Cascadura: líder escreve sobre primeiro show da banda
Por André Nascimento
Fonte: Facebook-Cascadura
Postado em 27 de abril de 2012
Fábio Cascadura, líder, vocalista e guitarrista da CASCADURA, escreveu um post no perfil do Facebook da banda baiana sobre o primeiro show da banda, que completou 20 anos de carreira no último dia 21/04. O post segue abaixo:
" HOJE: aniversário do CASCADURA! 20 ANOS!
Ao completar duas décadas de história ininterrupta, agradecemos a todos que acompanham esta trajetória.
Muito obrigado por tornar isso possível!
21 de abril de 1992
Por Fábio Cascadura
Era véspera do feriado de 21 de abril, Dia de Tiradentes: data cívica, lembrando o desejo de liberdade dos filhos do Brasil diante do jugo lusitano (bem antes da chegada da Família Real, logo depois da Revolução Francesa).
Era 1992! Eu trabalhava, em período de meio turno, numa empresa de cobrança. Esperava o próximo vestibular e havia acabado de montar mais uma banda de rock com o velho amigo da Escola Técnica, Silvano Seixas Gomes.
Era véspera do feriado de 21 de abril, Dia de Tiradentes. Naquele ano, um "feriadão", já que a data caíra numa terça-feira, impelindo a todos os trabalhadores que "enforcassem" a segunda-feira de trabalho, como os portugueses haviam feito com o inconfidente Joaquim José da Silva Xavier.
Era véspera de 21 de abril: Dia de Tiradentes. Havíamos, depois de meses de procura, conseguido completar a formação da nossa banda com dois caras bem mais novos que eu e Silvano. Eram Marcelo Sarraf e Marcos "Paquinho" Oliveira – respectivamente, baterista e guitarrista. Silvano, como todos sabem, é um mestre no baixo (já era naquele tempo) e eu era "dublê de guitarrista" e começava a aprender a cantar. Éramos, desde fevereiro de 92, uma banda que ensaiava regularmente, todas as terças e quintas, pela manhã (se não me engano, de 8 às 10 horas, porque eu entrava no trabalho às 11!), além, é claro, dos finais de semana.
Eis que ao final da interminável sexta-feira, 17 de abril de 1992 (eu realmente odiava trabalhar com cobrança – e quem pode gostar?), abria-se diante de mim um fim de semana inteiro para burilar com meus companheiros todas as canções que vínhamos ensaiando. Alinhávamos algumas músicas que eu já havia escrito, como "Sexta-Feira", "Telepatia", "A Verdadeira História do Dr. Cascadura" (que na época chamava-se "Hardcore"), e covers de Beatles a Ramones.
Buscávamos formar um repertório para, então, realizarmos a nossa tão sonhada, tão desejada estreia, que, com muito esmero, ansiedade e uma dose cavalar de inocência, vínhamos planejando. Ainda não tínhamos sequer um nome para nos identificar como banda. Mas, enfim, havia chegado o feriadão e o que queríamos era passá-lo ensaiando no estúdio... Estúdio?
Os tempos eram outros, amigo. Tínhamos quase grana nenhuma para investir na banda e alugar períodos em estúdios profissionais. Com a demanda de ensaios que pretendíamos para os primeiros meses de existência da nova banda, era impraticável. Passamos a usar um quartinho pequeno, de aproximadamente 3x7m, abafado, com teto baixo, uma única porta e um basculante para a circulação do ar (uma verdadeira sauna) como sala de ensaio.
O cubículo estava abandonado nos fundos do conjunto habitacional onde Silvano morava: dois prédios de tijolos avermelhados com escadas de emergência externas (o que lhe imputava um ar de subúrbio nova-iorquino) situados numa avenida que liga o bairro da Calçada ao bairro da Ribeira, na região da Cidade Baixa, em Salvador. A avenida é mais conhecida como Caminho de Areia, mas seu nome oficial é Avenida Tiradentes – mesmo nome do tal conjunto habitacional que abrigava nossos caóticos primeiros ensaios, "Conjunto Tiradentes".
Pois bem: pretendíamos usar os quatro dias do feriadão para melhorar nossa execução das músicas, o que nos tomava muito tempo, pois, por pura inexperiência, insistíamos em cada canção até que a tocássemos melhor. Óbvio que nunca funcionava, a execução sempre nos parecia uma droga. Mas seguimos pelo sábado e domingo tentando. Além disso, parávamos durante a tarde para, entre um lanche e uma sessão de ar fresco (não havia ar-condicionado ou ventilador no quartinho em que ensaiávamos, o calor soteropolitano transformava o recinto numa estufa, e a cada 25 minutos saíamos para tomar ar e deixar a salinha aberta a fim de atenuar o torpor atmosférico lá dentro), discutir qual nome daríamos à banda.
Até aquele momento, dentre tantos listados, o nome que melhor nos soou foi "Dr. Cascadura" (homenagem à banda inglesa de rhythm and blues elétrico Dr. Feelgood, com o acréscimo da tradução livre do título da canção "Hardcore", então a nossa favorita). Nem de longe estávamos convencidos desse nome, mas até encontrarmos outro realmente bom, nos serviria.
Num desses momentos de discussão sobre nossos planos, nos fundos de um daqueles prédios, sentados bem em frente à porta do nosso estúdio/cela, veio até nós um camarada chamado Henrique, baixista de uma banda punk do bairro que era reconhecida como uma das mais atuantes e crescentes de Salvador, não por acaso chamada Proliferação.
Henrique vinha do ensaio de sua banda, com o baixo nas mãos, e parou para nos cumprimentar.
- E aí, rapaziada? Terminaram o ensaio? Tão dando um gás, hein? Já tem um show marcado? Amanhã vamos tocar no palco que está sendo montado aqui na frente do Conjunto Tiradentes...
Palco? Que palco?
Como forma de levar lazer aos moradores das redondezas, a Associação de Moradores da Avenida Tiradentes organizou uma festa que duraria todo o feriado, com barracas de bebidas e jogos e um palco por onde passaria todo tipo de entretenimento: bingo, sorteios, cantores e bandas semi-profissionais... Amadores.
Como não sabíamos de nada? Um palco pronto, bem sob nossas barbas, e não sabíamos de nada! Deixáramos essa oportunidade escapar. Henrique falou que a seleção das atrações parecia já ter se encerrado, comentou sua excitação em tocar no dia seguinte, nos convidou para assistir e partiu.
Em silêncio, voltamos para terminar algum arranjo incompleto de alguma música e ainda comentamos que faríamos um ensaio mais curto no dia seguinte, para que pudéssemos assistir à apresentação da banda Proliferação, que, segundo seu baixista, ocorreria às 18 horas do dia seguinte. Pois ainda era véspera do feriado de 21 de abril de 1992, Dia de Tiradentes...
Na manhã do dia 21 de abril, poucas horas antes de ir com seu equipamento para o palco onde se apresentaria com a Proliferação, o baterista da banda, Pato, sofreu um acidente doméstico, machucando seriamente a mão e ficando impossibilitado de tocar naquele dia. Em cima da hora, os organizadores se viram na obrigação de encontrar alguma atração que preenchesse o espaço de quarenta minutos deixado vago pela banda punk.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Fomos convidados a substituí-los. Topamos!
Tínhamos menos de 20 minutos em canções para apresentar, o que nos forçaria a repetir mais da metade das músicas. Na beira do palco, ainda incrédulos pela oportunidade repentina de fazer nossa primeira apresentação, o mestre de cerimônias perguntou: "Qual o nome da banda? Como eu apresento vocês?". Olhei para Silvano, pensei por uns três segundos e respondi: "DR. CASCADURA". "
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