Silvio Lopes comenta a carreira do King Bird
Por Júlio Verdi
Postado em 29 de julho de 2006
Entrevista conduzida por Júlio Verdi e originalmente publicada no site Rock RP em maio de 2006.
Júlio Verdi - Conte para nossos leitores um pouco da história da banda e o que motivou a batizá-la de King Bird?
Silvio Lopes - Ainda na época da banda Sunflower, que costumamos dizer que foi a semente, ou o "ovo" da King Bird (risos) um amigo nosso chamado Ray ia lançar um selo chamado King Byrd, pelo qual seria tbém lançado o primeiro CD da Sunflower. Na época não aconteceu nenhuma coisa, nem outra aí montamos uma outra banda e com o consentimento do Ray passamos a usar o nome King Bird, que pra nós tem um significado muito forte ligado à liberdade de expressão do rock'n'roll.
Júlio Verdi - O primeiro disco, "Jaywalker", foi lançado em 2005. Vocês ficaram satisfeitos com o resultado final? Heros Trench teve muita influência para este resultado?
Silvio Lopes - Sim, o resultado foi na verdade acima do esperado. O que posso dizer é que trabalhar com o Heros é realmente fora de série. Ele é um cara muito tranquilo que devagar vai conhecendo trabalho e participa junto com a gente. Ele tem sempre muitas idéias ao mesmo tempo em que respeita muito a nossa forma pensar e nossas decisões. Então ele influenciou sim no resultado mas nunca impondo uma idéia ou um conceito, mas sempre agregando.
Júlio Verdi - Como surgiu a idéia da participação do Hélcio Aguirra (Golpe de Estado) no álbum?
Silvio Lopes - Eu, particularmente, tenho uma admiração muito grande pelo trabalho do Hélcio, sou fã do Golpe de Estado desde criancinha, como se eu fosse tão novo assim... (risos) O João Luiz já tinha tocado com ele na banda Electric Funeral - tributo ao Sabbath - e como ele também andava pelo estúdio Mr. Som finalizando o álbum do Golpe, resolvemos convidá-lo pra participar e o mais legal foi que ele topou mesmo (risos)!!
Júlio Verdi - Como está a repercussão de "Jaywalker"? O trabalho da gravadora Die Hard atende as suas necessidades?
Silvio Lopes - A repercussão também tem sido acima do esperado, as indicações que recebemos como "melhores de 2005" em algumas publicações de rock realmente nos surpreenderam, ficamos muito felizes com esse reconhecimento do público e da mídia. A Die Hard é uma grande parceira que acredita no nosso trabalho e nos ajuda muito na divulgação e na distribuição do Jaywalker.
Júlio Verdi - Parece que uma nova prensagem do álbum foi providenciada. Em que ela difere da primeira?
Silvio Lopes - Musicalmente é exatamente igual à primeira, que também surpreendentemente esgotou-se no primeiro trimestre desse ano. Resolvemos apenas dar uma "revisada" no visual do CD pois recebemos algumas críticas bastante construtivas que nos levaram a pensar sobre fazer algo diferente mas sem perder a identidade visual original do álbum. E desse forma, dois grandes amigos e fãs da banda, o Emerson, a Sabrina e sua equipe fizeram um trabalho fenomenal de arte e de impressão do material mesmo mantendo as "raízes" da arte da primeira prensagem.
Júlio Verdi - O estilo que praticado pelo KB, rock clássico setentista, tem sido muito consumido ultimamente no Brasil, mesmo por um público mais jovem. Inclusive muitas bandas têm seguido esta linha. A que você. atribui este "revival" no movimento?
Silvio Lopes - Interessante, realmente tem existido essa procura pelo rock clássico. Lá nos idos do ano 2000 quando eu ainda tocava com a banda Sunflower percebíamos uma certa falta de bandas com um som mais setentista mas de lá prá cá surgiram bandas muito boas nessa praia. Não sei bem qual o motivo mas acho que pessoas que curtem bandas de rock mais modernas acabam sendo despertadas por uma curiosidade por esse som tão potente do início do rock, hard e metal que influenciou tantos estilos diferentes. E realmente a cada dia que passa mais pessoas que curtem diferentes estilos de rock e metal têm se identificado com esse som mais clássico, como o do King Bird, o que é mágico pra nós!
Júlio Verdi - É meio evidente, mas você poderia citar algumas das bandas que mais lhe influenciaram na carreira?
Silvio Lopes - Nossa... são muitas... (risos) Mas vamos lá: Deep Purple, Grand Funk Railroad, Creedance, Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin, Thin Lizzy, Black Sabbath, Blackfoot, Jimi Hendrix, Free, Beatles, Rainbow, Uriah Heep, ZZ Top, The Who, Cream, Jeff Healey Band, Badlands, Blue Murder... vou parar senão as pessoas vão ficar cansadas de ler esta entrevista... (risos)
Júlio Verdi - Vi em seu site que os shows da banda tem sido constantes. Você acredita que o mercado de shows para bandas underground está em crescimento?
Silvio Lopes - Temos notado um aumento no espaço para o rock'n'roll mesmo com as grandes mídias tentando nos sufocar... iniciativas como o site de vocês, que aliás está de parabéns, têm ajudado bastante a abrir espaço para shows. Nos shows que temos feito observamos que as pessoas as vezes não tem muito acesso ao trabalho de bandas como a nossa, mas quando têm o primeiro contato passam a curtir. Então o mais difícil é sempre conseguir espaço para uma primeira apresentação.
Júlio Verdi - Os músicos do KB são experientes e oriundos de diversas bandas da cena. O crescimento da banda pode torna-la cada vez mais profissional. Vc. sonha que esse crescimento um dia pode tornar o KB uma banda de nível internacional, a ponto de seus integrantes dedicar-se exclusivamente a ela?
Silvio Lopes - Não só sonhamos com isso como temos trabalhado muito pra que a qualidade do nosso trabalho seja cada vez maior e que mais pessoas possam conhecê-lo. Sabemos que é um objetivo realmente difícil de ser alcançado mas ao mesmo tempo sabemos que nada é impossível. Acreditamos muito no nosso som e nossa intenção é botá-lo na estrada para o máximo número de pessoas poderem curtí-lo junto com a gente!! Tenha certeza de que vamos trabalhar muito pra chegar lá!!
Júlio Verdi - Quais os objetivos da banda, a médio e longo prazo? Um novo álbum está na mira?
Silvio Lopes - Ainda continuamos divulgando bastante o álbum Jaywalker, estamos fazendo bastante shows e ido a lugares onde não tínhamos ido antes. Mas já estamos compondo pro próximo álbum, já temos sete novas músicas praticamente prontas e nos próximos shows pelo menos duas delas devem começar a fazer parte do set list. Já estamos negociando a produção do novo álbum, ainda não fechamos as datas mas certamente voltamos ao estúdio muito em breve!!
Júlio Verdi - Obrigado pela atenção, desejo cada vez mais sucesso ao King Bird e esperamos ver em breve a banda ao vivo em Rio Preto.
Silvio Lopes - Nós é que agradecemos pelo espaço e mais uma vez parabenizamos a vocês pela iniciativa do site em apoiar as bandas underground e manter acesa a chama do rock'n'roll. E não esqueçam, Rock'n'Roll goes on forever!!! Um grande abraço a todos em nome da família King Bird!!!
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