Nazareth: "Eu não conseguia respirar" diz Dan McCafferty

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Por Marcio Millani, Fonte: Brave Words & Bloody Knuckles, Tradução
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By Martin Popoff

Há um quê de melancolia associada à surpresa que é Rock 'n' Roll Telephone, o novo álbum do NAZARETH. Afinal, pode-se pensar que DAN MacCAFFERTY estava acabado face a sua aposentadoria por problemas de saúde. Isso foi anunciado há um tempo atrás, mas aqui está, a lenda escocesa esgoelando em uma afiada coleção de hard rock audaciosamente gravada com coragem, fogo e faísca.

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"Bem, não houve problema algum," diz McCAFFERTY sobre a gravação de seu último (?) disco com a banda. "Com efeito, eu tenho DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) há alguns anos. Até o ano passado eu podia lidar com a doença, podia fazer os shows e tudo o mais. Aí o que aconteceu foi que gravamos o disco e eu estava meio que com dificuldades. Eu fui e fiz o que foi necessário, depois fui para os Estados Unidos e acabei parando no hospital em função de uma úlcera, que é algo completamente diferente. Pareceu que eu estava desmoronando. Aí, pelo fato de eu ter perdido muito sangue, obviamente não me encontrava muito bem. Consegui fazer quatro gigs no Canadá e aí tive que parar. Não me encontrava em condições de cantar. Depois disso fomos para casa terminar o álbum. Demos um tempo e fomos tocar na Suíça, e eu simplesmente não podia respirar após a terceira música. Foi quando decidi que era hora de parar. Com tristeza, devo dizer. Bem, estou nesse negócio há 45 anos (risos), mas... ei, o disco é que é o negócio."

Não gostaria de conversar sobre aposentadoria, DAN. Sempre suspeitei que ele fosse daquela raça de cachorro da estrada que não poderia sequer pensar na vida de outra maneira. Isso foi confirmado aqui, mesmo eu tentando dizer... puxa, os discos afinal não são mais importantes do que os shows? Quero dizer, você ainda pode fazê-los...

Bem, Martin, no momento estou trabalhando no Rock 'n' Roll Telephone. Estou dando muitas entrevistas, conversando com pessoas como você, no mundo todo. Depois, quando o disco for lançado, irei e...há algumas ofertas como gravações e tudo. Mas procuro não pensar sobre isso. Vou terminar isso, amarrar um laço em tudo e dizer, bye bye baby (choramingando). É verdade. Só então irei pensar no que fazer em seguida."

"Algo a ver com minha juventude desregrada, imagino eu," reflete DAN, quando questionado sobre a que ele atribui o fato de tanto desgaste. "E também pelo fato de eu nunca ter evitado o cigarro. Mas parei de fumar há alguns anos. Tive minha participação em muitas coisas. Mas é que meu pai morreu de enfisema. Então ouvi as teorias de alguns médicos com os quais conversei, e poderia ser um gene. Tive uma amiga na vila onde morava, que tinha DPOC, e quando ela soube nunca mais colocou nada fumável na boca. Então ninguém sabe. Você só pode jogar com as cartas que você possui, cara."

Eu vou sentir falta da estrada realmente," reflete DAN. "Oh, Deus, obviamente, faço isto por cerca de 50 anos, e é claro que gosto de cantar. O estúdio sempre foi algo tremendo, pois se alguma coisa não funciona, fazemos isto, tentamos aquilo. Nós nunca fomos uma banda que tivesse uma fórmula, realmente. Mas adoro a estrada, pois encontramos pessoas novas, e elas não se importam se você viajou por 300 ou 400 milhas naquela noite para tocar para elas. Elas somente dizem, 'Ei cara, eu paguei 20 pratas' (risos) e eu gosto dessas coisas. É muito agradável e é pessoal. Quero dizer, você vê o rosto das pessoas, e elas estão sorrindo pra você, ou então, 'Vocês são uma droga' (risos). Em geral estão sorrindo pra você. E claro, sentirei falta de tudo isso. Muito. Do que mais tenho orgulho? De ter gravado 24 álbuns, eu acho. E de ter tocado em todo lugar neste mundo que possui uma tomada. Verdade, gostei de tudo isso mesmo; acho que foi genial. E é engraçado o fato que desde que adoeci, muitas pessoas chegam até mim, de outras bandas, e dizem, 'Oh, vamos, DAN, melhore', e blá blá, blá. Então ao menos você sabe que teve... bem, você fez algumas ondulações na piscina, entende o que quero dizer?"


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Sobre Marcio Millani

Nasceu e sempre morou em São Paulo. É formado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Língua Portuguesa, mas não atua em nenhuma das duas áreas. É baixista, mas também curte brincar com guitarra e bandolim. Participou das bandas paulistanas Centúrias e Mixto Quente, ambas com discos lançados pelo selo Baratos Afins na década de 80. Participou também de inúmeras bandas cover de Blues, Classic Rock e Fusion. Além destes estilos gosta de Progressivo, Jazz, Bluegrass e música clássica.

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