Um garoto que descobriu o Rock

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Por Bruno Sanchez
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Dizem que o Rock´n´Roll começou em 1950 com Bill Halley e seus cometas cantando Rock Around the Clock. Dizem que depois surgiu um cara chamado Elvis em Memphis (EUA) que mudou a cara da juventude e chocou todos os pais daquela geração com seu estilo "sensual" de balançar as pernas. Dizem também que alguns anos depois a Inglaterra invadiu os EUA, não com guerra, mas com cultura. Aí surgiram uns Roqueiros ingleses mais ousados, no começo eram só quatro garotos de Liverpool meio loucos, que sempre cantavam sobre o amor, mas se cansaram e começaram a misturar a música com substâncias alucinógenas, sons, cores, sensações e criaram uma palavra difícil chamada "psicodelia". As bandas começaram a explorar a fundo todos os sons e limites que os seus instrumentos poderiam fornecer. Tinha até um guitarrista que queimava sua guitarra no palco durante as performances.

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Matéria originalmente publicada no site
Delfos – Diversão & Cultura
http://delfos.zip.net

Uma homenagem do Delfos ao dia do Rock

O tempo quebrou todas as barreiras e o Rock chegou à sua maturidade com uns jovens cabeludos atravessando seus países em furgões para assistir a um festival que tinha o mesmo nome daquele pássaro amigo do Snoopy, mas o mundo era meio louco naquela época porque o país daqueles jovens entrou em uma guerra que não era deles e muitas pessoas inocentes morriam, mas os que ficaram em suas casas, começaram a usar flores como o símbolo da paz e protestavam, nem sempre pacificamente. Os músicos daquela época não eram mais comportados, alguns quebravam seus instrumentos depois do show, brigavam com a polícia, se drogavam, bebiam. Era meio contraditório pregar a paz e causar tantos problemas. Tinham até uns motoqueiros que entraram na parada e resolveram escrever uma música exaltando a liberdade de se percorrer as estradas sem destino.

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Mas nem todos estavam felizes com essa juventude transviada. Na Inglaterra, surgiu um outro grupo de cabeludos que começou a fazer música contra a hipocrisia do "paz e amor" e, em tempos tão depressivos, escreviam músicas que retratavam uma realidade muito mais sombria e triste do que a filosofia da flor mostrava. Um som cadenciado, soturno e, principalmente pesado, com uma forte aura de misticismo. Estes cabeludos acabaram influenciando muita gente. O resto é história.

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Mas para mim, o Rock só começou mesmo 34 anos mais tarde do Bill Halley, quando um garotinho chamado Bruno, então com 4 anos, aprendeu a mexer em uma antiga vitrola (ou toca-discos, como preferir) de seu apartamento em São Paulo. Os pais de Bruno ouviram muito Beatles, Byrds e Animals quando também eram jovens. O pai dele, aliás, tinha uma banda, chamava Vectors que tocava covers nos bares dos anos 60. Nunca gravaram nada, nem tinham grana para isso, e o Sr. Sanchez teve de encostar a guitarra, mas a sementinha do Rock na família foi plantada ali.

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O garotinho cresceu, continuava ouvindo Beatles (e vai ouvir sempre), mas começou a descobrir coisas novas também como um Rock, que aqui no Brasil tinha um nome engraçado, até meio grosseiro, chamado Rock "pauleira". Nunca entendi bem essa descrição, mas o que importa em nossa história, é que em 1989, o garotinho teve contato com uma expressão diferente, que mudaria a sua vida e ele não perceberia o quanto. Heavy Metal.

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O Heavy Metal chegou de leve, não pediu permissão para entrar em sua vida, mas também, alguma coisa que chega prometendo revolucionar o mundo (para melhor, ao contrário do que a grande mídia insiste em relatar) e não cobra nada em troca, não precisa de permissão. As músicas já não eram mais vistas apenas como uma simples diversão, já tinha toda uma simbologia, uma nova forma de enxergar as coisas e pessoas ao seu redor. De repente, nomes como Metallica, Black Sabbath, Iron Maiden, e Deep Purple, passaram a ser comuns na vida de alguém que estava prestes a encarar a adolescência. Esse garoto, caso você ainda não tenha percebido, era eu.

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Sempre encarei o Rock (e muito cuidado com o uso desta palavra, pois a mídia têm distorcido muito as coisas e nem sempre o que ela chama de Rock é isso mesmo, vide os Rock in Rios da vida) como um antídoto para toda a mediocridade que assolava e assola o mundo até hoje. Eles eram meu escapismo para uma realidade nem sempre agradável que me cercava.

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No colégio, não era bonito e nem aquele cara que se destacava na Educação Física, aliás, pelo contrário, eu era o moleque descoordenado que era sempre um dos últimos a ser escolhido para formar os times. Também, nunca fui muito comunicativo, sempre mais introvertido.

Não costumava ir em festas ou baladas. Não me identificava com a música que tocava nesses lugares e nem com as pessoas que os freqüentavam. Sempre tive muitos amigos, é verdade, mas eu era mais caseiro e, se saísse, gostava de ir onde eu pudesse conversar com outras pessoas. Ah, eu sempre odiei dançar também, e isso vem desde a infância diga-se de passagem, onde eu adorava arrumar um motivo para faltar na festa junina do colégio e não ter que participar da porcaria da quadrilha.

Nunca me vesti com o que estava em evidência. Sempre usei o tipo de roupa que me fazia bem. Dane-se se estava na moda ou não e se as cores combinavam ou não. Usava o que era confortável e ponto final.

Como você já pôde perceber, eu nunca seria um personagem de Malhação. Aliás, acho que nunca seria personagem de novela nenhuma de canal nenhum de televisão. Mas quer saber? Nunca achei que isso fosse um problema, porque eu cresci com uma visão crítica muito forte sobre o mundo (bela herança dos meus pais) e, honestamente, não acho que minha vida daria muita audiência.

Talvez, por isso que o meu caminho cruzou com o Rock´n´Roll de uma forma tão natural, pois o Rock nunca me disse que tudo isso era errado, pelo contrário, ele não me vendeu a imagem que eu precisava ser bonito, forte e modista para ser feliz.

Logo, desenvolvi minha própria anarquia, e incorporei a atitude ao meu estilo de vida. Sim, nessa época só me vestia de preto, ia com freqüência na Galeria do Rock, usava braceletes e arrisquei deixar meu cabelo crescer. Até comprei uma guitarra e cheguei a montar uma pseudobanda, mas digamos que a guitarra não foi com a minha cara e preferi continuar somente como um bom ouvinte mesmo. ;-)

Lembro-me que, nessa época, no colégio, talvez tenha sido o momento mais revoltado de minha existência. Desisti totalmente de minha antiga religião (como podia acreditar em uma instituição que prega o amor e queima as pessoas na fogueira por ir contra seus dogmas?), parei de achar que tudo que chegava aos meus ouvidos era a versão final e verdadeira dos fatos e fui buscar meu conhecimento em fontes alternativas, sempre tentando (afinal, nem sempre é possível) formar minha própria opinião sobre as coisas. Li e reli dezenas de livros que falavam sobre milhares de assuntos diferentes e passei a ter uma visão mais aberta sobre a vida. Naturalmente, desisti dos "pré-conceitos" sobre coisas que sequer conhecia e comecei a tentar me aprofundar um pouco mais na realidade de nosso humilde planetinha. Estabeleci uma única regra para mim: não importa se eu goste ou não de alguma coisa, mas precisava sempre entender porque isso ocorria. Não precisei me esforçar muito para entender o porquê eu não suporto funk carioca, axé, pagode, falsos grupos pop, boys bands, ou outras atrocidades musicais.

"Ser" um Roqueiro, é valorizar os seus próprios ouvidos, mas principalmente seu cérebro. Saber que nem tudo que entra em sua casa pela televisão, rádio, jornal ou Internet presta. Ter a consciência de que, se você quer alguma coisa nesse mundo, tem que tirar a bunda da cadeira e ir atrás de seus sonhos. É ter atitude em um mundo carente de raciocínio. É gostar e não gostar de alguma coisa por conta própria, mas saber o porquê destes sentimentos. Ser um Rockeiro não é necessariamente gostar de (ou só de) Rock´n´Roll, mas gostar de si mesmo e saber valorizar as pessoas e coisas que fazem de cada dia, um momento único.

Um dia, quatro garotos de Liverpool, decidiram que queriam passar a vida fazendo música porque não sabiam (e nem queriam) fazer mais nada na vida. Esses quatro garotos, com esse pequeno objetivo, lutaram muito, mas mudaram a vida do Sr. Sanchez, do seu filho, e tenho certeza, dos seus netos. Os Beatles acabaram em 1970, mas seu sonho nunca acabou, por mais que a grande mídia tente, insistentemente, assassiná-lo. Busque dentro de você esses quatro garotos, porque tenho certeza de que, em todos os cantos do planeta, existe um potencial para que cada um de nós faça a diferença.

Aproveite o dia do Rock, ouça um daqueles discos ou CDs que mudaram a sua vida. O meu foi Sgt Pepper´s Lonely Heart’s Club Band e reflita um pouco sobre o que você tem feito pela sua vida e pelos outros; saiba que cada um de nós tem a capacidade para mudar o mundo e fazer dele um local melhor para vivermos. Não busque inspiração em especiais de canais de televisão ou do rádio, porque estes, só estão interessados no $$$ que o Rock pode fornecer, e nenhuma vez o Rock te cobrou alguma coisa em troca pela liberdade que fornece. Então, não interessa se você curte Rock ou não, comemore este dia, pois não é um dia sobre música. É um dia sobre um grupo de pessoas que querem ver um mundo melhor, mesmo que este mundo os veja como bandidos.


Alguns versos de Rock/Heavy Metal selecionados pela equipe do DELFOS que ilustram bem o que é "ser" Heavy Metal:

"Um dia vamos ser felizes e, com o coração cheio de alegria, diremos a palavra amanhã sem medo".
Helloween – Future World

"Talvez não seja tarde demais para aprendermos a amar e esquecer como se odeia".
Ozzy Osbourne – Crazy Train

"E, no fim, o amor que você recebe é igual ao amor que você produz".
Beatles – The End

"Vamos voar juntos, vamos curtir os dias, quando o tesão pela vida é mais forte do que o medo. Apesar de às vezes ficarmos abalados e precisarmos de uma pausa, o tesão pela vida nunca vai desaparecer".
Gamma Ray – Lust For Life

"Um dia, quando o amor conquistar tudo, a humanidade vai prevalecer, chega de ciúmes, chega de inveja e de enganação, o futuro é claro e glorioso, nós somos todos vitoriosos".
Stratovarius – Fantasia

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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