandas dessa vertente. Se meu artigo elogiasse e enaltecesse o gênero, usando os mesmos argumentos, escrevendo com a mesma qualidade, teria recebido inúmeros elogios de pessoas que também não teriam lido nada do que eu disse. Aliás, se eu só modificasse o título do artigo para algo positivo, como "Power Metal é o gênero mais brilhante da história", 90% das pessoas não leria o artigo e teria elogiado ele da mesma maneira, ainda que o texto fosse exatamente o mesmo que ali está. E afirmo isso por que já fiz este teste. Funcionou perfeitamente.
Mas, se do ponto de vista dessa gente, ser imparcial é dizer aquilo que querem ler, agradar fãs, então prefiro seguir o caminho oposto e jamais serei imparcial.
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