Tanzânia: a hipócrita relação do país com Freddie Mercury
Por Fernando Portelada
Fonte: Ultimate Classic Rock
Postado em 08 de agosto de 2014
As pessoas estão sempre tentando monetizar qualquer conexão que um lugar ou objeto possa ter com uma celebridade, não importa o quão obtusa. Então o fato de que Zanzibar construiu uma indústria turística como seu status de lugar de nascimento de Freddie Mercury é dificilmente surpreendente. Como a Vice aponta, porém, isso é mais do que um pouco hipócrita.
Uma parte semiautônoma da Tanzânia, as ilhas de Zanzibar estão sujeitas à muitas das leis e tendências culturais do resto da região, incluindo duras penas para quem seja descoberto participando de atos homossexuais. Como a repórter do Vice, Eleanor Ross, aponta em sua matéria, a homossexualidade de Mercury – e qualquer estilo de vida mais extravagante – é completamente oposto aos limites culturais que o governo do Zanzibar procura impor. Claro que isso não impediu os residentes de ativamente colher benefícios econômicos desta associação.
"Eu gosto muito de Freddie Mercury. Ele traz muito dinheiro à Ilha, porque muitos americanos e britânicos chegam para visitar seu lugar de nascimento", contou um funcionário de uma companhia de viagens à Ross. "Isso é bom, porque significa que posso comprar a televisão que meus filhos tanto querem, mas em minha religião é ruim ser um homem que está com um homem. As novas leis de Uganda estão certas. As pessoas devem ser punidas porque estão fazendo atos que não são divinos."
Como aponta o artigo, Mercury só viveu em Zanzibar até 1964, quando o futuro frontman do QUEEN – ainda adolescente – mudou-se para a Inglaterra com sua família e jamais retornou. Passeios dedicados ao seu tempo no local ainda são populares, porém, e continuam a trazer um crescente número de visitantes. Muitos deles não ligam para os costumes locais, possivelmente fermentando um choque cultural entre a tradição do país e os valores Ocidentais.
"Por mais que eu ame os turistas chegando, eu não me preocupo com o estilo de vida daqui", adicionou outro guia. "Nós vamos nos tornar o Ocidente? Quem sabe."
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