"Os EUA vitimizam a Max e nos vilificam", diz Andreas Kisser, do Sepultura
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 19 de julho de 2015
O jornalista JIMMY CABS conduziu recentemente uma entrevista com o guitarrista ANDREAS KISSER do SEPULTURA. A conversa pode ser assistida mais abaixo.
Perguntado sobre como explicaria o fato de que o Sepultura ainda não recebe o reconhecimento que merece do público dos EUA como o tem em outras partes do mundo, Kisser disse: "Desde que Max saiu da banda [em 1996], o Sepultura tem sido atacado, no sentido que foi apresentado à imprensa, e a Roadrunner, nossa gravadora à época, de fato ajudou a criar essa imagem – que Max era a vítima, e que o Sepultura de algum modo o botou para fora por que razões e tal. Mas nós apenas demitimos nossa empresária. E ele era casado com nossa empresária, então ele saiu da banda. Nós não o demitimos. E eles começaram a criar essa imagem de que éramos os caras maus, e os EUA meio que compraram essa – a maioria dos EUA, eu devo dizer. Eu não posso mesmo generalizar, porque temos grandes fãs aqui também que conseguem de fato sentir e ver a evolução dos temas dosa quais temos tratado e nossa experiência musical, não somente no Brasil, mas em rumos diferentes, não tentando copiar a nós mesmos, e realmente mantêm o espírito do Sepultura vivo, que está nos mantendo juntos.
"Mesmo com os Cavaleras na banda, nós nunca fizemos o mesmo disco; nós sempre tentamos fazer algo diferente. Mesmo ‘Chaos A.D.’, que é um dos discos mais especiais de nossa carreira, nós seguimos com ‘Roots’, que é totalmente diferente dele. Geralmente uma banda acha uma fórmula e tenta repeti-la, mas nós nunca fizemos isso. E Max tentava repeti-la, ‘Roots’ e tal, e falando com a imprensa, e isso e aquilo. E não somente na mídia, mas nos bastidores, no lance dos negócios, e fazendo campanhas contra nós. E, no fim das contas, não perdemos somente o vocalista – perdemos nosso empresariamento, perdemos a confiança da gravadora, perdemos a confiança de produtores de shows e agentes e tal. Mas eu acho que os EUA são um lugar difícil de se fazer turnês também, sabe, tocando metal, então éramos muito maiores na Europa e na América do Sul e lugares diferentes, sabe, e isso ajudou a criar uma distância do público e dos fãs dos EUA. "
Ele acrescentou: "Mas, sabe, é um desafio… os EUA eram um desafio, e sempre foram um desafio para o Sepultura. Nós nunca fizemos uma turnê como banda principal aqui do mesmo modo que fizemos na Europa, por exemplo – tocando em lugares abertos grandes. Abrimos pro Ozzy aqui, abrimos pro Pantera, abrimos pro Ministro, tocamos no Ozzfest, e grandes shows assim, mas nunca uma turnê do Sepultura. Então quando estávamos prontos para aquela turnê de ‘Roots’ – em 1997, estávamos prontos para vir para os EUA e de fato estabelecer o Sepultura como uma banda grande – mas Max saiu no pior momento. Então as consequências foram realmente duras para nós. Mas hoje em dia analisando, eu tenho que agradecer por tudo que aconteceu conosco. Porque somos uma banda muito melhor agora. Nós controlamos nossas vidas muito mais, nossos negócios. Estamos mais velhos, temos família, filhos… somos mais experientes para lidar com coisas diferentes, e nos divertimos. Eu acho que isso é o mais importante. E que pena para as pessoas que não seguem mais ao Sepultura. É problema delas, na verdade.
"Não estou aqui para convencer ou pregar para ninguém. Eu apenas me expresso através de guitarras e letras, etc. E temos conexões com diferentes culturas, públicos diferentes, países diferentes… 73 países que o Sepultura visitou nesses trinta anos. É uma marca incrível – uma marca incrível. É insano ver que, a despeito de política e religião, vamos a todo lugar e a música realmente abre as portas.
"É um privilégio ser parte do Sepultura, e apenas precisamos trabalhar mais nos EUA. "
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dimmu Borgir confirmado no Liberation Festival em São Paulo
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Rush volta aos palcos e inicia a turnê "Fifty Something"; confira setlist
Os melhores discos de 15 gigantes do thrash metal, segundo o Loudwire
Fabio Lione homenageia Andre Matos e alfineta: "ninho de cobra que conhecemos bem"
O álbum inesperado de estreia que virou o disco de rock mais vendido dos anos 90
A frase desesperada de Dave Grohl para tentar evitar a morte de Kurt Cobain
Veja a performance completa de Anika Nilles no primeiro show com o Rush
A música mais importante que Roger Waters escreveu para "Dark Side of the Moon"
Por que Paulo Ricardo se arrependeu da única intervenção estética que fez na vida?
A música que salvou a carreira de Ozzy Osbourne e se tornou um símbolo pop do metal
O disco do Jethro Tull que Ian Anderson achava que passou do ponto e ficou complicado demais
A banda brasileira infiltrada entre hits do rock na trilha sonora do novo filme do He-Man
O hit que deu segurança financeira ao Judas Priest, segundo Ian Hill


O dia que Iggor Cavalera descobriu sobre Max e Gloria: "O que está acontecendo aqui?"
Situação do Testament nos anos 90 levou Chuck Billy a tentar entrar no Sepultura
As bandas de metal que desandaram e nunca mais voltaram ao auge, segundo youtuber
Dave Grohl sobe ao palco com o Sepultura em último show nos Estados Unidos
Andreas Kisser defende liberdade no Sepultura: "Não é meu problema se fãs se decepcionam"
Divulgados os valores dos ingressos do último show do Sepultura
Sepultura anuncia primeiros convidados do show de despedida
Andreas Kisser defende Sepultura com Derrick: "Fizemos shows maiores que com o Max"
Sepultura confirma data e local do último show da carreira
Andreas Kisser diz que Xororó podia tranquilamente cantar no Helloween
Eloy compartilha história contada por Shawn sobre a influência do Sepultura no Slipknot


