Festival Ceará InRock: o MOA não foi o único

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Diário do Nordeste
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NOTA 1: essa matéria foi escrita dois meses antes do também mal fadado MOA. Incrível como vale a pena vê-la agora sob a ótica dos mais recentes acontecimentos.

No ano em que teremos o primeiro festival de Heavy Metal de grande porte na região nordeste, os problemas enfrentados por quem foi à Mulungu, município a cento e poucos quilômetros de Fortaleza, devem servir de wake up call, evitando que se repitam no tão ansiosamente esperado MOA.

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Contextualizando um pouco o leitor, o festival Ceará In Rock, produzido pela empresa InCartaz Filmes e Eventos, prometia ser um mini MOA, contando com diversos nomes de peso em seu cast, como ZAQ STEVENS, HAIL (fechando duas noites), SOULSPELL, OBSKURE, TRIBUZY e TORTURE SQUAD (sendo que algumas delas - OBSKURE e TORTURE SQUAD - também estarão no MOA), entre diversos outras excelentes expoentes da cena local. O line up completo pode ser visto abaixo. Infelizmente, o que se viu foi um completo fiasco.

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Eu estava, como dizemos aqui no Ceará, me coçando para ir a este festival, mas, com a proximidade do MOA (aqui ressalto que nem meu bolso, nem minha esposa concordam que eu vá a dois festivais fora de Fortaleza em tão pouco tempo) e outras questões, trabalho, etc, evitaram que eu marcasse presença no evento. Hoje, pela manhã, tive a ingrata surpresa de ver na home do Diário do Nordeste a cara do ANDREAS KISSER ilustrando a chamada para a reportagem que falava do cancelamento de metade do festival.

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Você pode ler a reportagem completa aqui: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1107453

Outro post (muito bem escrito) sobre o assunto pode ser lido aqui:
http://freakshowunited.blogspot.com/2012/02/o-que-dizer-sobr...

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Inacreditável, pensei. Como isso pode ter acontecido??? A produtora InCartaz tentou se explicar em duas notas no facebook. Em uma delas, culpava alguns fornecedores até mesmo o público (!!!) Mais tarde, emitiu outra nota em que, finalmente, assumia a culpa por todo o ocorrido.

Algumas considerações que fiz na época:

1) A produção deveria ter levado em conta vários fatores no planejamento do festival: a concorrência com outros festivais, o já citado Metal Open Air (fator predominante em minha decisão de não ir) e o já tradicional Festival de Jazz e Blues na vizinha Guaramiranga, a concorrência com o próprio carnaval (que, embora direcionado a outro tipo de público está longe de ser um fator a ser ignorado), a dificuldade de conseguir passagens de ônibus para qualquer lugar neste período (quem nunca pegou um busão lotado no carnaval levante a mão) e a própria (ausência de) infra-estrutura no local escolhido para abrigar os shows. Se eles sonharam com um festival magnífico, uma pequena mostra do que seria o MOA ou um micro-WACKEN (que, vale citar, acontece em uma cidade com cerca de um quinto da população de Mulungu), eu também sonhei. A iniciativa (e a posterior aceitação das críticas) é louvável, elogiável e necessária, entretanto, a execução envolve muito mais que sonho. Eles arriscaram muito mais que eu (que, no caso de um grande sucesso, ficaria apenas com meu arrependimento por não ter ido e na esperança de uma nova versão em 2013), então, deveriam ter tomado muito mais cuidado com todos os detalhes. Se dormiram duas horas por noite nos últimos seis meses, deveriam ter dormido meia-hora. É acreditar apenas na sorte e se ver jogado no mundo real, onde a lei de Murphy é a única lei que nunca falha.

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2) Quem se programa para ir a um festival desses merece muito respeito. A compra dos ingressos é apenas a ponta do iceberg. Há uma "mini-produção" envolvida na compra de passagens, busca por hospedagem, planejamento da viagem, negociação com os chefes (ou alguém aqui acha que o Daniel vai ter condição de meter a cara no Java no dia seguinte ao retorno para casa?), negociação com a esposa, pais ou filhos. O próprio deslocamento de 14 horas de Fortaleza a São Luís já será um preço altíssimo a ser pago, e em duas parcelas (e tenham certeza de que as 14 horas de retorno são beeeem mais longas que as da ida).

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3) Não esperamos luxo nas pousadas, aviões e ônibus. Quando eu levar minha esposa e filho à cidade de São Luís vou querer conhecer melhor a cidade, suas belezas e cultura. Em abril, eu só quero não morrer na estrada, ter uma cama limpa para desmaiar no final de cada dia de show e um banheiro onde eu não tenha que fazer o número 2 em pé.

4) Os músicos merecem bastante respeito. Depender de carona para levar e trazer uma banda, alojá-los em uma casa com banheiro quebrado (como alguém relatou no facebook) é, além de desrespeito, de um amadorismo injustificável. Esperamos que isso não aconteça no MOA, ou os cancelamentos começarão a pipocar (NOTA 2: lembre mais uma vez que essa matéria foi escrita dois meses antes do também mal fadado moa). Já pensaram uma banda com tanto tempo de estrada como MEGADETH ou VENOM tendo que passar por uma situação dessas? Se eles acaso passaram por isso no começo da carreira, é outra estória. Se estivessem no começo da carreira ainda, não tocariam no MOA. Outro problema que vem disso é que o músico deixa de estar com a família, deixa de aproveitar a cidade onde está para se dedicar a resolver problemas que já deveriam ter sido resolvidos, pode até deixar de agendar um show em algum outro lugar. Calçando os sapatos do ANDREAS KISSER, por exemplo, imaginem o que ele deixou de fazer para viajar a Fortaleza, estampar a home de um jornal por um dia e talvez sequer conhecer a cidade onde ele deveria tocar. Espero que ele pelo menos tenha se divertido em Guaramiranga. Registre-se aqui que as bandas que, nesse ambiente tenso, heroicamente conseguiram fazer seus shows, como a OBSKURE, são dignas de reconhecimento.

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Finalmente, só me resta ficar aliviado por não ter entrado nesse Costa Concordia. Teria até sido divertido se eu tivesse metade da minha idade. Espero que, ao final do MOA, eu possa dizer exatamente o contrário (e quem sabe sentir como se eu tivesse realmente metade da minha idade).

Nota 3: a única diferença entre o festival em Mulungu e em São Luís foi a minha presença. Enquanto apenas acompanhei estarrecido as notícias sobre o primeiro, vivenciei cada decepção provocada pelo segundo. E se o ANDREAS KISSER apareceu na capa do Diário do Nordeste, 20 mil enganados e iludidos (como chamados pelo sempre admirável Pompeu, do Korzus) apareceram no Jornal Nacional.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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