Kreator: Mille fala sobre racismo e diz que metal sempre teve a ver com direitos humanos
Por Mateus Ribeiro
Postado em 25 de fevereiro de 2021
Mille Petrozza, guitarrista, vocalista e líder da banda alemã KREATOR, concedeu longa entrevista à Nick Russell, editor da revista Kerrang. Durante a conversa, a lenda do thrash metal germânico falou sobre temas que causam arrepios nos headbangers mais conservadores, como política, racismo, injustiça e direitos humanos.
Nick resgatou a participação do KREATOR na edição 2008 do festival "Wacken". Na ocasião, Mille disse estar preocupado pelo fato de existir pessoas na cena do metal que achavam legal ser racista. "É algo que digo às vezes quando tenho vontade de dizer. Eu sinto que é importante falar isso, no entanto, se eu ouvir algo sobre alguma ação racista estúpida acontecendo durante o dia".
Na sequência, Mille, que cresceu na Alemanha dividida, fala sobre como ele enxerga o metal. "Eu acho que a cena do metal, pelo que entendi quando comecei tudo isso [nos anos 1980], era parte dessa comunidade mundial com pessoas vindas de todos os lugares, pessoas que eram muito diferentes e de muitas origens diferentes. Éramos como uma comunidade onde um apoiava o outro e, de repente, houve um momento em que parte da cena achava que era legal discriminar as pessoas, ou apenas inventar essa coisa de supremacia branca . Eu só pensei: ‘Não, não é assim que eu entendo o metal’.
Mille ainda disse que a cena metal, como um todo, era política e citou outro gigante da música. "Quando eu digo essas coisas no palco, só quero deixar claro o que o KREATOR representa. Nós viemos de uma cena que era muito política. Até o METALLICA foi político em algum momento [da carreira]. [O metal] Sempre foi sobre direitos humanos e o bom senso de não tolerar estupidez e as besteiras do governo. Acho que é daí que tudo vem. Eu sei que às vezes irrita as pessoas porque elas se distraem de seu entretenimento, mas às vezes acho que é necessário".
Em outro trecho do bate-papo, Nick perguntou se Mille se considera alguém que escreve sobre política em suas letras. O músico respondeu: "Depende de como você define político. Para mim, parece que estou escrevendo em um nível humano. Estou escrevendo sobre injustiça. Se escrever sobre a injustiça me torna político... Eu não apoio nenhum partido, de direita, de esquerda, seja o que for, para mim é tudo apenas questão de bom senso. Eu fico pensando, 'Tudo bem, quando você é um metaleiro, é rotulado como um esquisitão sujo que vive no porão e vai a shows e ouve música alta, você é sempre esquisito.' Então, acho que se é político falar sobre isso em minhas letras, que eu não acho que seja certo que você deva julgar as pessoas por sua aparência ou crenças ou o que seja, isso é político, eu acho".
Esta não é a primeira (e pelo visto, não será a última) vez que Mille falou sobre política e metal. Em junho de 2020, o músico fez uma postagem em seu Instagram, afirmando que metal e política se misturam, para o desespero de alguns. Leia mais no link a seguir.
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