Dark Avenger: Biografia de 25 anos de persistência e conquistas
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteril Tipo
Postado em 11 de novembro de 2017
Conheci o Dark Avenger por volta de 1994 através do velho e bom esquema de troca de cartas (que na época, levava cerca de 15 dias entre origem e destino). Me surpreendi quando, certo dia, recebi um envelope contendo a demo "Choose Your Side…" acompanhada de um monte de flyers, adesivos e zines. Detalhe: sem que houvesse solicitado e/ou pago qualquer tostão pela enxurrada de material. Então, percebi que a banda merecia no mínimo ser respeitada. Todavia não fiquei no mínimo e acabei me tornando um grande fã.
"A banda foi formada no início de 1993, quando Mário Linhares se uniu a Leonel Valdez e Wagner Marcelo, para formarem o Atena, uma banda de Brasília que fazia um rock 'n roll meio ao estilo "Rock Brasil" (Legião Urbana, Plebe Rude, etc), cantando todas as músicas em português.
Insatisfeito com o estilo do Atena, Mário Linhares decide dedicar-se ao estilo musical que realmente gostava que era o Heavy Metal oitentista feito por bandas tipo Manowar, Helloween, Iron Maiden, Metal Church, etc. e, contando com o apoio de Leonel Valdez, começam as mudanças dentro da banda, iniciando pelo nome, que muda de Atena para Rat White, nome este dado pelo ex-guitarrista Marcelo, não tendo tal nome perdurado por muito tempo, visto que os integrantes não concordaram com tal título. Por sugestão dada pelo ex-baixista Wagner Marcelo, o Rat White passa a se chamar Dark Avenger, visto que as novas composições já começavam a tomar um rumo para o power metal e metal tradicional. A banda resolve então compor todas as suas músicas em inglês e batalharam por shows (vale ressaltar que o grupo nunca fez apresentações com outro nome que não o Dark Avenger).
Em fevereiro de 1994 gravam sua primeira e única demo-tape chamada "Choose Your Side… Heaven or Hell", e começa a divulgar a mesma em todo o Brasil, batalhando por shows e espaços onde pudessem mostrar o seu trabalho. Enviam então a tal demo-tape para a revista "Rock Brigade" onde obtêm uma excelente repercussão e, com isso começam a receber milhares de cartas de todo o Brasil, além de contarem com o apoio dos inúmeros fãs que, por iniciativa própria enviam cópias da demo-tape para todo o Brasil e pelo mundo inteiro, fazendo com que o nome Dark Avenger viesse a ser conhecido por toda parte.
Começam a fazer show em diversos estados por todo o Brasil e a participar de eventos e festivais, tendo sido vencedores em diversos deles, tais como: 1º e 2º lugares no IV FECA, em Americana – SP (1995), 1-º lugar no Festival Metal World, no Aeroanta – SP (1994) , Melhor Vocalista no Festival Banda Revelação, em Brasília – DF (1994), Banda do Ano, em Brasília – DF (1997), Banda Revelação pela Rock Brigade (1996), Melhor Vocalista (5º na lista de 1997 da Rock Brigade), etc.
Em 1995, com Mário Linhares (vocal), Leonel Valdez e Osiris di Castro (guitarras), Gustavo Vieira (baixo), Luciano Toledo (bateria) e Rafael Galvão (teclados), resolvem gravar seu primeiro álbum, patrocinados pelo Zen Studio de Brasília, contendo 11 músicas que foi muito bem recebido pela mídia especializada e pelos fãs de Heavy Metal, tendo este recebido nota 9 na Rock Brigade e sendo considerado "um dos melhores discos de heavy Metal já lançado nos últimos cinco anos", além de terem sido matéria de diversas revistas e fanzines do Brasil e de diversos países tais como Argentina (Metalica), Grécia (Singing Swords) , Japão (Burrn! e Silent Noise) , Estados Unidos, Alemanha etc.
Depois de dois anos excursionando pelo Brasil para divulgar seu primeiro álbum, o Dark Avenger resolve parar para compor sua obra-prima; o ábum "Tales of Avalon", um álbum temático, dividido em: "Tales of Avalon – The Terror" (2001) e "Tales of Avalon – The Lament" (2013), que contam as histórias épicas do reino mágico de Avalon e Camelot, as paixões e intrigas, magias e fanatismo, traições e guerras que levaram o reino de Avalon ao esquecimento e o triunfo da religião cristã nas ilhas britânicas no começo da era cristã. São vinte e duas músicas divididas em dois álbuns, que com uma densidade singular, desenham, sempre na 1ª pessoa, todos os quadros e ações vividas naquele período, fazendo com que o interlocutor viva e sinta, diante dos seus olhos e a cada música, a atmosfera da época."
Muitas águas rolaram por baixo da ponte: no ano 2003 a banda ainda lançou o EP "X Dark Years", que serviria para manter a chama do grupo acesa. Entretanto, de acordo com notícias da época, Mário teria sido convidado para fazer parte da famosa banda italiana Vision Divine. Não se sabe ao certo o que aconteceu, mas o fato é que no decurso do ano de 2005, a banda resolve encerrar suas atividades. Contudo, na sequência, Mario funda a Harllequin, banda que ganhou notoriedade durante o tempo em que Mário esteve a sua frente.
Em 2009, entre calços e percalços a banda volta com a formação considerada "clássica". Retorno este que denotava a renovação da crença, por parte da banda, no cenário nacional, o que por tabela renovou também o interesse dos fãs pela banda. Em 2011 se dá a pré-produção da segunda parte de "Tales of Avalon", ainda sem data definida para o lançamento. Em 2012, ocorre aquela que acabou sendo a única oportunidade – para este que vos escreve – de ver a banda ao vivo. E a expectativa se concretizou no famigerado MOA, onde o Dark Avenger se apresentou em meio ao caos da organização, para um público estimado entre 10 e 15 mil pessoas.
Somente dois anos após (2013), é lançado o disco que à época foi considerado um marco na carreira da banda. "The Lament" foi mixado pelo renomado produtor Michael Wagener, que foi um dos fundadores do Accept e que trabalhou com grandes nomes como Metallica, Ozzy Osbourne, Skid Row, Dokken, Raven, Stryper, Megadeth, Helloween e Testament e o próprio Accept, entre outros. "Se na primeira parte os temas giravam em torno de algo mais para a fantasia. No segunda, a banda resolveu explorar mais temas como a dualidade dos sentimentos (ódio, misericórdia, ceticismo, fé, dentre outros). No um modo geral, um excelente disco!
Em 2014 em meio a mudanças de formação e outras variáveis, a banda relança "Tales of Avalon – The Lament" no formato Digipak. Em 2015, por ocasião dos vinte anos de carreira, a banda fez uma extensa turné comemorativa. No ano de 2016 a banda causa expectativas ao revelar detalhes do projeto de "The Beloved Bones" o sucessor do até então, mais popular álbum da banda: "The Lament".
The Beloved Bones: Hell (2017) é mais um trabalho conceitual, sendo que esta a primeira parte claramente supera o trabalho anteruior, constituindo-se como um álbum completo em todos os sentidos. Conceitual, trata do obstinado conflito existente entre razão e emoção, no qual o "Eu" busca luta pela sua preservação. Uma obra genial na qual sobressai a capacidade dos caras em musicar temas tão subjetivos de modo a permitir o encaixe das letras nas harmonias. O instrumental é pesado e a produção é impecável. Diria mesmo que, para um trabalho independente, exploraram muito bem os recursos do estúdio. A segunda parte, The Beloved Bones: Divine, tem previsão de lançamento para 2019.
Durante todo o tempo em que acompanhei a banda, pude observar que, assim como a maioria das bandas brasileiras, O Dark Avenger dá provas reiteradas de amor à música. Se colocando com esse disco, inclusive, no patamar dos grandes. Prestes a completar 1/4 de um século de história, essa banda experimentou glórias e dissabores na sua trajetória. O que nos leva a inferir que, possivelmente, no conjunto de simbolismo que provavelmente faz parte do seu processo de amadurecimento, a persistência tenha maior significado do que qualquer outra palavra/ação.
Por fim, a formação atual conta com Mario Linhares (vocal), Hugo Santiago (guitarra), Glauber Oliveira (guitarra), e Gustavo Magalhães (baixo).
Referências: Letras.com, Heavy Metal Nacional, Whiplash.net, Dark Avenger Official Facebook, Dark Avenger Official YouTube, A Ilha do Metal.
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