Machine Head: carta dramática revela demissão de baixista

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Matéria de 26/02/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?


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Os fãs ficaram meio chocados semana passada quando o MACHINE HEAD anunciou que estava desligando o baixista de longa data ADAM DUCE da banda. Um comunicado muito abrangente sobre o fato revelou a separação, afirmando que a racha havia sido amigável e que a banda desejava a Duce tudo de melhor em seus projetos atuais e futuros. Agora, uma nova carta do frontman ROBB FLYNN revela que Duce, fora na verdade, demitido do grupo.

Em seu post original, abanda revelara a intenção de permanecer como trio na ausência de Duce e que eles já haviam começado o processo de composição para o sucessor de “Unto The Locust”, com planos de lançá-lo até o fim de 2013. Pouca coisa a mais sobre o assunto foi revelada… até agora.

Em uma nova postagem datada de hoje, 26 de fevereiro, ROBB FLYNN nos dá uma explicação muito longa e sentida; nela, ele discorre sobre o doloroso processo de ter que se separar de um colega de banda de longa data com bastantes detalhes sobre e como a coisa rolou. O texto traduzido na íntegra segue abaixo:

11-2-13.

Essa é a data na qual demitimos Adam Duce. Esse é o dia que eu tive que dizer para Adam que, 21 anos depois de estarmos juntos em uma banda, que eu não aguentava mais.

Esse foi o dia que eu disse, “Minha esperança é que isso seja amigável.”

A palavra soou como se outra pessoa a tivesse dito.

Era como se eu estivesse fora do meu corpo assistindo a alguém pronunciar essas doloridas palavras.

Mas, era eu dizendo-as.

E todos nós as dissemos.

Conversamos na sala de ensaio em Oakland. Dave as disse. Joseph [nosso empresário] as disse. Phil as disse. Todos nós dissemos que não conseguíamos mais suportar estar numa banda com ele. E que se isso não acontecesse, que iríamos acabar com a banda.

Foi difícil. Um dos momentos mais difíceis da minha vida.

E também demorou muito pra acontecer.

Nós podemos ter demitido Adam no dia 11 de Fevereiro de 2013, mas Adam saiu do Machine Head há mais de uma década. Ele nunca se dispôs a dizer isso pra ninguém… mas todos nós sabíamos disso.

Diferente do que se acredita, estar em uma banda é duro. Duro pra cacete. É a coisa mais filha da puta que você jamais vai achar na sua vida e isso vai te massacrar 80% do tempo. Por muitas vezes, parece uma grande montanha-russa, o mais alto dos picos, e a mais baixa das depressões. Há ganhos e perdas, aparentemente todo dia. Estar em uma banda é uma das apostas mais estranhas da vida.

Mas quando você de fato ganha, quando você ganha naquele 20% das vezes, bem… é realmente uma salvação. É o que torna comer os outros 80% dessa merda suportável. É daí que “aquelas” histórias saem. Pode ser o melhor emprego que você vai ter e sem dúvida alguma, um dos mais difíceis que você jamais terá. Mas até que você já tenha estado nele por mais de 20 anos, você não saberá. Até que você tenha mantido uma banda unida por mais de 20 anos, você realmente não sabe porra nenhuma sobre isso.

Você acha que sabe.

Você não sabe.

Uma banda é uma família disfuncional. Uma irmandade, uma empresa familiar, e uma corte da era do renascimento. Vocês são colegas de quarto em uma kitchenette sobre rodas por anos de cada vez,24 horas por dia. Além disso, você está dentro da panela de pressão da luz da mídia, cada manobra sua é analisada, lida, ou atacada. todo mundo quer algo de você,todo mundo quer ser seu amigo, todo mundo te ama,todo mundo pode fazer tão melhor pra você do que as pessoas que você conhece agora.Algumas pessoas tentam te jogar uns contra os outros, e todo mundo quer crédito pelo seu sucesso.

Muitas vezes, vocês são inimigos. Discordando e brigando sobre algo, mas “fingindo” que tudo está “de boa” no palco.

Mas não está…

Você só veste uma máscara que faz parecer que está bem, e depois de 20 anos, nós conhecemos essa máscara tão bem, ela tem cai muito bem.

Adam não tem estado feliz nessa banda faz tempo. Mas como é que você vai embora? Para um cara como Adam, tudo é vencer ou perder. Uma vitória acachapante ou a pior das derrotas. Não havia meio termo. E enquanto isso possa parecer ótimo para um programa de TV ou uma frase em uma entrevista, ou um filme de John Wayne que acaba em 90 minutos… a vida não é assim.

E a vida com certeza não é assim para uma banda como o Machine Head. Uma banda que opera no intermediário superior. Pra nós, não há vitórias acachapantes, só vitórias respeitáveis. Nenhuma derrota definitiva, apenas ‘melhor sorte da próxima vez’. Nós construímos um segmento, nós somos DONOS desse segmento, mas ainda assim, é só um nicho. Nada errado nisso.

Não importa o quão infeliz ou de saco cheio ele ficasse, sair da banda seria visto como ‘perder’ ou ‘um fracasso’. Verdade seja dita, ele estava de saco cheio disso. De saco cheio de turnês, de saco cheio de gravar, de saco cheio de ensaiar, de saco cheio de ver desenhos pro encarte, de saco cheio de estar numa equipe mas nunca receber a bola, de saco cheio de esperar uma outra lua de mel 20 anos depois, mas que nunca chega. De saco cheio de nunca dar a grande tacada, de saco cheio de trabalhar pra um segmento… de saco cheio de se importar com isso.

Não o culpo. É difícil manter a paixão.

Mas ele não ia sair da banda.

A gente queria que ele pedisse pra sair. Tínhamos esperança que ele saísse, “caras, meu coração não está mais nisso, foi bom enquanto durou, até mais”. Não queríamos que chegasse a isso…

Mas ele não fez isso.

Eu não senti nada enquanto dirigia pra longe do local de ensaio naquela noite. Quando eu acordei na manhã seguinte, eu não senti nada tampouco. Eu não estava “dormente”, eu ainda “sentia”, só meio vazio. Mas três dias depois da reunião, uma discussão se iniciou na sala de ensaio sobre como eu estava em conflito com aquilo. Daí eu chorei.

Chorei e chorei.

Tenho chorado todo dia desde então. Estou emocionalmente zoado. Eu chorei escrevendo isso. Eu fiquei mal no dia que anunciamos tudo [11 dias e 2 postagens no blog depois de eventualmente fazê-lo], andando, prestes a vomitar por horas.

Eu encontrei com ele por algumas horas na última quarta-feira, encontrei com ele ontem. Civilizadamente.

Eu não sei mais o que dizer.

Eu não tenho uma frase motivadora pra encerrar aqui. Eu não vou sentar aqui e dizer a vocês que tudo vai ficar bem, ou que vai ser a mesma coisa. Nesse momento, eu não consigo nem dizer que vai ser melhor.

Por quê?

Porque é uma merda.

É uma baita duma merda.

É uma merda pra todo mundo que tentou salvar isso.

É uma merda maior do que vocês podem imaginar…

É um alívio horrível.

A saída de Duce deixa Flynn como único membro original da banda, que foi formada em idos de 1991.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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