Vocalista do Dark Tranquillity comenta religiões
Por Fábio Hirata
Fonte: Dead Tide
Postado em 30 de abril de 2007
O site Deadtide.com recentemente entrevistou o frontman do Dark Tranquillity, Mikael Stanne.
Deadtide.com: Outro álbum, outra turnê... O que há de diferente dessa vez?
Mikael Stanne: Bom, o álbum, é muito diferente, eu acho. A turnê, melhor do que nunca, eu acho, está sendo legal. Nós estamos mais confiantes e extremamente orgulhosos desse novo álbum, mas é um pouco estranho porque estamos fazendo a turnê antes do álbum ser lançado. Isso é um pouco estranho, mas parece que todo mundo já ouviu o álbum.
Deadtide.com: Como Tue Madsen se saiu na mixagem?
Mikael Stanne: Falando sério, tudo foi gravado no estúdio do Martin e tudo parecia uma porcaria o tempo todo. Nós não mixamos o álbum, ele estava cru, chato, horrível. Normalmente nós fazemos as gravações no Studio Fredman, com o Fredrik, fazendo a mixagem durante a gravação, mas dessa vez nós não fizemos isso. Mas quando terminamos tudo e analisamos as músicas, o resultado era: "as músicas estão boas, mas o som está horrível". Então o Tue veio, pegou as gravações e começou a mixar, e algumas semanas depois, nós pegamos de volta e ficamos realmente surpresos. Eu estava na Escócia, e recebi mensagens do tipo "estamos soando bem de novo! É a melhor mixagem, os vocais estão perfeitos, bateria excelente, as guitarras estão detonando". E eu pensando "Porra!" Deveria ter ficado por maias alguns dias, foi frustrante, eu queria ouvir. Mas eu fiquei surpreso, ele fez um excelente trabalho. Nós estávamos com medo de entregar as gravações para alguém, porque normalmente nós ficamos junto com Fredrik na sala de mixagem dizendo: "Mais disso, menos daquilo". Mas essa foi melhor. Ele fez um excelente trabalho, nunca soamos tão bem.
Dark Tranquillity - Mais Novidades
Deadtide.com: Quais elementos da sua filosofia pessoal aparecem nas músicas?
Mikael Stanne: É nosso jeito de nos colocarmos para baixo. Nós sempre dizemos ao outro: "Não somos nada, somos merda, não temos razão para estar aqui". É bem autodepreciativo, eu acho. Nunca temos esperanças com as coisas, se elas acontecem, acontecem, e nós preferimos ficar surpresos do que desapontados. Então é o que há em nossa música e nas letras também. E tem também aquele sentimento de que você não quer ser nada para ninguém. Você não quer ser afetado por nada, e não quer afetar nada.
Deadtide.com: O que leva vocês a continuarem a fazer música e turnês?
Mikael Stanne: Ainda não fizemos a música perfeita, o álbum perfeito. É algo que nós sempre tentamos fazer. E adoramos isso. Adoramos ir para a sala de ensaio e escrever músicas, adoramos tocá-las. E estamos sempre cobrando uns aos outros, tipo "Vamos lá, você pode fazer melhor, toque mais rápido, com mais peso", coisas do tipo, e estamos sempre tentando melhorar. Poderíamos fazer isso por vários anos.
Deadtide.com: Qual a sua opinião sobre a situação das coisas e a direção que elas estão tomando?
Mikael Stanne: É tudo muito louco. Eu reavaliei minha vida quando a minha filha nasceu, e existem muitas coisas assutadoras por aí, e eu devo protegê-la disso. Eu não sei. As pessoas estão doidas, por razões erradas. Religião, é claro, é uma delas, é a coisa mais estúpida, é a razão de lutarmos o tempo todo. Mas quanto à política, eu realmente não ligo. Eu tento estar desligado disso quando estamos em casa, e eu não preciso de nada disso. Eu sou autosuficiente, eu tenho bastante dinheiro para fazer o que eu quero em casa, e a minha família pode fazer o mesmo, sem problemas. Nós tentamos ficar longe de toda essa loucura, queremos nos mudar para o interior quando ela ficar mais velha, ter certeza de que ela vai viver num ambiente seguro. Mas eu não sei, provavelmente tudo vai para o inferno! É simplesmente assim, somos todos tão destrutivos. O ambiente vai continuar absorvendo tudo mais do que agora, e nós vamos continuar nos matando até que não sobre nada.
Deadtide.com: O que você tem a dizer sobre as críticas que dizem que "Fiction", "Damage Done", e "Character" são basicamente o mesmo álbum?
Mikael Stanne: (risos) Eles são um pouco parecidos, mas eu acho que o "Fiction" é um pouco diferente. O Damage Done é mais direto, vai logo ao ponto. O Character é mais complexo, mais progressivo, e o Fiction é tipo um retorno às coisas que fizemos há anos e anos, ou pelo menos tem elemntos daquilo. (risos) As pessoas podem pensar o que elas quiserem, eu não ligo. Sei lá.
Deadtide.com: Se tivesse uma coisa que você pudesse mudar no mundo, o que seria?
Mikael Stanne: Banir a religião, ou pelo menos me livrar dela. Removê-la, não quero que seja banida, porque aí as pessoas ainda acreditariam, mas eu queria que ela fosse apagada da memória de todo mundo, aí ninguém ligaria pra ela.
Deadtide.com: Qual a diferença, na sua opinião, entre religião e filosofia?
Mikael Stanne: Bem, a filosofia é sua. É controlada por você mesmo. Mas a religião é controlada por outra pessoa, é a idéia dela, que nós, por alguma razão, acreditamos. Esse tipo de pensamento em grupo é tão perigoso quanto o inferno. A filosofia é sua, é algo que você desenvolve, algo em que você acredita. Isso te ajuda. É um sistema de segurança, e você precisa acreditar em alguma coisa.
Leia a entrevista completa, em inglês, no link abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Os três guitarristas brasileiros que John Petrucci do Dream Theater gosta bastante
Dave Mustaine revela que última conversa com James Hetfield terminou mal
Grammy 2026 terá homenagem musical a Ozzy Osbourne; conheça os indicados de rock e metal
Slash promete que novo álbum do Guns N' Roses só terá material inédito
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A canção que tem dois dos maiores solos de guitarra de todos os tempos, conforme Tom Morello
A canção lançada três vezes nos anos oitenta, e que emplacou nas paradas em todas elas
O megahit do Capital Inicial que, analisando bem a letra, não faz tanto sentido
A banda de metal que conquistou Motörhead, Iron Maiden e George Michael
O solo de uma nota que Eddie Van Halen elegeu como um dos maiores; "um tapa na cara dos virtuoses"
Dream Theater faz o seu primeiro show em 2026; confira setlist
Saxon finaliza novo álbum e Biff Byford fala sobre luta contra o câncer
O hit do Van Halen que Sammy Hagar se recusava a cantar quando entrou na banda
Serj Tankian, do System Of A Down, elege o maior álbum de Nu-Metal de todos os tempos
A banda de rock que vendeu mais ingressos de shows na história, segundo duas fontes


Mikael Stanne relaciona a existência do Dark Tranquillity e do In Flames a Tomas Lindberg
Dark Tranquillity - show extremamente técnico e homenagem a Tomas Lindberg marcam retorno
Metal sueco: site elege as dez melhores bandas da Suécia
Dicionário do Metal: cinco bandas com a letra D



