Alice in Chains: um soco na cara da extrema-direita religiosa

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Por Ana Elisa Moya, Fonte: Miami New Times, Tradução
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Matéria de 28/04/13. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?


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No começo, Deus criou o céu e a Terra. Mas você sabia que foi o Diabo que enterrou "fósseis gigantes de lagartos de 67 milhões de anos" por toda a terra, só para fazer com que humanos ingênuos acreditem que nosso planeta não tem 6 mil anos e nosso Pai é uma fraude?

Sim, certos cristãos (e servidores públicos que foram eleitos) na verdade acreditam nessa insanidade. E querem ensinar isso às crianças nas escolas dos EUA. Sabe, como uma alternativa à ciência. E é parcialmente por isso, em protesto a crenças irracionais e atitudes intolerantes, que o ALICE IN CHAINS decidiu gravar um álbum intitulado "The Devil Put Dinosaurs Here" [o diabo colocou os dinossauros aqui].

Apenas o segundo lançamento desde 2002 após a morte de Layne Staley, o disco traz como mensagem principal, de acordo com o guitarrista Jerry Cantrell, "leia a p***a de um jornal". E se você questionar o atual vocalista William Duvall ele vai te afirmar o mesmo, embora um pouco mais academicamente com menos palavras do tipo p***a.

Crossfade: No filme "This is 40" [N.T.: No Brasil, "Bem-vindo aos 40"], o personagem de Paul Rudd ouve ALICE IN CHAINS [a música "Rooster"] e diz, "Isso é o que vai sobreviver em 100 anos". A afirmação procede? Ou é exagero?

Duvall: Bem, essa é uma avaliação muito generosa [risos]. E com certeza vamos aceitá-la.

Crossfade: Como você acha que o single "Hollow" corresponde às coisas clássicas como "Rooster"? Obviamente, é isso que os fãs sentem.

Duvall: Acho que isso é um exercício muito fútil, tentar comparar isso com aquilo, o passado com o presente. O barômetro final é só o que você mencionou - isso que os fãs sentem. E se nós não estivéssemos sentindo, não teríamos lançado. Só isso que importa. Nós gostamos, então a música é lançada. E esperamos que ela também atinja as pessoas, assim como aconteceu com "Rooster".

Quando você entrou na banda, ninguém - incluindo você, Jerry, Sean e Mike - achava muito certo que isso se tornaria um projeto de longa duração. Mas agora vocês estão com dois álbuns. Como todos chegaram à conclusão de que essa versão do ALICE IN CHAINS é pra valer?

Duvall: Como uma regra, nós não planejamos muito à frente. Todos nessa banda aprenderam que fazer planos normalmente não faz sentido. A vida nos ensina essa lição. [risos] Existem seus planos, e então existe a vida. E muito frequentemente, essas duas coisas não coincidem harmoniosamente. Então não aconteceu uma reunião onde sentamos numa mesa e dissemos "Ok, é agora". Obviamente, contudo, quando começamos a fazer turnês contínuas em 2006, surgiram muitos indicadores. Nós não iríamos falar muito sobre isso em público, mas depois de termos feito uns 30 países em um ano, isso ficou claro.

Mas mesmo quando gravamos o "Black Gives Way To Blue", todos começaram a perguntar, "E quando vai ser o próximo?" E respondíamos o de sempre, "Vamos ver". Porque fazemos as coisas no ritmo de álbum por álbum e turnê por turnê. Parece que assim funciona melhor.

O novo álbum vem com um título bem provocador: "O Diabo colocou os dinossauros aqui". O que exatamente o álbum tem a dizer sobre o Diabo e os lagartos gigantes?

Duvall: Bom... [risos] é na verdade uma crítica sobre intolerância. Um soco de leve, ou não tão de leve em um certo setor da sociedade que decidiu que seu peculiar tipo de convicção religiosa deve legislar todo nosso comportamento e até nossos direitos enquanto cidadãos.

Acho que nos últimos anos temos visto um ímpeto agressivo da minoria da bancada religiosa de extrema-direita nesse país, certamente desde a eleição do Presidente Obama. Algumas das coisas que vemos os políticos dizerem em rede nacional e na imprensa... você tenta ter um senso de humor, mas em certo ponto isso vira um "Nossa!".

É claro, o ALICE IN CHAINS nunca foi especificamente conhecido pelas críticas sociais. Mas pensamos: Se não for agora, então quando. [risos] Sim, a banda é normalmente conhecida por uma temática mais insular em seu conteúdo lírico. E "The Devil Put Dinosaurs Here" é só uma música, mas eu acho que a decisão de também torná-la título do álbum - e consequentemente colocar um diferente tipo de análise nessa mensagem - foi uma boa idéia. Vejo isso como um passo a mais para essa banda.

Tivemos um grande debate entre nós quatro sobre uma potencial retaliação. Mas temos pessoas sendo eleitas ao nosso governo que estão tentando tirar a Ciência das escolas. Então não temos que lidar só com o ataque aos direitos reprodutivos das mulheres e essa batalha sobre os homossexuais terem ou não os mesmos direitos legais, mas eles na verdade querem retroceder a evolução? Não resolvemos esse assunto há uns 100 anos atrás? É ridículo.

Então quando chegou nesse nível de bufonaria, tínhamos que dizer alguma coisa.

Como você diz, existe a guerra, turbulência e conflitos econômicos. Mas não existe muitas bandas fazendo música política ou agressivamente social. Você acha isso é uma omissão?

Duvall: Para a maioria, a música deveria ser sobre a expressão dos sentimentos de alguém sobre todos os aspectos da condição humana. Para alguns artistas, isso vai significar um monte de crítica social. Mas para outros, isso vai significar muito menos. Quero dizer, o ALICE IN CHAINS não é pra se tornar uma banda de protesto. [risos] Não estamos tentando partir de onde o RAGE AGAINST THE MACHINE parou.

Com esse álbum, é mais uma coisa sutil, uma ironia, uma coisa moderadamente séria. A letra dessa música é "Nenhum problema com a fé, só medo" [No problem with faith, just fear]. Então, novamente, se trata de intolerância. Não vamos perseguir ninguém por ter uma crença ou se são cristãos, muçulmanos, hindus. Está tudo certo - até que isso comece a infringir nossos direitos e tente controlar o ramo legislativo. [risos] Aí isso é um problema.

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Sobre Ana Elisa Moya

Paulistana, aos 13 anos descobriu no Rock and Roll a verdadeira redenção. Grande admiradora de bandas setentistas, tem predileção também pelas noventistas e seu foco é justamente uma destas, o Alice in Chains.

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