Kate Bush: passeio panorâmico pela carreira da britânica
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 19 de dezembro de 2017
Entre 26 de agosto e primeiro de outubro de 2014, Kate Bush fez 22 shows no Apollo Hammersmith, em Londres. Os ingressos – que chegavam a custar 750 dólares – esgotaram-se em menos de 20 minutos. Um dos motivos para tamanho assanhamento do público era que Bush não se apresentava ao vivo desde sua única turnê de início de carreira, em 1978. Na manhã seguinte ao primeiro espetáculo, o crítico musical da BBC não conseguia esconder a estupefação de tê-la visto ao vivo.
Kate Bush é tesouro nacional britânico, então não foi coincidência, que, às vésperas da estreia no Apollo, a estatal BBC4 tenha exibido os 59 minutos do documentário The Kate Bush Story: Running Up That Hill, que cobre competentemente sua carreira, desde sua gênese, até seu mais recente álbum de inéditas de estúdio, 50 Words For Snow (2011). Ainda que não saiba direito o que fazer com LPs pouco compreendidos ou populares, como o áspero The Dreaming (1982) ou o lírico duplo Aerial (2005), o programa analisa faixas e ensaia possíveis explicações inspiratórias e influências.
Tudo de modo a manter intacta a pristina imagem de reclusa inacessível e autônoma, construída ao longo de décadas de carreira até meio esparsa, mas influente de assombrar, conforme atesta a diversidade de gente que topou comentar sobre o impacto de La Bush. Desde óbvios, como seu incentivador na adolescência, David Gilmour, passando por quadrinistas como Neil Gaiman; o punk de margarina, John Lydon e chegado ao rapper Boi Boi, do Outkast. Elton John conta que na festa de seu casamento, os convidados estavam mais interessados em conhecer Kate do que nos noivos. Tricky, um dos inventores do trip hop, revela como a despeito de origens sociais diametralmente opostas, um verso de Breathing lhe serve como lema a vida toda. Peter Gabriel relata como seu dueto em Don’t Give Up tem sido reinterpretado para diversos contextos e ajudado tanta gente na lona. O que não conta é que originalmente pensara em Dolly Parton e Bush só entrou na jogada, quando a country norte-americana não quis gravar com alguém que não conhecia.
Ao enfatizar a produção de algumas faixas, o documentário ensina às novas gerações ou relembra os mais velhos sobre como pioneiros no uso de softwares, como Peter Gabriel e Bush, ajudaram a inventar o que hoje qualquer moleque faz com apps no celular. Preste atenção nos vidros estilhaçando-se de Babooshka.
Kate Bush não contribuiu com qualquer material ou depoimento para The Kate Bush Story: Running Up That Hill. Se a emissora pediu ou não, vai saber, mas há interesse mútuo em manter a imagem distante. De Bush para ter paz, da mídia para ter pauta que contraponha esse tipo de artista, cada vez mais raro, às Spears, que arrotam perante câmeras.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Johnny Ramone: o guitarrista que revolucionou o rock com três acordes faria 78 anos
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
Amanda Somerville se manifesta após diagnóstico de tumor cerebral agressivo
A música que o Black Sabbath escreveu para "A Hora do Pesadelo 3"
Dregen nega que saída do Hellacopters tenha ocorrido em comum acordo
O astro do rock brasileiro morto há décadas que ainda tem 8 milhões de ouvintes
O trabalho do Metallica que James Hetfield admite que não funciona bem ao vivo
30 anos de "Antichrist Superstar", de Marilyn Manson - 5 curiosidades
"Lucifer III" ganha nova vida em edição brasileira em vinil
A música do AC/DC que ensinou Kurt Cobain o suficiente para começar a compor
Dave Lombardo ainda escuta thrash metal? O próprio responde
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Rockstar Games divulga rádio de GTA 6 com Kerry King e Tom Araya
Rodolfo: 100% arrependido das letras dos Raimundos
The Animals: a história por trás de "House Of The Rising Sun"
A primeira banda de thrash da história, na opinião de Kerry King



O álbum do Pink Floyd que fez Kate Bush pensar em desistir de escrever músicas
De Pretenders até Judas Priest, os 20 melhores discos de 1980, segundo a Louder
Cronos, do Venom, já pintou o cabelo por conta de Kate Bush
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história



