Steve Perry: ex-Journey conta que não faz mais shows porque é "coisa de jovem"
Por Igor Miranda
Postado em 23 de outubro de 2020
O vocalista Steve Perry não faz um show completo desde 1995. No ano em questão, o cantor voltou ao Journey, que lançou o álbum "Trial By Fire" (1996) em seguida. Entretanto, não houve turnê para divulgar o disco porque o cantor sofreu uma lesão no quadril e precisou ser operado.
O período em que Steve Perry ficou "de molho" foi, justamente, o responsável por sua demissão. Os músicos esperaram até 1998, cerca de 17 meses após a lesão de Perry, antes de decidirem seguir em frente com outro vocalista, Steve Augeri.
A partir daí, Perry sumiu da indústria musical como um todo, mas retornou com um álbum solo, "Traces", em 2018. Mesmo esse disco não foi promovido com shows e o cantor explicou, agora, em entrevista à "Rolling Stone", por que não tem se apresentado ao vivo.
Durante o bate-papo, Steve Perry destacou que sente falta de fazer shows, especialmente pela energia da plateia. Entretanto, ele não consegue mais subir a um palco com certa regularidade porque é "algo para jovens" e é "como esporte".
"As pessoas não percebem. É como esporte. Estou assistindo a jogos de beisebol recentemente e há lesões. As costas e os pescoços das pessoas começam a ir para o seco. Shows são algo para jovens, mas sinto falta", disse.
No próximo dia 4 de dezembro, o vocalista vai lançar uma versão acústica do álbum "Traces", onde 8 faixas do disco foram regravadas neste formato. Ele está feliz com a carreira solo, que segue adiante sem brigas, diferentemente do Journey.
"Não entendo por que as pessoas pensam isso (que todos se davam bem no Journey). Nunca houve nenhum 'Kumbaya' conosco. Mas você vê o Chicago Bulls cantando 'Kumbaya'? Ou o (San Francisco) 49ers com Bill Walsh?", afirmou, apontando que grandes equipes de basquete ou futebol americano não são nada pacifistas.
Perry foi perguntado sobre as recentes saídas do baixista Ross Valory e do baterista Steve Smith, demitidos do Journey após serem acusados de tentarem dar um golpe contábil no guitarrista Neal Schon e no tecladista Jonathan Cain, atuais titulares da marca. Como esperado, o vocalista não sabe nada do que aconteceu, pois saiu da banda há décadas.
"Não faço ideia, estou fora desde maio de 1998. Não sei o que as pessoas pensam do rock and roll. Devemos ser como Bo Beep, pastores de ovelhas que são gentis e amorosos? Não. Brigamos como filhos da P8ta, mas músicas belas como 'Open Arms' nascem daí, além de outras. Eu tive meu tempo e fico muito satisfeito com toda a história e minhas contribuições musicais", afirmou.
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