The Haunted: Dolving relata ida a uma Sauna Gay

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Marco Néo, Fonte: Blabbermouth, Tradução
Enviar correções  |  Ver Acessos

Peter Dolving, frontman do THE HAUNTED, postou a seguinte mensagem na sua página do MySpace em maio de 2007.

David Coverdale: Em 1974, o Deep Purple Expulsou o ACDC do palcoSeparados no nascimento: Alice Cooper e Emerson Fittipaldi

"The Cockpit, Leeds - é, o lugar é uma merda e o som é um lixo. Mas todos que trabalham lá são dez e a platéia em Leeds é insana. Um dos problemas do lugar é a falta de chuveiros".

"O show foi grande, mas eu comi algo estragado no dia anterior, então tive que sair correndo do palco diretamente pro balde duas vezes. Ou isso ou eu cagava nas calças. Manter a aura de durão dá trabalho."

"Bom - no caminho para o local do show, eu vi um anúncio de 'Sauna, Spa, e Massagem.' Uma bandeira de arco-íris bem brilhante estava pendurada ao lado do anúncio, então eu pensei, 'OK, é uma sauna gay". Apesar do que, pra dizer a verdade, eu não tenho muito conhecimento do que diabos seja uma 'sauna gay', de qualquer forma essa informação já fica registrada e todas as minhas engrenagenzinhas de preconceito começam a funcionar".

"Só pra situar talvez vocês gostariam de saber que eu tenho pensado nisso nos últimos anos. Vejam - em uma turnê de uma banda de Metal ou de Hardcore na maioria das vezes você toca próximo, quando não dentro, do 'distrito das luzes vermelhas', perto da clínica de metadona e/ou do lado das saunas gay de qualquer cidade em que você esteja. Os locais dos shows são tocados meio que nas coxas e não têm nada que lembre higiene. Então aos poucos esse pensamento foi tomando corpo: 'Sauna = Água = Limpeza.'

"Faz sentido que se não tem chuveiro na casa de shows eu deveria tomar banho na 'sauna gay'. Na verdade faz total sentido, exceto por meus próprios temores. É essa palavra... 'gay'.

"Dessa vez eu decidi não ser um cuzão pré-julgador, e deixar a minha falta de conhecimento trazer pra fora o melhor de mim. Claro, na minha mentezinha débil eu vejo caras com músculos exageradamente desenvolvidos e brilhantes e com pintos gigantes e pulsantes usando nada além de quepes de couro e anéis de pinto fodendo uns aos outros incessantemente. Algo como Arnold e Carlos no 'Pumping Iron', mas dotados como Rocco Siffredi e John Holmes".

"Totalmente envergonhado eu me dirijo à porta da frente do lugar, toco a campainha e murmuro algo sobre 'chuveiro', 'banda', 'oi'...

"Ouço a porta ser destravada, logo ela se abre e eu entro. Enquanto eu penetro no pequeno saguão, sou saudado por um carinha franzino usando só cuecas... 'Oh não! Fuja!' diz meu cérebro. 'Oi', digo eu. Eu explico pro 'cuecudo' que eu acabei de tocar na casa de shows que fica na mesma rua. Posso tomar um banho? E a massagem citada no anúncio, ela é, bem... 'real?' Aquela altura eu já me sinto como um cancro. Me sinto estúpido de ouvir as palavas saindo da minha boca e eu digo para meu cérebro calar a boca e tomar sua linha".

"'Mu-i-to bem. Volte em 30 minutos e já será sua vez'. Eu volto para o mundo real e de repente me cai a ficha: eu tenho um horário marcado para uma massagem sueca de corpo inteiro, além de ser um membro temporário da Sauna Gay..."

"Agora, pra quem nunca teve esse tipo de experiência, talvez vocês queiram saber o quão paranóico e ridículo eu estava me sentido a essa altura da história, surpreendente. Na minha cabeça eu já estava a meio caminho andado de me tornar um clone bigodudo de James Hetfield misturado com o Halford da época do 'Painkiller'. Ou pelo menos, o fato que daqui a 30 minutos eu vou estar deitado de barriga pra baixo, pelado com outro homem adulto me tocando, vai ser o motivo para uma reação totalmente caótica no ônibus. As coisas vão ficar bem amargas. É isso, chega. Porra, por quê, e qual o problema comigo?..."

"Pro meu próprio bem eu devo dizer, uma das melhores partes de ser eu é que eu sou uma daquelas pessoas que não desistem daquilo a que se propõem. Outra é minha falta de discrição..."

"Eu entro no ônibus da turnê e proclamo que, assim como Neil Armstrong antes de mim, vou dar um grande passo para o bem, se não da humanidade, pelo menos pra mim mesmo, ao ir a uma Sauna Gay para uma MASSAGEM! Como resposta, o máximo que eu consigo é uma sobrancelha um pouco levantada, um 'Tá bom, cara...' e o povo volta a conversar sobre as coisas mais esquisitas que já fizeram entoxicados. O único drama à vista é ver Per inalar a maior pilha de 'shish kebab' bem gorduroso e carne desidratada com Chips que qualquer um já tenha visto!"

"Meia hora depois, eu recebo a chave de um armário e uma toalha, e o 'cuecudo', que a partir de agora se chamará Pierre, me pede gentilmente para que eu tire minha roupa, tome um banho e aguarde na sala ao lado, logo ele vem me buscar. A essa altura eu já estou totalmente conformado com o meu destino. Decididamente eu me dispo, visto minha toalha branca que parece oito vezes menor do que o normal e vou para os chuveiros. Enquanto eu estou tomando banho eu percebo que esta é a primeira vez, desde a primeira vez que eu toquei na Inglaterra, nos idos de 1994, que eu tomo um banho em um lugar limpo, bem iluminado e que realmente funciona."

"O lugar, além de limpo, é também quente. Para aqueles que nunca foram à Inglaterra, saibam que a Inglaterra NUNCA é quentinha e limpa..."

"Tudo o mesmo, eu fico rapidamente na sauna - que por um acaso não tem um chão com carpete, oito diferentes culturas de mofo, e NAO está suja de fezes (as casas de shows da Inglaterra normalmente são, sabe-se lá por qual razão...). Tomo outro banho e vou para uma sala aguardar pelo chefe dos escravos gays cobertos. Ele vem após alguns minutos, me oferece uma xícara de café e eu sento lá com o meu café, sendo conferido por alguns dos caras mais velhos que também estão lá. Eu me sinto um pouco desajeitado, mas Pierre (eu não lembro o nome verdadeiro porque eu estava tão homofóbico neste momento da história que eu só conseguia me concentrar no meu café, numa revista de modo de vida gay, e os cartazes nas paredes alertando sobre HIV, STD, e a política de proibição de uso de drogas no local) de alguma forma me acalma com sua presença, e eu estou me sentindo já bastante tranqüilo com toda a situação."

"Depois que eu acabei meu café, ele me leva para o andar de cima para um estúdio de massagem. Eu olho para o lugar e me sinto em território neutro. O lugar é como todos os outros em que eu já fui para ter sessões de massagem. Mesa, toalhas, óleo de massagem, música relaxante. Quente, limpo e cheirando bem. De repente eu percebo como sou ridículo. Eu faço massagens com caras o tempo todo. É claro que tem um detalhe: 'eles não trabalham na sauna gay, né!?'"

"A massagem é ótima. Pierre tem mãos de ferro e é muito bom no que faz. Eu converso com ele sobre minha banda e que nós acabamos de fazer um bom show e que esta é a minha primeira vez numa sauna gay. Eu digo isso a ele de passagem, não querendo parecer o bocó que eu noto que sou nesse momento. Pierre ri e logo pergunta, 'Ah, então você não é gay, hein?' Eu digo honestamente a ele que não faço idéia, mas que eu sou casado com o que eu acredito que seja uma mulher e que ela deu à luz meus dois filhos comigo segurando suas mãos. Todavia eu estava de saco cheio de deixar que minhas noções preconceituosas guiassem minha vida, além do que eu realmente precisava da massagem".

"Nós ficamos batendo papo enquando ele amolece meu corpo dolorido, falando sobre como é ser um pai em turnê, jardinagem e eu pergunto a ele sobre os encontros ali, como é que funcionava. Mais uma vez ele ri e me diz que é um caso de discrição, mas o que os clientes fazem nas salas privadas é da conta deles. O Sauna Club é um clube fechado".

"Depois de um tempo eu ouço um cara gemendo sei lá onde, e eu pergunto a Pierre, que a essa altura já havia sido coroado O Mestre da Manipulação da Carne, 'esses caras estão transando!?'"

"Ele ri e responde 'Bem, é o que parece, não é?!" Eu fico desconcertado, aterrorizado. que legal! 'Cara, puta merda! Isso é o que heterossexuais deveriam fazer em vez de se espremer nas porras dos açougues que são as casas noturnas!' Pierre ri um pouco da minha reação e me diz, ele acha que 'isso é algo que provavelmente não funcionaria'. O que é que eu sei das coisas, né? Eu só sou o roqueiro contundido na mesa."

"Pierre acha que as mulheres gostam mais de serem cortejadas do que 'Oh, cara legal, vamos foder'. Isso é mais uma coisa de homem. Talvez ele tenha razão, mas eu digo que ele deveria conversar com minha mulher e com as amigas dela sobre isso, porque eu não tenho tanta certeza. Mas eu tenho vivido num 'tour bus' por mais ou menos sete meses e posso estar enganado."

"Uma hora depois eu tomo outro banho e volto para o ônibus. Não notei que tenha ficado mais gay, mas meu corpo agradece por deixar que Pierre, o 'cuecudo', fizesse seu trabalho. Então, hoje o dia foi legal, e daqui a poucos dias nós vamos todos ver o Stonehenge."

"Oh. Pierre não vai - mas ele seria bem-vindo também, se ele quisesse".



GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção NotíciasTodas as matérias sobre "Homossexualidade"Todas as matérias sobre "Haunted"


Rob Halford: Talvez eu seja o único Gay vocalista de MetalRob Halford
"Talvez eu seja o único Gay vocalista de Metal"

Mês do Orgulho LGBTQ: Loudwire lista 20 ícones LGBTQ do mundo do rockMês do Orgulho LGBTQ
Loudwire lista 20 ícones LGBTQ do mundo do rock


David Coverdale: Em 1974, o Deep Purple Expulsou o ACDC do palcoDavid Coverdale
Em 1974, o Deep Purple Expulsou o ACDC do palco

Separados no nascimento: Alice Cooper e Emerson FittipaldiSeparados no nascimento
Alice Cooper e Emerson Fittipaldi


Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

Mais matérias de Marco Néo no Whiplash.Net.

adWhipDin adWhipDin adWhipDin adWhipDin