Cyndi Lauper: Autobiografia é traduzida no Brasil
Por Alice Pellizzoni Lima
Fonte: Editora Belas Letras
Postado em 09 de setembro de 2019
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A editora Belas Letras traduziu para o português a biografia de Cyndi Lauper escrita pela própria artista. A publicação traz relatos honestos e sem filtros sobre a infância, adolescência e carreira profissional até os maiores sucessos musicais da Cyndi, cantora ícone dos anos 80. O livro "Cyndi – Minha História" acompanha o kit com pôster, marcador de páginas, botton e popsocket (acessório de celular). Ainda há duas opções de livro: brochura que custará R$ 69,90 e capa dura com sobrecapa (edição limitada) pelo valor de R$ 89,90.
Cyndi Lauper saiu de casa aos 17 anos, aonde era assediada pelo padrasto, e teve uma adolescência difícil financeira e emocionalmente. Sentia que não se encaixava nos padrões da sociedade. Trabalhava em diversas áreas para sobreviver e tinha dificuldades na maioria das matérias da escola, mas era com as artes que ela se identificava. Então, começou cantar sem pretensão. "Toda vez que eu cantava, sempre parecia que a divisão entre o mundo exterior e o mundo interior oscilava em uma linha muito tênue". Para se transformar em uma completa artista, Cyndi buscou inspiração na pintura, escultura, fotografia, entre outros. E usou da sua autenticidade para transmitir orgulho e respeito em suas composições.
Além de cantora, a garota colorida se tornou um símbolo da luta contra a Aids, pelos direitos das mulheres e da comunidade LGBT, temas explícitos nas letras de suas músicas. A artista tem uma ligação pessoal com o tema: sua irmã, Ellen Lauper, é lésbica. "A questão sobre ser gay, minha irmã me disse, é que fazem você se sentir sujo, como se estivesse transando de forma pervertida e não da forma comum. Então, há auto-ódio e vergonha. Mas uma sociedade inclusiva é muito mais forte que uma sociedade excludente." Cyndi ficou reconhecida com os hits "Girls Just Want to Have Fun" e "Time After Time" que foram algumas de suas músicas mais famosas. E "True Colors" virou um hino da comunidade gay. "Nós estávamos transitando em uma linha tênue entre ganhar respeito e não sermos levados a sério, mas ainda assim foi muito divertido. Eu pensava: ‘Quem se importa se pensam que sou uma boa cantora ou não? Eu sou uma boa cantora’. Quando cantei ‘Girls Just Want to Have Fun’ e voltei com ‘Time After Time’, provei que é possível fazer rock, ser uma boa cantora e compositora, mas também usar humor." O que Cyndi Lauper cantava em cima do palco era um reflexo do seu ativismo também fora dele. Com a turnê True Colors, ela apoiou os direitos dos homossexuais e lutou contra crimes de ódio, fez doações em dinheiro e fundou um abrigo para jovens da comunidade LGBT que, muitas vezes, eram expulsos de casa e não tinham aonde morar. A fundação se chamou True Colors Residence no Harlem.
Nesta conversa com o leitor, Cyndi também conta sobre os abusos que sofreu no meio musical naquela época e sobre sua percepção da opressão feminina, já que ela era naturalmente feminista, antes mesmo de o assunto se tornar público. "Girls Just Want to Have Fun", música que fez para representar todas as mulheres, foi seu primeiro sucesso e também se transformou em um hino. No clipe oficial, a mãe de Cyndi atua ao seu lado. "Eu realmente via o meu trabalho como uma espécie de movimento social, e não só quando se tratava dos aspectos visuais. Quando pedi para minha mãe participar do vídeo, eu disse: ‘Mãe, pense no que isso pode significar se você estiver envolvida – você e eu faremos com que ser amiga da sua mãe seja algo popular’. Eu disse a ela que não conseguiríamos pagar um monte de figurantes, e ela disse: ‘É claro que vou te ajudar, Cyndi. O que você quer que eu faça? Não sou atriz de verdade’. Eu disse: ‘Ma, vamos nos divertir juntas, isso é tudo’."
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