Marky: último Ramone vivo fala em maldição na banda
Por Luiz Pimentel
Fonte: Blog do Luiz Pimentel
Postado em 21 de novembro de 2014
Marky Ramone é o oposto do que se pode imaginar de um punk rocker. Bem, ao menos é assim que ele se descreve, ao relatar sua rotina saudável e tranquila: nada de drogas, nada de álcool, nada de cigarro. Não que os cuidados com a saúde sejam recentes – o álcool, por exemplo, sumiu da dieta já há 30 anos. No entanto, houve, sim, um componente de alerta nas últimas décadas, e que acabou ajudando Mr. Ramone a andar na linha.
Marky é o último sobrevivente (entre os mais importantes) da banda considerada a fundadora do gênero no mundo. De 2001 para cá, morreram Joey Ramone (2001), Dee Dee Ramone (2002), Johnny (2004) e Tommy Ramone (2014). Este último, Marky substituiu no começo da banda ainda. Dos quatro antigos integrantes, três morreram de câncer.
"Comecei a achar que era uma maldição", revela Mr. Ramone, que garante não ter cuidados específicos para evitar o doença, nem tampouco receio de que ela venha para ele também. "Ele (o câncer) já levou três Ramones, e acho que este número já é suficiente. Fora que o câncer pode chegar para qualquer um, mesmo para quem é saudável. De qualquer maneira, eu não tenho medo dele", assegura ele, por telefone, de um hotel no Rio de Janeiro.
Ainda fora do estereótipo do roqueiro vida louca, ele esclarece que é um homem que tem não fãs, e, sim, amigos a quem gosta de agradar com mimos que vão muito além do repertório dos sonhos de qualquer devoto de uma banda.
"Gosto de encontrá-los, sentar com eles no lobby do hotel, sair com eles. Faço isso onde quer que eu vá. Sempre procuro ficar disponível para eles. Não entendo por que outros artistas não fazem isso com seus fãs", comenta. "Acho mais realista quando as coisas são dessa forma. Na prática, funciona assim: depois dos shows, como estou sempre todo suado, sujo, tenho que sair do lugar onde toquei, voltar até o hotel, tomar um banho e me vestir. Daí, logo em seguida, desço para encontrar meus amigos e vamos nos divertir."
Mr. Ramone revela ter boas memórias de quando veio ao país tocar com os Ramones. Segundo ele, foram ótimos momentos envolvendo passeios de vans acenando para a multidão, e autógrafos em todos os lugares pelos quais passavam.
Com seu famoso e muito calmo vozeirão, Marky conta também que trouxe na mala alguns exemplares do molho de pimenta que faz e comercializa em Nova York, onde mora. Lá, o dinheiro arrecadado com as vendas vai para programas de caridade, como, por exemplo, um sistema de assistência a músicos sem recursos para comprar instrumentos. A mesma coisa acontece também com sua marca de molhos para macarrão e de cervejas artesanais.
Sim, ele fabrica álcool, mas não o bebe. Apesar de ter entrado na bebida muito cedo, Marky leva a abstemia a sério. Cigarros, por exemplo, nunca botou na boca. Culpa de uma ex-namoradinha de quando tinha 14 anos. "Quando a beijei, consegui sentir o gosto do cigarro na boca dela, e aquilo me desanimou completamente. Eu não queria ser aquele cara para ninguém, então decidi que nunca fumaria."
Da sua rotina tranquila em NY, fazem parte também a apresentação de um programa no rádio, as voltas de bicicleta, e o hábito de customizar e consertar carros antigos. De vez em quando, Mr. Ramone se arrisca na cozinha, e nestas ocasiões dá sempre preferência aos pratos "que encham a barriga".
Quando perguntado sobre o que acha da feijoada brasileira – receita que, sem dúvida alguma se encaixa na categoria dos enche-barriga -, Marky diz, quase desapontado, que nunca teve a chance de experimentar a comida em suas visitas ao Brasil. Mas, considerando que sua lista de fãs-amigos brasileiros é imensa, ele com certeza poderá descolar alguém que o leve para provar a iguaria.
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