Paulo Schroeber: entrevista ao blog Imprensa do Rock
Por Victor Francisco dos Santos
Fonte: Imprensa do Rock
Postado em 21 de julho de 2013
Em entrevista ao blog Imprensa do Rock pela coluna "PAPO DE GUITARRISTA COM CAUÊ LEITÃO (Guitarrista do Andragonia)". Paulo Schroeber que foi guitarrista do ALMAH, falou um pouco sobre sua história de vida, o incentivo da família ao escolher a música, técnicas de guitarras e o seu atual estado de saúde.
Confira um trecho e link logo ao final.

Cauê Leitão - Qual é a sua formação como guitarrista? Você teve professores? Fez conservatório de música? Sua rotina de estudos pelo jeito era de 10 a 15 horas por dia, estou certo?
Paulo Schroeber - Minha formação é clássica, e fui direto contra toda minha família, que queria que eu fosse alguma outra coisa, mas a vocação foi minha maior força e no fim eles entenderam. Hoje em dia entendo o ponto de vista deles, pois como estou doente e sem INSS tive que dar aula passando mal pra caralho para pagar as contas, ainda por cima depois que fui descobrir que tomei um medicamento no hospital direto na veia que eu era alérgico, e cheguei psicologicamente e fisicamente totalmente alterado em casa.

Até hoje eles não entendem muito bem o tipo de música que eu faço, minha mãe até gosta um pouco de Almah, pelo fato de ser um pouco mais melódico. Tive três professores. O primeiro me ensinou o básico, ler partitura, os acordes, etc. Com o segundo eu comecei a estudar violão clássico junto com a guitarra, e aprendi muita coisa, inclusive a disciplina que envolve todo o processo de aprendizado. Lembro que tocava peças de Villa lobos, Sagreras, Bach, Sor, até hoje dou uma pegada no violão para matar a saudade pois gosto demais do som do instrumento. Infelizmente fui fraco e não consegui levar os dois instrumentos ao mesmo tempo, pois o clássico exige disciplina extrema, tem que tocar todo o dia, além de o velho problema das unhas, pois não consigo fazer os tappings na guitarra com as unhas compridas, então sempre fico nesse dilema de cortar as unhas ou não. E o terceiro foi o mestre Julio Herrlein, para mim é um gênio da guitarra, foi aonde comecei a aprender a pensar de outras formas e mudar meu fraseado.
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Quando comecei a estudar violão, estudava umas 12 a 15 horas por dia, pois eram dois instrumentos, lembro que quando ia almoçar deixava já a guitarra do meu lado para que quando acabasse de comer já saísse tocando.
Teve um feriado que eu passei três dias inteiros tocando sem dormir, e foi muito engraçado pois minha irmã pensou que eu estava ficando louco... Talvez estivesse mesmo... pois tinha que provar para meus pais que eu era capaz de vencer na música.

Cauê Leitão - Na visão de Paulo Schroeber, qual seria a solução para o Metal no Brasil?
Paulo Schroeber - Olha, sendo bem sincero, existem guitarristas no Brasil que tocam muito melhor que guitarristas internacionais. Meu próprio professor, que é no mínimo um gênio, tem poucos views em seus vídeos no YouTube, e é um exemplo.
É questão de valorização ao que temos aqui, mas não um lance forçado... Tipo, tenho que apoiar o Metal Nacional, vai se curte, compra a camiseta se gosta, na Europa é a mesma coisa, quando uma banda nacional diz que vai fazer uma turnê na Europa toca para 10, 50 pessoas no máximo, pois ninguém conhece a banda.

Porém se o dono do bar põe mais duas ou três bandas da região tocando junto, já leva mais gente e 100 pessoas tomando cerveja em uma terça feira já é lucro para o proprietário.
Digo isso pois conheço pessoas que foram para a Europa ano passado e disseram que estava muito fraco, sendo a terceira ou quarta vez que foram e me disseram que o cenário lá funciona assim para bandas menores.
Se investe muito dinheiro em gravação de CD's, gravação de vídeo clipes, mas infelizmente o retorno desse investimento é quase zero se for pensar em uma banda de pequeno médio porte, então o negócio é fazer porque gosta mesmo, ou para um guitarrista existe o retorno de algumas pessoas que se interessam em fazer aulas com o indivíduo.

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