Tsagarides comenta produção do "Painkiller"
Por Marcelo Abelha Vivacqua
Fonte: Metalzone
Postado em 09 de abril de 2007
A Metalzone grega conduziu recentemente uma entrevista com o lendário produtor Chris Tsagarides (THIN LIZZY, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, BRUCE DICKINSON, GIRLSCHOOL, IAN GILLAN, KING DIAMOND,HELLOWEEN, YNGWIE MALMSTEEN, OZZY OSBOURNE). Alguns trechos seguem abaixo:
Sobre as técnicas de produção de hoje: "As coisas mudaram muito, toda a cultura de gravação se modificou drasticamente. Não existem mais tantos grandes estúdios onde as pessoas vão e aprendem a ser engenheiros, com o advento da gravação digital e computadores é muito mais fácil e barato fazer isso em casa. Mas a principal causa das mudanças se deve ao fato das gravadoras se tornarem em sua maioria muito institucionalizadas, pensando somente em fazer dinheiro com algo que possa ter um retorno financeiro rápido, coisas como música Pop, canções descartáveis, daí os acionistas ficam satisfeitos e a empresa ganha".
"Hoje o objetivo é mais fazer dinheiro do que algo ligado à arte, tal como costumava ser... digo, sempre foi um negócio, não me entenda mal, mas havia um pouco mais de envolvimento das pessoas que comandavam as gravadoras independentes. Eles obviamente queriam ganhar dinheiro, mas também ver música decente sendo produzida. Essas são as diferenças, eu acho, que existem entre antigamente e hoje. Ainda é assim se você tiver uma grande banda, eles vão te dar destaque e a banda será bem sucedida, sempre será assim. Porém hoje o sistema não é mais o mesmo".
Sobre o motivo pelo qual as gravações de hoje não terem o mesmo 'sentimento' que traziam no passado: "Muito disso tem a ver com o modo como as coisas são feitas atualmente. Por causa da tecnologia você não precisa tocar tudo muito bem, não precisa sequer tocar a música por inteiro! Você pode tocar só as partes centrais da canção e juntar tudo, há recursos para colocar o vocal de volta ao tom, aparelhos para colocar a bateria no tempo certo, muita tecnologia. Considero que para o Rock este não é jeito correto de gravar. O Rock é uma emoção, uma sensação, um pedaço da vida de uma banda que é capturado em uma gravação, algo como 'isso é o que estamos escrevendo, é o que estamos tocando'. Se você não tocar do início ao fim, não acho que esteja certo. Você tem que agir como um músico. Eu não vejo o lado ponto positivo de se ter um cara com um computador para fazer isso por você. Eu acho que é por isso que as gravações de hoje não soam como as de antigamente".
Sobre o álbum "Painkiller", do JUDAS PRIEST: "Muito brutal mas com um som limpo. Quando ouvi a demo original continha apenas guitarra e bateria. A música é muito rápida. Eu perguntei 'onde vamos achar um baterista para fazer isso?' e eles responderam: 'bem, nós temos um', e lá estava Scott [Travis]. Com isso, tendo um baterista tão impressionante conseguimos reproduzir a velocidade da demo. Nos preparamos para fazer algum bem focado, eu disse que tínhamos que nos focar nessa gravação. Se a idéia é fazer Heavy Metal, tem que ser Heavy Metal do início ao fim. Nós temos que ter todas as músicas caracterizadas. Eu estava com sorte, escrevi uma canção chamada 'A Touch of Evil', eles gostaram e colaboraram comigo, ela se tornou o single do disco. Naquela época eu era a única pessoa que não pertencia à banda que escreveu algo para um disco. Para um garotinho grego, de Chipre, aquilo foi muito legal".
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