Slipknot: "muitas pessoas queriam que falhássemos"
Por Guilherme Carvalho
Fonte: CityBeat
Postado em 19 de agosto de 2012
Amy Harris do CityBeat entrevistou em 2012 o co-fundador/conceitualista/percussionista Shawn M. Crahan (mais conhecido como Clown). Confira alguns trechos.
CityBeat: A cada turnê vocês têm uniformes diferentes. Como é o processo de desenhar ou de escolher?
Crahan: Eu sou meio visionário, por assim dizer. Isso não significa que sou visionário sobre tudo. Eu tenho muita responsabilidade por fazer as coisas evoluírem. Desde que nosso baixista [Paul Gray] faleceu [em 2010], estamos relembrando toda uma vida que passou. Saímos em turnê no último verão [no hemisfério norte] e refizemos nossos primeiros macacões e trouxemos as primeiras máscaras para lembrar de onde viemos e para celebrar sua vida. As atuais são uma mistura das do primeiro com as do segundo álbum. O seu número era o 2 e ele teve uma grande participação nesse disco, assim como nos outros. Pensamos em dar ao público algo especial.
Se Paul não tivesse falecido estaríamos terminando o nosso quinto álbum e nos preparando para fazer ele "bombar". Tudo isso é um pouco inspirado por ele [Gray], porque não temos um novo álbum e estamos dividindo esse processo junto com os fãs. Não o vemos no palco; eles não o veem no palco. Passamos por isso juntos. Estamos nos preparando para dar um fim a este processo de dividir a perda juntos. Não significado que isso é um fim de alguma coisa e um novo começo. Nunca haverá um novo começo.
Sempre haverá somente nove. Mas passamos por esse processo de compartilhar a perda na turnê pela Europa, América do Sul, Austrália e agora os EUA. Vamos terminar essa turnê de entendimento sobre ele não estar mais conosco. Então vamos dar um tempo, fazer um disco, refazer um disco, preparar a turnê, sair em turnê, lançar um disco e promovê-lo. Mas sempre haverá somente nove. Não sei se haverá em algum momento outro pessoa no palco. Provavelmente poderia ser um baixista atrás de nós. Eu não sei e não tenho que pensar nisso porque será um longo caminho.
CityBeat: Vocês sentem calor com as máscaras em dias como hoje?
Crahan: Ninguém a não ser os nove vão entender esse tipo de entrega. A única maneira de explicar é que quando tudo acaba e você tira a máscara e se olha no espelho você sabe que entrou na igreja do KNOT, no altar do KNOT, dando o sermão do KNOT para a congregação do KNOT, e quando você termina e as portas se fecham e você tira o traje, se olha e vê que deu 190 por cento, e não existe nada maior que isso.
Mesmo se eu não tiver tempo de ligar para minha mulher, mesmo se eu não tiver tempo de ser criativo no meu computador, ou se estou com preguiça, ou se não vou fazer nada. Uma coisa certa é que dei 190 por cento no palco, e quando eu tiro a máscara e me olho sei que estou vivo, e que passei por aquilo. Não é nem um sentimento de coisa boa, é mais como uma salvação. Eu só faço isso porque procuro paz. Com a paz vem a guerra, e eu estou em guerra comigo mesmo. Desde que eu nasci sou assim. Eu amo a música, não posso imaginar a vida sem ela. Minha mulher está sempre me apoiando. Meus filhos me apoiam, mas eles são pessoas. A única coisa que sempre esteve comigo foi a música. Antes de eu conhecer minha esposa havia a música. Se minha mulher falecesse ou algo assim a música me ajudaria a superar. Isso não vai acontecer, mas o que quero dizer é que a música sempre esteve na minha vida. Eu devo tudo a ela.
CityBeat: No começo vocês queriam se manter anônimos usando as máscaras. Vocês preferiram se manter assim ao longo do anos, mas agora as pessoas sabem quem vocês são. Vocês ainda sentem que isso é necessário?
Crahan: Foi meio que um truque, porque no começo muitas pessoas queriam que falhássemos, porque somos muito bons. Estamos explodindo desde o primeiro dia, porque uma boa ideia é uma boa ideia, e uma boa música é uma boa música, e uma boa banda é uma boa banda com uma performance. Então, parte disso é que todo mundo queria saber quem estava atrás da máscara, e isso provavelmente era a coisa menos importante de tudo. Por que perguntar isso? Por que não perguntar de onde isso surgiu, ou por que, ou o que está por trás disso? Não o que está atrás da máscara. É da música que as pessoas gostam e é a música que estão comprando.
Raramente eles vão a um show nosso. Geralmente é nos seus carro ou nos seus fones. Então por que perguntar isso? Foi assim até o terceiro disco, quando eu fiz um documentário chamado "Voliminal: Por Dentro Dos Nove" e mostrei cenas de bastidores borrando o rosto das pessoas, mas, quando fiz entrevistas, não fiz nada além de mostrar os rostos. Em nosso terceiro disco as pessoas já não se importavam mais em como nós éramos. Gostavam mais da gente com as máscaras. Eu sempre soube que isso ia acontecer. Nunca houve uma decisão consciente sobre tentar se manter fora dos holofotes e não me mostrar. Vamos falar sobre a música, sobre as letras, sobre o porquê e não sobre quem está atrás da máscara, porque eu não uso uma máscara. Definitivamente eu não uso uma máscara.
Comente: Qual o significado das máscaras para o Slipknot?
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