Opeth: Åkerfeldt fala sobre evolução, radicalismo e Metallica

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Por Alexandre Caetano, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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Uma nova entrevista com o guitarrista/vocalista Mikael Åkerfeldt, da banda sueca de metal progressivo OPETH, conduzida por Andrew Haug, ex-apresentador do programa The Racket (antigo Full Metal Racket) da rádio Triple J Australia's, foi ao ar na Austrália pela recém lançada AndrewHaug.com, a primeira rádio online do país a dedicar 24h para rock e metal. Você pode ouvir a conversa (em inglês) no final da matéria.

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Sobre as críticas feitas ao OPETH por abandonar o vocal estilo death metal e buscar um som mais místico e folk no último álbum da banda, "Heritage":

Mikael: "Nós ganhamos muitos fãs novos - pessoas que nunca gostaram de metal, muito menos death metal, música que antes fez parte da banda, até o último álbum, e agora é uma espécie de passado e entra em nossas canções antigas e discos antigos também."

"'Heritage' foi uma gravação muito boa para nós. Quer dizer, foi bom em termos comerciais e bom em termos artísticos, ainda tivemos muito retorno positivo pelo disco. Mas, óbvio, teve muito retorno negativo também - pessoas que definitivamente odiaram o álbum e que agora odeiam a banda, dizendo que nós os enganamos, e nós somos traidores e nós não somos metal e blá blá blá. Nós ouvimos tudo isso. Quer dizer, nada novo, na verdade; ouvimos isso ao longo de quase toda nossa carreira - que somos mocinhas, por assim dizer. Mas nós realmente não damos ouvidos a isso. É assim que as pessoas são. Se algumas pessoas não gostam, não há nada que você possa fazer. Não estou trabalhando, tipo, uma receita para meio que fazer todo mundo gostar do que estamos fazendo. Quer dizer, não somos uma banda comercial de jeito nenhum; não somos comerciais dentro da comunidade do metal também. Nós meio que estamos indo contra a corrente, na verdade. É o que eu acho - mesmo no mundo do metal, por assim dizer. E 'Heritage' é um álbum que eu particularmente adoro. Acho que em nossa discografia, é provavelmente meu álbum favorito. Basicamente, tenho me aproximado da música que escuto. Eu não ouço o novo metal extremo. Eu acho chato, acho uma merda - a maioria. E eu não consigo me empolgar com bandas que são rápidas, que tocam... brutalidade, para mim, não tem efeito. Quer dizer, você não pode ser mais brutal, então... Eu estive dentro de toda a cena death metal por séculos, então o que acontece é que eu não vou mais me impressionar com música brutal. Acho que o metal tem um novo significado para mim, diferente de antes. Eu acho que 'Heritage' é metal; É transgressor, de qualquer forma. Mas muita gente, evidentemente, discorda. Para muitos, metal é vocal gritado, pedal duplo na bateria, uma gravação muito mais computadorizada que não soa humano, e eu acho que nós só reagimos contra isso. Para mim, essa é uma atitude corajosa, ou como queira chamar, mas em nossa discografia, para mim, 'Heritage' é o álbum mais metal. Mas por diferentes motivos tentando soar como uma banda de metal mais genérico."

Sobre se agora ele tem mais respeito por bandas como o METALLICA, que querem mudar o estilo do som e tentar coisas diferentes, ao invés de cair na armadilha de fazer sempre o mesmo tipo de som o tempo todo:

Mikael: "Você não pode continuar o mesmo. Seria impossível para o METALLICA compor outro 'Master of Puppets'; Eu não acho que eles querem isso, também. O METALLICA é muito interessante para mim, porque eles moldaram toda uma nova forma de metal com os últimos cinco álbuns pelo menos. Eles continuam gravando... Quer dizer, eles fizeram o 'Load', fizeram o 'Reload', e esses discos foram odiados pra caralho. Não tenho certeza se eles foram odiados pela música ou se foram odiados pela da imagem deles, ou o que quer que tenha sido. Daí eles tentaram meio que voltar a tocar mais rápido com o 'St. Anger' e o 'Death Magnetic', mas eu acho que eles realmente não fizeram isso pelos fãs, na verdade; não faz sentido para mim, para ser honesto. Mas eles são mesmo interessantes. Quer dizer, estão maiores do que nunca; são abrangentes pra caralho. Se tem um festival e o METALLICA está na lista, você praticamente não precisa de nenhuma outra banda; poderiam simplesmente tirar todas as outras bandas da lista e continuaria com lotação esgotada, eles são abrangentes pra caralho. E se você fosse entrevistar todos os fãs, tenho certeza absoluta de que 90-95%, talvez até 100% deles diria que algum álbum gravado nos anos 80, talvez o 'black album', é o favorito e eles definitivamente não gostam do que tem sido gravado desde então. E isso foi há séculos, porra. Mesmo o METALLICA em si. Eu acho isso muito interessante, e tenho pensado muito nisso as vezes: Por que eles não tocam mais coisas novas ao vivo? Por que eles vão e tocam 'Master of Puppets' ou qualquer outro álbum que eles têm tocado? Por que eles não focam o material novo? Não têm orgulho das coisas novas que fizeram ou só querem tocar para agradar aos fãs? De qualquer forma, acho legal e isso não é da minha conta, qualquer escolha que eles façam, só acho interessante. Porque a forma que nós vemos isso, claro, nós somos só um peido no vento comparado ao METALLICA, mas quando lançamos um álbum novo, ele é o que mais gostamos, e o que queremos promover, e o que queremos tocar. Mas eu me lembro de ter visto eles depois do 'St. Anger' ter saído e eles tinham umas duas horas e meia de show, ou sei lá quanto tempo, e eles tocaram apenas uma música nova. E eu não entendi. Eu não gostei mesmo do 'St. Anger', e pessoalmente não queria ouvir mais do que uma ou duas músicas do novo álbum, mas eu achei muito interessante que eles não parecem ficar atrás do próprio material quando estão no palco, na turnê deste novo álbum. Eles estão tocando 'Master of Puppets' no lugar... É curioso que eles tenham seguidores pra caralho e são tão abrangentes, mas eles não têm lançado - e talvez eu esteja falando do meu próprio rabo aqui - parece que essa é a visão dos fãs, que eles não tem mesmo lançado nenhuma música nova há muito tempo e vêm usando esse recurso, isso de usar os cinco primeiros álbuns. E continuam; estão maiores que nunca."

Sobre o trabalho do METALLICA com Lou Reed, "Lulu":

Mikael: "Eu ouvi umas duas músicas. Achei ruim, para ser sincero. Eu sou meio fã do Lou Reed, gosto um pouco de Lou Reed, e, claro, sou um grande fã do METALLICA, mas esse trabalho, quando ouvi sobre ele... Mesmo se provassem que eu estava errado e fosse fantástico, na hora eu pensei, 'Oh, isso não dar certo.' Não consegui ver uma conexão, para ser honesto. Mas eles gravaram, era o que eles queriam, eu respeito e serei sempre um grande fã deles. Se um dia eu encontrar com eles, vou ficar meio 'wow, é como encontrar um Beatle,' entende?




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Sobre Alexandre Caetano

Alexandre Caetano, tem 31 anos, mais da metade dedicados ao Rock. Mora em São Paulo, é formado em ciências sociais, mas nas horas vagas arruma um tempinho para escrever e traduzir textos, para divulgar material de suas bandas favoritas!

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