Dimmu Borgir: revivendo tempos antigos antes de novas aventuras

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Por Rafael Carnovale
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Após uma bem sucedida turnê para o CD "Death Cult Armagedon", os noruegueses do Dimmu Borgir aproveitaram para regravar o segundo álbum da banda ("Stormblast"), um desejo que já os acompanhava há anos. Para deixar o pacote mais apetitoso, anexaram um DVD bônus com sua performance no festival itinerante OZZFEST. Aproveitando uma pausa nos trabalhos para o novo CD (que deve sair em 2007), falamos com o guitarrista Silenoz, que contou detalhes do relançamento do segundo CD, e alguns fatos interessantes da bela carreira deste grupo.

WHIPLASH - Vamos começar falando da turnê brasileira que ocorreu em 2005. O que você achou desses shows?

SILENOZ - Maravilhosos. Juro que fomos sem expectativas, não sabíamos o que íamos ver. O Brasil mostrou que realmente curte e ama o Dimmu Borgir, e foi demais. O povo brasileiro é muito amigo e acolhedor. Adoramos!

WHIPLASH! - Vocês fizeram uma boa turnê para "Death Cult Armagedon", tocando em festivais de verão e com uma boa passagem pelo Ozzfest. Qual teria sido o grande momento da turnê para você?

SILENOZ - Cara... a turnê toda!(Risos). Foi muito bom, e só não fizemos mais shows porque não foi possível, mas o OZZFEST foi muito especial, pois nos apresentou para um novo público, e foi demais. Mas eu seria injusto se não incluísse todo nosso giro sul-americano entre os grandes momentos da turnê.

WHIPLASH! - Agora vocês estão nos apresentando uma nova versão de "Stormblast". Porque escolheram este momento para tal empreitada?

SILENOZ - Porque estávamos presos a um contrato dos infernos com nossa antiga gravadora. Há muito vínhamos falando de fazer isso, desde 1995. Mas somente dez anos depois pudemos fazê-lo sem problemas. Queríamos dar uma boa produção a esse disco que tanto nos devolveu em crescimento e respeito. Éramos muito mais inexperientes, as músicas foram escritas em 1993, mas o potencial delas era animador. Agora temos a chance de ouvi-lo como ele merece ser escutado.

WHIPLASH! - Você e Shagrath são os únicos remanescentes daquela formação. Os novos membros chegaram a contribuir com algo?

SILENOZ - Não, até porque a idéia era deixar tudo como fora planejado. Decidimos apenas melhorar a produção, minimizando os gastos e sem mexer nas músicas. Foi feito apenas para dar ao trabalho a produção que ele merecia, sem exagerar.

WHIPLASH! - Mas "Sorgens Kammer" precisou ser modificada.

SILENOZ - Sim... o título foi o que sobrou (Risos). Nosso tecladista havia feito um arranjo no piano e usamos na música. Logo depois descobrimos que isso havia sido copiado de um jogo de computador de um australiano. Não roubamos, usamos sem saber que não nos pertencia, e agora pudemos mudar tudo. É uma nova música com o mesmo título.

WHIPLASH! - Embora o Dimmu Borgir seja uma banda diferente hoje, agregando mais elementos a sua sonoridade, podemos notar que existe uma conexão entre as duas eras (1995 e 2005). Qual seria o grande diferencial na sua opinião?

SILENOZ - Acho que o óbvio... somos mais técnicos hoje, tocamos melhor (risos). Mas o tempo nos tornou mais exigentes, mais críticos em relação ao que escrevemos. Passamos a trabalhar mais nas músicas, a depurá-las com mais cuidado. Em 1995 gostávamos de escrever rapidamente e cair na estrada. Hoje entendemos que vale a pena passar algum tempo trabalhando nas canções.

WHIPLASH! - Hellhammer (Mayhem) está na bateria. Ele é um membro fixo?

SILENOZ - Sim... ele é um cara muito ágil, toca muito bem e sabe exatamente como colocar suas partes em nossa músicas. É uma honra tê-lo conosco, e ele estará no novo CD e na turnê também.

WHIPLASH! - O que você pode falar sobre o "Inner Circle" e todas as coisas que aconteceram no final dos anos 90 na Noruega, envolvendo principalmente o Mayhem e o Burzum (foi nessa época que Varg Vikernes - Burzum assassinou Euronymos, do Mayhem).

SILENOZ - Nunca acreditei no "Inner Circle". De início era uma coisa bem underground, sem o conhecimento da mídia. Nunca nos envolvemos nisso, apenas tocávamos música extrema, sem maiores ligações com esse movimento. O mais legal da época é que o estilo estava em alta, e podíamos ver nossos CD’s nas lojas com um bom preço para o pessoal comprar. Acho que foi tudo um excesso no extremismo de algumas pessoas, que acabou por ter conseqüências trágicas.

WHIPLASH! - Vocês lançaram "Stormblast" com um DVD bônus tirado do OZZFEST de 2004. Mas só tocaram 5 músicas...

SILENOZ - É verdade... foi nosso set inteiro (risos). Mas mesmo assim foi demais. Não me liguei em nenhuma das bandas que tocaram no festival, claro que foi ótimo poder ver o Black Sabbath... mas acho que o mais importante foi que muitas pessoas passaram a nos conhecer, mesmo tocando apenas meia hora. Esse DVD bônus acabou sendo um bom atrativo para os fãs, e um presente aos mesmos.

WHIPLASH! - Curiosamente os shows do Dimmu Borgir no Brasil não chegavam a 80 minutos. Porque essa opção por sets mais curtos?

SILENOZ - Procurarmos dar 120% de nós e fazer um show super intenso... e quero que cada show nosso seja marcante e poderoso para os fãs, e 75 minutos bem tocados e intensos são muito melhores que duas horas de um show que tem altos e baixos. Não queremos dar um minuto para que parem para respirar, e um show longo não nos permitiria tal grau de loucura. (risos).

WHIPLASH! - E devo admitir que mesmo com 75 minutos a ressaca no dia seguinte foi forte (risos)...

SILENOZ - Exatamente! (gargalhadas). Você pescou o que eu queria passar. Eu também tenho um problema sério no pescoço, e se tocássemos 2 horas seguidas eu sofreria horrores. Isso iria me matar (risos), porque quero ser o mais intenso possível no palco.

WHIPLASH! - Por vocês terem tocado no OZZFEST 2004 eu sou obrigado a ser mais um que pergunta: o que você achou da briga particular entre Sharon Osbourne e Bruce Dickinson, que acabou resultando no Iron Maiden levando ovos no palco e tendo o som cortado?

SILENOZ - Cara... não sei o que dizer. Não vi nada, e quando tivemos a chance de encontrar Sharon ela foi muito gentil conosco. Nada contra ela, mas prefiro não falar sobre o assunto. Precisaria ver o que aconteceu com meus próprios olhos para não ser injusto com ambos.

WHIPLASH! - Vocês farão alguma turnê para este "Stormblast 2005"?

SILENOZ - Só alguns shows na Europa e alguns festivais. Mas não planejamos mais shows. Vamos nos concentrar em nosso próximo álbum.

WHIPLASH! - E o fato de estarem fazendo um álbum conceitual, o que você pode nos adiantar sobre isso?

SILENOZ - Eu não diria que se trata de um álbum conceitual. Prefiro dizer que existe uma história que conecta as músicas. Queremos falar de uma pessoa que procura desesperadamente por Deus, e por mais que ele procure, por mais que se esforce, sua vida sempre tenderá para o lado escuro. Será algo bem intrigante.

WHIPLASH! - Vocês chegaram a ser convidados para retornar ao Brasil em 2006?

SILENOZ - Na verdade houve um convite para que fizéssemos um show em outubro, acho que num festival, mas tivemos que recusar. Mas voltaremos sim na próxima turnê... queremos muito isso.

WHIPLASH! - Silenoz, obrigado pelo espaço e sorte no novo CD.

SILENOZ - Obrigado a todos, e valeu pelo apoio e suporte. Curtam "Stormblast" o quanto puderem, que nós estaremos preparando mais um CD matador, e voltaremos na próxima turnê para tocar para vocês.

Site Oficial: http://www.dimmu-borgir.com



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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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