Atrocity: mais insano que a própria loucura
Por Ricardo Cunha
Fonte: esteriltipo
Postado em 10 de julho de 2018
Natural de Ludwigsburg (Alemanha), a banda formada por Alexander Krull (vocal), Thorsten Bauer (guitarra), Pete Streit (guitarra) e Joris Nijenhuis (bateria) acaba de anunciar o lançamento do seu mais novo álbum, OKKULT II.
O Atrocity começou com o álbum Hallucinations em 1990. Já ali, foi saudada como uma inovadora banda no cenário metálico por criar um estilo técnico, torcido, dark, porém, alicerçado no death metal. Na sequência, com Todessehnsucht (re-intitulado, contra a vontade da banda para Longing For Death) solidificou ainda mais sua popularidade. Mas foi em 1994, com B.L.U.T. que começou a sua tendência para o não-convencional. Vagamente baseado num tema gótico e parecendo pouco com seu trabalho anterior, BLUT pareceu confundir - e em certa medida - alienar, fãs e críticos. Embora, na verdade o álbum valha a pena. Nos anos seguintes a banda experimentou de tudo: desde um álbum intitulado Calling The Rain, com a uma vocalista convidada, Yasmin Krull, irmã de Alexander; outro álbum esquisito, Die Liebe, em colaboração com a dupla alemã de new wave Das Ich, e outro mais estranho ainda: um álbum de covers de músicas pop dos anos 80 chamado Werk 80, que simplesmente tem que ser ouvido para ser crível. Claramente, uma banda que NÃO tem medo de arriscar!
Em 2000, lançou o Gemini, sobre o qual, pode parecer simplista dizer que qualquer banda que canta em alemão com uma batida techno soa como Rammstein, mas na verdade identifiquei semelhanças com o referido grupo em mais de uma ocasião. Ainda sobre este disco, me surpreendeu a versão o a clássico The Sound Of Silence de Simon and Garfunkel e um dueto com Liv Kristine (na época, as voltas com o Theatre Of Tragedy), que também participou do Werk 80).
Nesse contexto, exceto para àqueles que desejam nada mais do que um retorno da banda ao som praticado nos seus primeiros dias, essa nova direção não é uma coisa ruim, já que o Gemini não chega a ser um disco ruim. Dando seguimento à discografia, em 2004 a banda lança Atlantis que, para simplificar, diria que é um típico disco no estilo Atrocity, ou seja, pesado e insano. Em 2008, numa demonstração de satisfação pelo resultado obtido com o álbum de covers ou por pura preguiça de criar algo novo, a banda lança Werk 80 II. Mesmo sem oferecer nada de novo desde Atlantis, a banda lança um disco com composições quase na mesma linha de Calling The Rain, sendo que (a meu ver) a principal diferença entre eles reside no fato de que no primeiro, clamava por chuva e que no segundo, After The Storm (2010), fala dos efeitos da tempestade. Em Okkult (2013), a banda volta a fazer death metal extremo sem descuidar - claro - das esquisitices sombrias que são a real constante de seu estilo. Masters Of Darkness (EP, 2017) funciona como um marco através do qual a banda emite aos fãs um aviso de que está viva, e musicalmente deve agradar aos apreciadores do estilo exclusivo desses maníacos de Ludwigsburg. Finalmente chegamos a Okkult II (2018), ponto da trajetória no qual a história está acontecendo. Por esse motivo, e concedendo-lhes crédito pela coragem de ousar dentro de um universo tão radical, reservaremos um espaço para tratar exclusivamente deste último disco.
Por enquanto, exercitemos nossos ouvidos com Shadowtaker, a primeira música de trabalho de Okkult II:
Referências: Atrocity, Massacre Rec, BNR Metal Pages.
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