Paulo Jr. chorou após saída de Max e Andreas tentou ser o vocalista do Sepultura
Por Igor Miranda
Postado em 05 de novembro de 2020
A saída do vocalista e guitarrista Max Cavalera do Sepultura foi abordada em uma entrevista do guitarrista Andreas Kisser e do baixista Paulo Jr ao programa "Conversa com Bial", da TV Globo. Os dois músicos remanescentes da formação clássica contaram alguns detalhes dessa ruptura, que, na época, quase causou o fim da banda.
Paulo Jr revelou ter chorado ao deixar a cidade de Londres, na Inglaterra, onde ocorreu o último show. O baixista comentou, em outro momento da entrevista, que nunca teve outro emprego fora o Sepultura - colaborou apenas um mês com a loja da gravadora Cogumelo Records, em Belo Horizonte, fazendo embalagens de Natal e sendo pago com discos.
"O último show junto (com Max Cavalera) foi em Londres, na Brixton Academy, e eu voltei no avião chorando. Falei: 'f*deu, não sei o que vou fazer'", afirmou.
O baixista destacou que a retomada das atividades do Sepultura ocorreu de forma gradual. "A gente morava em Phoenix e ficamos um tempo separado, cada um para um lado, e depois de meses, começamos a retomar e conversar. Fomos retomando aos pouquinhos, sem pressa, tudo acalmando, para levar a vida. Foi importante esse momento separado antes de retomar", disse.
Andreas Kisser, por sua vez, revelou que chegou a tentar ser o vocalista do Sepultura na sequência das atividades. "O Derrick (Green, vocalista) entrou depois de 8 ou 9 meses da saída do Max. Tivemos esse tempo. Eu fui o primeiro a fazer teste para ser vocalista do Sepultura. Tivemos essa ideia de continuar em trio, eu fiz aula de vocal em San Diego. Foi terrível", afirmou.
A Roadrunner, gravadora do Sepultura na época, rejeitou a ideia de ter Andreas no vocal, mas não permitiu que a banda saísse. "Todos da gravadora viram e suspenderam o contrato. Ficamos um mês e pouco sem contrato. O mais importante é que não deixaram a gente ir embora. Foi tipo: 'vamos fazer uma pressão, mas não deixar o Sepultura largado'. Eles sabiam que era um nome forte", disse.
O guitarrista, comentou que esse período em que o Sepultura não teve atividades foi importante para reestruturar a banda. "O Derrick veio, tivemos empresários novos, relacionamento diferente com a gravadora. Foi terrível quando aconteceu, mas hoje me lembro com muito orgulho do que passamos juntos", afirmou.
Por fim, Andreas falou sobre o saudosismo de uma parcela dos fãs que exalta apenas os trabalhos feitos com Max Cavalera na formação. "Por que o que veio primeiro é melhor que aquilo que veio depois? Tipo 'o passado é sempre melhor'. Hoje, eu me sinto melhor do que nunca como compositor, guitarrista e performer. Quando eu tinha 23, 24 anos, eu não tocava o que toco hoje. Fica uma coisa saudosista que não leva a lugar nenhum", concluiu.
A entrevista pode ser assistida, na íntegra, no site do Globoplay.
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