Mötley Crüe & Ratt: a parceria forjada a orgias, vômito e cocaína

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
Enviar correções  |  Ver Acessos

Segue abaixo, para apreciação geral, um trecho traduzido da autobiografia do vocalista do RATT, STEPHEN PEARCY, intitulada "Sex, Drugs, Ratt & Roll - My Life In Rock", ainda sem previsão de lançamento no Brasil e que foi cunhada por ele em parceria com Sam Benjamin. Nele, Pearcy relata como foi a aproximação de sua banda com outro ícone do hard rock da mesma época e local: o MÖTLEY CRÜE.

Mötley Crüe: Nikki Sixx xinga vocal do Steel Panther após piada com Vince NeilPhil Anselmo: mandou um "White Power" mas nega ser racista

[...]

O Ratt botou pra fuder no Troubador [casa de shows de Los Angeles] várias vezes seguidas, e uma celeuma em torno de nós se formou rapidamente. Certa noite, os donos da cidade vieram nos conferir: o Mötley, Tommy Lee, Vince Neil, Mick Mars e Nikki Sixx tinham sido famosos na [Sunset] Strip desde o começo. Eles eram quatro caras carismáticos pra caralho que usavam saltos enormes e couro e calças apertadas quando eles tocavam seu show ofensivamente caricato e grandioso. Eles tinham uma reputação consolidada por bebedeiras e comportamento vulgar, e a pegada deles era toda baseada no entendimento implícito de que eles te esmurrariam na cara tão logo te encarassem. Eu respeitava o visual deles e curtia o som deles, mas estava preparado para lutar contra eles.

"Cara", Nikki disse simpaticamente após o show, "Vocês são bons pra caralho". Eu esperava que eles fossem cuzões competitivos, mas ao invés disso, todos os membros da banda foram legais. Longe de eles quererem nos excluir ou nos humilhar, eles só queriam ser nossos amigos. Tommy e Nikki e Vince moravam logo ali na mesma rua do Whisky [A Go Go], em um apartamento vagabundo que era cheio de lixo, parasitas, caixas de pizza usadas, poças de vômito meio seco, jaquetas de couro rasgadas, calças de lycra jogadas fora, óculos de sol quebrados, cinzeiros virados, e manchas marrons irregulares na parede que poderiam ser, em igualdade, serem do sangue do lábio aberto de alguém, Jack Daniel's de uma garrafa arremessada, ou vestígios de merda de cachorro.

Rolava de tudo na casa Mötley - apesar de que a pingaiada, a gritaria, as brigas, cheiração de pó e metelança resumem bem tudo isso.

"Tá na hora da treta, baby", Robbin [Crosby] chamou depois de um show, olhando alegre para uma baita taturana de cocaína que tinha aparecido magicamente da bolsa de uma mina. "Stephen, vem cá e toma seu remédio".

"Nah, não, obrigado. Não to na fita."

"Cara, fica à vontade", Robbin riu, voltando sua atenção para o espelho que eles haviam arrancado de uma parede.

"Tudo bem. Eu me recuso a te forçar".

A casa Mötley te afundava como areia movediça. Quando eles davam uma festa, as mulheres simplesmente infestavam o lugar, se esgueirando incansavelmente como cupins e baratas, se acotovelando na porta com 12 latas de cerveja presas por anéis de plástico. Promessas da cena do rock entravam pelas janelas e iam pro banheiro, onde eles abaixavam as calças, injetavam drogas na veia mais acessível, e desmaiavam na privada. Por mais de uma vez, quando eu estava na casa deles, eu mal pisquei meus olhos por duas vezes e retomava os sentidos três dias depois, estatelado de cara no carpete do chão da sala de estar.



"Puta merda, o que caralho aconteceu?"

Eu grunhi, voltando de um coma de farra particularmente ruim.

"Huh?" Minha cabeça estava pronta para explodir. Cada palavra dita parecia uma bomba atômica sendo detonada. Eu massageei meus genitais de leve: eles estavam inchados e em carne viva. "Pra onde que... ela foi?"

"Ah, ela foi embora, cara! Logo que você começou a vomitar em jatos." Ele cheirou minha gola, e do jeito amistoso dele, "É, você tá com um cheiro ridículo, irmão!"

Mick, apesar de ser um cara muito meigo, era mais na dele, e Vince meio que vivia no seu próprio universo. Robbin e eu éramos mais próximos de Tommy e Nikki, e começamos a pirar com eles direto. Robbin, com seu talento particular para dar apelidos, logo começou a chamar Nikki de Líder, apropriado para o homem que criara a mística do Mötley.

"Eu sou a porra do Líder Sixx!" ele berrava, assustando duas pré-adolescentes roqueiras que andavam pela rua, com seu cabelo cuidadosamente arrumado. Elas se encolheram, aterrorizadas. "Façam o que eu mando!"

Tommy agora era o Duque. Vince era o Diretor de Protocolo. "Ele é o Líder, mas eu sou o Duque, hein?" Tommy dizia. "Ninguém respeita o baterista. Sempre a mesma coisa."

Eu me tornei o Líder da Patrulha Ratt, ou eles me chamavam de Felix.

"Felix?" eu disse. Eu tomei um gole da minha lata de cerveja enquanto andávamos pela Strip lotada, lado a lado, mexendo com todas as mulheres, empurrando panfletos no peito das pessoas com uma dedicação incansável e uma panca irritante.

"Cara, por quê?"

"Não reclama", disse Robbin. Ele parou para olhar para uma mina linda de minissaia vermelha. "Viva com isso."

Nikki acabou dando a Robbin o apelido "King". E era tão perfeito. Virou o nome dele pro resto da vida. Ninguém mais chamou ele de Robbin depois daquilo - era sempre 'King'.

"Somos como uma porra duma gangue!" Robbin gritou. "Somos os Gladiadores!"

"É mesmo, porra!" eu gritei, entrando no espírito da coisa e tacando minha pilha de panfletos pro ar. Eles caíram a nosso redor, uma nevasca na rua suja de Hollywood.

"É isso aí, King", concordou Nikki. "Se você tá dizendo, nós somos os Gladiadores." [...]




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Denuncie os que quebram estas regras e ajude a manter este espaço limpo.


Todas as matérias da seção NotíciasTodas as matérias sobre "Motley Crue"Todas as matérias sobre "Ratt"


Mötley Crüe: Nikki Sixx xinga vocal do Steel Panther após piada com Vince NeilMötley Crüe
Nikki Sixx xinga vocal do Steel Panther após piada com Vince Neil

Motley Crue: uma banda mais redonda, pesada e com uma baita consistência no álbum de 1994

Steel Panther: se pudesse ressuscitar um músico, seria Vince Neil, diz Michael StarrSteel Panther
"se pudesse ressuscitar um músico, seria Vince Neil", diz Michael Starr

Mötley Crüe: veja clipe de "Same Ol' Situation (S.O.S.)" com cenas de "The Dirt"Mötley Crüe: Vince Neil toca clássicos da banda em show nos EUA; assista

Mötley Crüe: The Dirt salvou amizade entre membros da banda, afirma Nikki SixxMötley Crüe
The Dirt salvou amizade entre membros da banda, afirma Nikki Sixx

Mötley Crüe: Tommy Lee posta vídeo com pênis como filtro em seu InstagramMötley Crüe
Tommy Lee posta vídeo com pênis como filtro em seu Instagram

Mötley Crüe: Vince Neil toca clássicos da banda em show nos EUA; vejaRodz Online: Os dois dias de Rock N' Roll do Moscow Music Peace Festival (vídeo)Mötley Crüe: edição de 30 anos de Dr. Feelgood será lançada

Mötley Crüe: Tommy Lee tira uma com a cara de Donald TrumpMötley Crüe
Tommy Lee tira uma com a cara de Donald Trump

Mötley Crüe: Jake E. Lee diz que o chamaram para substituir Mick MarsMötley Crüe
Jake E. Lee diz que o chamaram para substituir Mick Mars

Motley Crue: David Ellefson esteve presente em overdose de Nikki SixxMotley Crue
David Ellefson esteve presente em overdose de Nikki Sixx

Power Ballads: As 10 piores já escritasPower Ballads
As 10 piores já escritas


Phil Anselmo: mandou um White Power mas nega ser racistaPhil Anselmo
Mandou um "White Power" mas nega ser racista

Fotos de Infância: Kurt Cobain, do NirvanaFotos de Infância
Kurt Cobain, do Nirvana

Mötley Crüe: a ousada tattoo de modelo paulista em tributo à bandaMötley Crüe
A ousada tattoo de modelo paulista em tributo à banda

Megadeth: Mustaine abre o jogo sobre convite a Pepeu GomesMegadeth
Mustaine abre o jogo sobre convite a Pepeu Gomes

Débil Metal: quando os fãs assustam os ídolosDébil Metal
Quando os fãs assustam os ídolos

Iron Maiden: Ed Force One atrapalhando o trânsito de Fort LauderdaleIron Maiden
Ed Force One atrapalhando o trânsito de Fort Lauderdale

Iron Maiden: Nicko usa bateria microfonada e odeia triggerIron Maiden
Nicko usa bateria microfonada e odeia trigger


Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

Mais matérias de Nacho Belgrande no Whiplash.Net.

adGoo336|adClio336