Kiss: músicas esquecidas pela banda e pelos fãs
Por Vitor Bemvindo
Fonte: MOFODEU
Postado em 13 de abril de 2009
O Kiss é conhecido pela idolatria de seus fãs, que seguem a banda como se estivessem seguindo um culto, uma religião. Essa idolatria se reverte para os membros da banda em milhões, mas muitos milhões de dólares.
Sabendo que os fãs são sedentos por qualquer coisa que tenha a marca Kiss, a equipe de marketing da banda lança toda espécie de produtos, desde cuecas até caixões para funerais.
Um outro filão encontrado foi o das coletâneas. O Kiss lançou, oficialmente, 18 compilações de sucessos, número igual ao de discos de estúdio da banda. Se juntarmos os discos ao vivo, esse número sobe para 24 lançamentos que reúnem só as músicas mais conhecidas do grupo.
Se isso é positivo para a banda, pois faz com que ganhem muitas verdinhas a mais, há um lado negativo que talvez não seja tão levado em conta. Ao relançar sempre as mesmas canções, o Kiss coloca de lado boa parte do seu trabalho, esquecendo, muitas vezes, de boas músicas que ficam perdidas em seus álbuns originais.
Por isso, a impressão geral é que a banda tem um repertório limitado a clássicos manjados como "Rock and Roll All Nite", "Detroit Rock City", "Deuce" e outras 15 ou 20 faixas. Mas a verdade é que o Kiss tem 18 álbuns de estúdio que devem proporcionar um universo de mais ou menos 200 canções, ou seja, a banda limita-se a tocar sempre os mesmo 10% das suas músicas lançadas.
Como o MOFODEU tem como objetivo tirar o MOFO do ROCK, é nosso dever mostrar aos nossos ouvintes que o Kiss é muito mais do que esses 20 clássicos de sempre. Reviramos a discografia da banda para trazer a tona músicas menos óbvias. Para isso, contamos com uma legião de fãs que entraram no nosso site e deixaram sugestões.
Eis a nossa seleção de músicas mofadas do Kiss:
Álbum: Kiss (1974)
Let Me Know – Essa faixa até aparece em algumas coletâneas do Kiss, mas dificilmente é executada ao vivo e não faz parte de nenhum dos Alives. Foi uma das primeiras canções que Paul Stanley apresentou a Gene Simmons, quando a banda ainda se chamava Wicked Lester. Originalmente se chamou "Sunday Drive". Lembra muito a levada dos Rolling Stones.
Álbum: Hotter Than Hell (1974)
Mainline – Esta música foi a fonte da primeira desavença interna no Kiss. Composta por Paul Stanley, quando foi apresentada aos demais membros da banda, Peter Criss fez uma ameaça: "Se eu não cantar essa música, eu saio da banda". Para evitar maiores problemas, a banda acatou a chantagem do Catman. A introdução marcada por um dos riffs típicos do Kiss e a bateria bem marcada, um refrão melódico e a rouquidão de Criss são as características principais da faixa. Composição de Paul Stanley.
Álbum: Dressed to Kill (1975)
Two Timer – Segundo palavras do compositor da canção, Gene Simmons: "Two Timer surgiu rápida, de maneira muito natural. Foi composta na guitarra. A referência de ‘Two Timer’ é o HUMBLE PIE, embora, quando eu a ouvi novamente, não haja repetição ou linha melódica que me faça lembra banda. São exatamente os mesmos acordes usados na abertura de ‘Detroit Rock City’". Ela tem a estrutura básica das músicas do Kiss com um refrão pegajoso repetido a exaustão. A receita do sucesso kissístico.
Álbum: Destroyer (1976)
Flaming Youth – Ela foi executada ao vivo somente na turnê do Destroyer. O órgão a vapor usado na faixa foi uma idéia de Bob Erzin (produtor do álbum). Ela nasceu graças à inspiração de uma banda chamada FLAMING YOUTH. Segundo Simmons ela é um Frankenstein, na qual cada membro compôs uma parte e Erzin juntou os pedaços. A estrutura veio de uma composição de Simmons chamada "Mad Dog". O riff de abertura foi obra de Ace Frehley, mas o guitarrista que gravou a faixa foi Dick Wagner. Paul Stanley diz que algumas partes dessa música reviram seu estômago.
Álbum: Rock and Roll Over (1976)
Mr. Speed – Eleita pelos fãs do Kiss, através do site do MOFODEU, como a canção mais injustiçada da banda. Ela é um dos frutos da parceria entre Paul Stanley e Sean Delaney (road manager da banda entre os anos 70 e 80). O próprio Starchild faz as vezes nos vocais principais. A bateria da faixa foi estruturada por Bill Letang, que diz que Stanley insistiu que ele tocasse como Charlie Watts, do Stones. Segundo Letang a influência da banda britânica é clara na faixa.
Álbum: Love Gun (1977)
Plaster Caster – Apesar de estar em uma das coletâneas da banda e ter sido tocada no Unplugged, ela não fez parte de muitos shows da banda e não aparece em nenhum dos Alives. Gene Simmons a compôs em homenagem às groupies, em especial a um grupo de tietes de Chicago que, segundo o próprio, "tinham um passatempo muito saudável de fazer moldes em gesso de vários ‘apêndices’ e guardá-los como lembranças". Cynthia Plaster Caster foi a "artista" mais famosa desse grupo, pois ficou conhecida por fazer molde dos órgãos genitais de rockstars como Jimi Hendrix, Frank Zappa, entre muitos outros. Ela afirma que não era muito fã do Kiss quando do lançamento da faixa e que achou que Simmons estava querendo que ela fizesse uma de suas obras de artes com ele. Parece que a fantasia do Demon não chegou a ser realizada.
Álbum: Alive II
Larger Than Life – É uma das faixas inéditas e de estúdio lançadas no Alive II. A canção foi composta em cima de trocadilhos com declarações feitas por Gene Simmons em uma entrevista. A música é conhecida por um dos melhores trabalhos de Peter Criss nas baquetas do Kiss. O próprio Simmons o compara a John Bonham, do Led Zeppelin, nessa faixa, um claro exagero.
Álbum: Paul Stanley (1978)
Move On – É uma das parcerias de Paul Stanley com Mike Japp em seu trabalho solo. Segundo Stanley, a intenção era fazer uma faixa inspirada no Bad Company. Foram utilizados backing vocals femininos emprestados da banda de Desmond Child, chamada Rouge.
Álbum: Ace Frehley (1978)
Rip It Out – O disco de Ace é o mais bem sucedido dos solos pertencentes à discografia do Kiss. O grande sucesso é "New York Groove", mas há grandes músicas no álbum, tal qual "Rip It Out". Segundo o próprio Ace, a faixa foi gravada ao vivo no estúdio, o que traz um clima mais informal e leve. Rock and Roll clássico, simples e de alta qualidade.
Álbum: Dynasty (1979)
Magic Touch – "É uma música incrível que infelizmente ficou uma merda quando foi gravada, o que aconteceu com muitas músicas do Dynasty e do Unmaked", disse Paul Stanley ao descrever a canção. Ainda segundo o próprio Starchild, a música deveria ser muito mais poderosa e pesada, mas devido a sua má interpretação e a produção ruim ela ficou abaixo do que eles gostariam.
Essas foram as faixas esquecidas selecionadas pelo MOFODEU, com ajuda dos fãs que deixaram comentários no nosso site. Para ouví-las e ter mais informações, acesse nosso site e ouça o 52º programa, KISS ALÉM DO ÓBVIO.
Fontes de pesquisa:
LEAF, David e SHARP, Ken. Kiss por trás da máscara: A Biografia Oficial Autorizada. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006.
http://en.wikipedia.org/wiki/Kiss_discography
http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=11:fifoxqe5ldse~T2
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