CD ou vinil: reportagem de 1991 produzida pela TV Manchete abordou disputa dos formatos
Por Mateus Ribeiro
Postado em 19 de agosto de 2021
De alguns anos pra cá, a forma mais comum de se ouvir música é através das plataformas digitais. Todos os dias, inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo ouvem as canções de seus artistas prediletos em seus telefones celulares, acessando aplicativos como o Spotify ou o Youtube.
Porém, há algum tempo, mais precisamente no início da década de 1990, as coisas eram bem diferentes. Os formatos que dominavam o mercado musical eram o vinil e o CD (que até então era uma novidade no Brasil). E a "disputa" entre os dois formatos citados foi tema de uma reportagem muito interessante, produzida pela extinta TV Manchete e que foi ao ar em 1991, no Jornal da Manchete.
O jornalista Ronaldo Rosas, que na época apresentava o jornal, anuncia a reportagem, citando o confronto entre o barato LP e o então revolucionário CD, que pretendia fazer o vinil ir para o espaço.
Logo no início da reportagem , o jornalista Florestan Fernandes Júnior pergunta para Paulo Roberto Fedatto, gerente administrativo da gravadora Ariola, qual seria o futuro dos discos de vinil no Brasil. Paulo cravou que o vinil teria vida curta em sua resposta. "Eu acredito que o vinil no Brasil ainda tem por volta de 5 anos ainda de existência, isso em função do alto custo do CD do produto final e também pela falta de produção [de CDs] que nós ainda temos no Brasil".
Em outro trecho, Florestan fala sobre as fábricas de CDs, que nas palavras do jornalista, "mais parecem um laboratório do ano 2000", por conta da tecnologia utilizada.
Outro ponto interessante da reportagem mostra a jornalista Carmen Amorim fala sobre um problema que atrapalhava quem gostaria de comprar um CD: o fator financeiro. Por sorte, alguma alma empreendedora resolveu criar uma locadora de CDs. Na época da reportagem, a cidade do Rio de Janeiro tinha 4 locadoras. Por 4 mil e 500 cruzeiros (moeda corrente da época) mensais, o cliente poderia levar um disco por dia para casa.
Neste ponto da reportagem, como é possível ver pela captura de tela a seguir, o CD "Slaves And Masters", lançado pelo Deep Purple em 1990.
Atualmente cultuado por muitos, o tal "chiado" do vinil não era tão bem visto em 1991, quando a pureza do som do CD era o bichão branco da goiaba. Segundo o entrevistado Anselmo Mattos, que na época era gerente de loja, a diferença entre a qualidade de som apresentada no CD e no vinil era brutal. Anselmo também disse que a tendência do vinil era morrer.
A parte final da reportagem mostra colecionadores de discos, que apesar de saber da qualidade do CD, não abriam mão de seus itens de coleção, como todo bom saudosista.
A reportagem completa, que foi disponibilizada no Youtube pelo usuário Renato Marques, pode ser assistida no player abaixo.
Apesar de todas as previsões apresentadas e do surgimento dos formatos digitais, muitas pessoas ainda ouvem música no CD e no vinil. Aliás, é interessante notar como em 30 anos as coisas mudaram, já que os discos de vinil voltaram a ser produzidos e em alguns casos, custam os olhos da cara.
Seja lá como for, o importante é ouvir música e quanto mais formas de se ouvir, melhor.
E você, prefere ouvir música no CD ou no vinil? Opine nos comentários!
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