Sepultura: Derrick Green conta sobre sua infância musical e primeiras bandas
Por João Paulo Andrade
Postado em 19 de fevereiro de 2018
Leia abaixo trechos de uma entrevista que Daniel Dekay da Banger TV conduziu com o frontman do SEPULTURA, Derrick Green, a bordo do cruzeiro 70000 Tons Of Metal, que foi realizado entre os dias 1 e 5 de fevereiro de 2018. Você pode assistir toda a entrevista (em inglês) ao final dos trechos que foram transcritos pelo BLABBERMOUTH.NET.
Sobre sua infância musical em Cleveland, Ohio:
Derrick: "Para mim, a música sempre foi uma grande parte da minha vida. Minha mãe era uma professora de música e então eu ouvia música o tempo todo enquanto crescia. Na escola ficou claro que eu poderia fazer algo com minha voz. Eu fui forçado a fazer aulas de canto e realmente não gostava, mas meu professor enfatizou o quão bom era minha voz ser baixo-barítono. Não há muitas pessoas que tenham esse tom de voz. Isso me fez começar a pensar de forma séria em música. Foi ótimo. Foi uma coisa muito positiva crescer tendo música na minha vida, e começou quando eu era muito jovem".
Sobre as primeiras bandas que o marcaram:
Derrick: "Eu acho que ir para shows foi realmente a coisa que mais influenciou. Alguns dos primeiros shows que vi foram BAD BRAINS e CRO-MAGS e eles tiveram um enorme impacto em mim. Com 14, 15 anos, ver tanta energia no palco e o público e as pessoas agitando, era algo que eu nunca tinha visto antes. Além disso, na época, o que teve um grande impacto foi o CRO-MAGS, a banda era vegetariana e eles tinham material de leitura sobre ser vegetariano, então aquilo me chamou atenção, e aquilo me fez entrar nesse estilo de vida e ser um vegano.
Sobre o papel que sua família desempenhou em sua carreira musical:
Derrick: "Eles foram modelos extremamente positivos e eles foram muito solidários em tudo o que eu queria fazer, mesmo que eles não entendesse sobre hardcore ou punk rock. Eles inclusive foram em um show do SEPULTURA e ficaram na primeira fila. Eles não perceberam que haveria um circle pit lá. Os fãs os abordaram... 'Talvez vocês queiram ir lá para trás'. Eles ficaram felizes em ver tantas pessoas empolgadas com a música, com o que eu estava fazendo".
Sobre como ele se envolveu na cena hardcore de Nova York:
Derrick: "Em Cleveland, eu tinha essa banda chamada OUTFACE por cerca de oito ou nove anos. Me mudei para Nova York com o guitarrista, Charlie Garriga. Lá ele começou a tocar em outra banda chamada CIV, então acabei fazendo outras coisas, tentando sobreviver. Foi quando fiz essa audição para a SEPULTURA. Mas eu trabalhei em vários empregos lá. Eu ainda estava envolvido com música, mas ao mesmo tempo eu fui porteiro. Trabalhei em lojas de roupas. Eu fui guarda-costas, fiz tudo o que pude, mas, ao mesmo tempo, continuava tentando viver de música".
Na sua transição de hardcore para metal:
Derrick: "Eu acho que o hardcore e o punk sempre reinaram supremos, mas acho que o metal se tornou mais interessante quando o conteúdo lírico começou a mudar com certas bandas. Quero dizer, havia certas bandas de metal que sempre tiveram um impacto. SLAYER, CELTIC FROST, estas eram bandas que me impressionavam. Mesmo eu sendo da cena hardcore, eu achava aquilo incrível. Com o SEPULTURA, eu os achava ótimos. Eu realmente comecei a gostar com o álbum Arise, eles começaram a desenvolver um pouco mais de sua própria personalidade na música, e o conteúdo lírico estava melhorando e melhorando."
Como ele encara o fato de o heavy metal ser dominado em grande parte por homens brancos:
Derrick: "Eu realmente estava envolvido com o hip-hop, ao mesmo tempo em que entrei no hardcore e no punk rock, porque eles eram unidos. Eles não estavam sendo tocados no rádio, eles eram completamente rebeldes. O conteúdo lírico de um monte de grupos de hip-hop, como o KRS-ONE, sempre foi incrível para mim. E o PUBLIC ENEMY... Sua compreensão daquela linguagem foi incrível e eles são mestres nisso. Aquilo para mim foi genial. Eles realmente me impactaram. Eu definitivamente olhei para eles e bandas como BAD BRAINS, como eu disse, eles explodiram minha mente. Eles iam de reggae a hardcore, mas faziam isso muito bem e eles eram músicos incríveis. Essa combinação realmente teve um forte impacto sobre mim."
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