Ellefson: "as coisas estão em paz com Dave Mustaine"
Por João Vitor Hatum de Mendonça
Fonte: Rust In Page
Postado em 01 de maio de 2009
Kris Melton do Rock Fist Reviews conduziu recentemente uma entrevista com o ex-baixista do Megadeth, David Ellefson. Alguns trechos da entrevista seguem abaixo.
Rock Fist Reviews: Dave Mustaine foi o guitarrista original do Metallica. Enquanto o Megadeth ganhava fama, eles nunca receberam a mesma atenção. Isto realmente afetava Dave e o resto da banda por consequência?
Ellefson: Você teria que perguntar a ele a sua versão da coisa, mas para mim minha atitude era sempre de gratidão ao Metallica, pois sem eles eu provavelmente não estaria aqui. Não sou apenas fã do que o Metallica faz e fez, mas também um contemporâneo deles na cena e eu tenho um grande respeito e admiração pelo modo que eles comandaram seu negócio. Eles eram simplesmente uma grande máquina. E como resultado eles se tornaram maiores e maiores. Eles realmente chamaram a atenção de milhões de pessoas. E eu acho que os primeiros na festa são sempre os vencedores. Eu acho que em certo ponto os que vieram depois deles provavelmente nunca ganharão tanto sucesso, mas isto não quer dizer nada... Digo, o que nós fizemos foi muito do que o Metallica fez, mas nós fizemos isto bem diferente. Nós oferecemos algo diferente e isto se tornou nosso anzol. E agora pensar que após esses anos todos o que nós ganhamos foi com nossa própria unicidade e originalidade. Sem unicidade e originalidade você é apenas outra banda. E por causa disso nós realmente brilhamos. Todas essa bandas, nós inclusive, comparam sucesso. Mas quando você está na banda de fato, eu acho que aqueles de nós que tiveram sucesso, em qualquer período da vida, você se lembra dos momentos ruins tanto quanto dos momentos bons, porque foi nos momentos difíceis que você aprendeu mais e cresceu mais em seguida.
Rock Fist Reviews: Houve uma processo judicial público envolvendo Mustaine e você em relação aos direitos do Megadeth. Após esta luta, em que situação vocês se encontram hoje?
Ellefson: As coisas estão em paz entre a gente. Ele vive em São Diego agora, eu ainda vivo no Arizona então não nos vemos regularmente. Não nos comunicamos regularmente. Entretanto, todas as comunicações recentes que tivemos foram boas e não parece haver nenhuma hostilidade entre nós. Por mim, estou feliz em seguir em frente com coisas novas na minha vida.
Rock Fist Reviews: O uso de drogas no Megadeth foi bem documentado no passado. Você acha que o problema com drogas foi um dos responsáveis de tantos membros indo e vindo?
Ellefson: Quando estes problemas estão por perto, é difícil manter a consistência. É a natureza que este estilo de vida traz. Eu não faço parte mais deste estilo de vida há vários, vários anos. Consistência e continuidade são chaves na minha vida, e é por isso que não estou mais nessa. É engraçado porque vários dos melhores roqueiros por aí, caras que eu cresci ouvindo, como Gene Simmons do Kiss, e Ted Nugent - eles não eram parte do estilo de vida das drogas também. Olhe para suas vidas e eles ainda estão por aí. Eles continuam detonando. A maioria dos que entraram neste estilo de vida, porque pensaram que era disso que tudo se tratava, ultimamente tiraram seus olhos da música e muitos deles nem ao menos estão mais aqui para falar sobre isto.
Rock Fist Reviews: Você também trabalha como um representante de relações artísticas para a Peavey. Você gosta dessa linha de trabalho? É difícil alinhar duas carreiras diferentes?
Ellefson: Eu gosto disto, eu acho que tenho um bom temperamento para isto. Sou uma pessoa sociável e amo me comunicar com as pessoas. Porque eu estou lidando com uma companhia de música e estamos falando sobre equipamentos. Você sabe, eu ainda não conheci um músico que não goste de falar sobre equipamentos. Para mim é apenas uma extensão, ou parte do meu corpo, a grosso modo. Para mim, tudo que faço na vida é relacionado a música; seja tocando de fato ou compondo, gravando, em turnê, coisas que faço para a Peavey, produzindo, minhas séries Rock Shop do YouTube, onde eu falo sobre isto, o livro que escrevi; quero dizer, tudo que faço é relacionado a música, então para mim, eu não olho para isto como coisas separadas, elas são todas parte do mesmo conjunto.
Rock Fist Reviews: Você sente a necessidade de provar algo a si mesmo com o F5 ou você se sente como um membro parte de uma diversão ou um capítulo de liberdade na sua vida?
Ellefson: Acho que é o último. Uma coisa que aprendi, especialmente me afastando de todas as coisas antigas, é que nenhuma destas coisas duram para sempre, e acho que em certo ponto elas não deveriam. Bandas são formadas e criadas por causa das pessoas nelas e em algum ponto as bandas controlam, impõem e dominam as pessoas dentro dela e este é lugar ruim para se ficar. Não é criativo, não é inspirador, e você quase cria uma prisão em torno de si próprio. F5, Temple Of Brutality e o trabalho que fiz com o Soulfly, estas novas bandas que estou sempre me envolvendo - cada uma delas é uma oportunidade. Elas são meio que uma tela branca, um quadro para eu me recriar e criar algo novo para o que está acontecendo hoje e não tendo sempre que me apoiar no que fiz ontem.
Leia a entrevista completa (em inglês) neste link.
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