Gaijin Sentai: OST descrito faixa por faixa

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Por Rick Avenger
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Gaijin Sentai: OST. Independente/ Nacional. 2013

RED DANI: VOCALS
NORDAN MANZ: VOCALS AND EWI
JEFFERSON AMORIM: KEYBOARDS
KLEBER AMORIM: DRUMS
ALEXANDRE MANZ: BASS AND VOCALS
ARILSON POLI: GUITARS

Saudações galera! É sempre bom falar de música, principalmente, quando se trata de música de qualidade. A banda Gaijin Sentai é o ícone mais expressivo, quando se fala em J- Music, no Brasil. Seu álbum de estreia, OST, é uma obra de arte completa, pioneiro, no estilo, em terras Tupiniquins. O álbum já chama atenção no conceito e arte do encarte, que apresenta personagens e cenários inspirados em cinegrafia trash vintage japonesa e ocidental, remetendo ao próprio sentido do nome da banda (Gaijin = estrangeiro; Sentai = Super esquadrão de heróis estilo Live Action, típicos do Japão).

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A produção ficou a cargo do produtor Julio Cesar Porto Messias, gravado em diversos estúdios e mixado e masterizado no Norcal Studios, resultando em um projeto fonográfico bem sucedido. Um fato interessante é que esse CD foi produzido por contemplação de um programa de incentivo cultural da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Acompanhe os comentários do CD, faixa por faixa:

The First: A faixa de abertura do CD começa com efeitos sonoros que remetem a cenas de suspense e si-fi, em seguida, é embalada por melodias de sintetizador e riffs de guitarra empolgantes. A música segue um andamento modesto até o fim, talvez, para preparar o terreno para a faixa seguinte.

Okami No Youni: A segunda faixa do álbum já promete ser mais paulada. Como na música anterior, as melodias de sintetizador também se fazem presentes na introdução. Aqui, a banda faz uma fusão, muito bem sucedida, de metal com trechos de música latina, mas o destaque vai para o refrão, onde a frase "Susume Carry On/ Susume Warrior" entra na mente como um brainworm. O solo de guitarra indica uma possível influência de Blind Guardian.

Hachi No Densetsu: Mais uma vez, teclado e sintetizador introduzem a música, em um clima denso que, em seguida, dá lugar a uma pegada hard rock a la Scorpions. Nessa canção, a voz de Nordan sai de cena e dá vez para que a delicada voz de Dani protagonize a canção. O refrão é bem marcante e ressalta a pegada hard rock predominante na música.

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K: Existem teorias conspiratórias que afirmam que o vocalista, Nordan, escreveu essa música em homenagem ao baterista, Kleber Amorim, porém, tais especulações ainda não puderam ser comprovadas. Esta seja, talvez, a música mais direta do álbum. Na parte instrumental, a guitarra toma a frente com riffs marcantes e harmonias que acompanham a linha vocal.

Jaguatimem vs Sunrider: Essa canção é homônima do EP que precede esse álbum e conta com a participação, mais do que especial, do vocalista Eizo Sakamoto, líder da consagrada banda japonesa Animetal. Até aqui, esta faixa se mostra a mais pesada e complexa, estruturalmente. Exige mais do que uma ou duas audições para ser assimilada pelo ouvinte, afinal, misturar heavy metal, baião, taiko e enka (esses dois últimos, ritmos tradicionais do Japão) é uma tarefa trabalhosa. Produzir essa música deve ter sido igualmente trabalhoso, pois foi gravada em oito estúdios diferentes, mas o resultado não deixou a desejar. O experimentalismo dessa canção comprova a maturidade e bagagem musical dos músicos.

Mega: Não falo ou entendo japonês, mas a sonoridade dessa canção e a arte do encarte, presente junto à letra da mesma, me levam a crer que a música tem como tema algo relacionado a mechas (os robôs gigantes controlados por humanos), outra marca registrada dos seriados tokusatsu (heróis biocibernéticos individuais, estilo live- action) e sentai (esquadrões de heróis biocibernéticos). Música empolgante e de refrão marcante, mas não tanto quanto Okami No Youni.

Horses And Gears: Aqui temos a música de trabalho dessa obra fonográfica. No canal oficial da banda, no Youtube, encontra-se disponível o vídeo - clipe da faixa, que tem como locações paisagens da França e Portugal. Trata-se de uma canção folk, cantada, predominantemente, pela vocalista Dani, que agradaria, de longe, fãs de Blackmore's Night. Horses And Gears fala de amizade, união e de superação de obstáculos. O clip da música retrata, justamente, os membros da banda em momentos descontraídos. Tanto, que a o vídeo aparenta não ter tido um direcionamento artístico comercial. É mais parecido com um making of e cenas de bastidores. A canção é muito boa e tem uma aceitação excelente, o que pode ser evidenciado nos shows, com o retorno do público.

Metaru Hirô: Novamente, Eizo Sakamoto cede sua voz para mais uma canção pesada, mas não tão experimental quanto à faixa da participação anterior, mas com progressões rítmicas e melodias igualmente ricas. O título se refere à forma "niponizada" do termo Metal Hero (termo utilizado para representar uma franquia de heróis tokusatsu).

Rider: Com certeza o tema dessa faixa presta tributo à famosa franquia tokusatsu Kamen Rider. Fica evidente, no refrão, ao ouvirmos os termos "Henshin!" (utilizado pelos protagonistas no momento da transmutação. Pode ser traduzido como transformação ou metamorfose) e "Wake Up!" (tema de abertura de Kamen Rider Black RX). Os riffs e solos da música trazem, novamente, a influência de Blind Guardian. Nesse ponto do CD percebemos que o track list embalou, pra valer, na pegada das músicas mais rápidas e pesadas.

Defender: Com uma roupagem um pouco diferente em alguns trechos, a música de trabalho do EP "Jaguatimem vs Sunrider" mostra toda sua energia. Talvez a versão em português do EP pudesse vir ao álbum como uma faixa bônus, pois sua letra marcante contagia o público e persuade a uma aceitação maior por parte daqueles que ainda não são afeiçoados ao J- Music. Na versão do álbum, a música perdeu peso, mas ganhou dinâmica, tornando mais evidente as partes de piano e o tempero latino, mas está longe de ser uma música suave.

Tengu: Chega o ponto em que o álbum fica com cara de despedida. Tengu é uma canção de voz, piano e shamisen (instrumento típico oriental). Nordan e Dani dividem as vozes para dar vida a essa bela canção que progride entre o erudito e o enka. O título, a atmosfera da música e a arte que acompanha a letra no encarte sugerem um tema que trata de cultura ancestral. É a música mais calma do CD.

Heiwa No Kyojin: Mais uma música para fãs de robôs gigantes. Os efeitos sonoros remetem com perfeição à arte do encarte. É possível, até, imaginar uma cena de filme. A última canção do "OST" segue uma dinâmica parecida com a das primeiras músicas do CD. Moderada em andamento, enérgica, melódica. Talvez, para despertar a vontade de voltar a ouvir o álbum do inicio.

Ouvir um álbum, como esse, transmite sinceridade, compromisso e uma base consolidada. Exige algumas audições para ser completamente digerido. Percebe-se que houve liberdade para compor abertamente. Houve a preocupação de conectar as ideias musicais com a identidade visual. OST é o retrato da banda Gaijin Sentai: união entre o lúdico, a maturidade musical e o bom senso; Não é exagerado nem enxuto; Mostra um direcionamento comercial que não excede o artístico. Gostaria de ver um ponto negativo para criticar, mas a banda não deixou nós sem ponto.

Rick Avenger




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