Rock Progressivo: 4 bandas atuais que provam ainda haver espaço para expansão criativa
Por Antonio Ibert
Postado em 25 de novembro de 2021
É muito comum ouvir, certas vezes até mesmo de fãs do próprio estilo, que o Rock Progressivo é um movimento musical do passado. Não há de se negar que estilos musicais tendem a seguir um ciclo de expansão e explosão que ficam marcados em determinado período da história. Exemplos disso não faltam: o Nu Metal dos anos 2000, o Grunge e o Black Metal dos anos 90, o Thrash Metal dos anos 80 e, por quê não, o Rock Progressivo dos anos 70. Embora sempre passageira, esta explosão acaba por angariar fãs que persistem a viver o estilo para muito além de sua fase de ouro. E desta longevidade muitas vezes surgem bandas que, bebendo desta fonte, conseguem inovar o suficiente para apresentar algo de relevante nos dias atuais, quiçá também para a posteridade.
É notório que a longevidade de um determinado estilo se deve muito mais à sua capacidade de alimentar inovação e se auto reciclar, do que à reprodução incessante de cópias de um determinado momento da sua história, uma ode à nostalgia.
Com isso em mente, a lista abaixo apresenta 4 bandas atuais que, embora na sua maioria em estágios iniciais de suas carreiras, apresentam conteúdo inovador de altíssimo nível e merecem maior exposição para quem ainda enxerga música como uma obra de arte a ser desvendada e ouvida com atenção. Para além do rótulo, são bandas que aparentam se preocupar mais em cultivar uma identidade única do que se enquadrar em estilos pré-estabelecidos, mas que inegavelmente têm no Rock Progressivo uma fonte de inspiração muito importante.
Koenjihyakkei
Liderada pelo baterista e vocalista Tatsuya Yoshida, Koenjihyakkei é uma banda japonesa - mais precisamente da cidade de Tóquio - criada como uma homenagem à lendária banda francesa Magma. Similaridades sonoras à parte, essa homenagem fica clara no uso de um idioma inventado que, ao que tudo indica, seria remanescente do Kobaïan, idioma inventado por Christian Vander para ser usado nas letras do Magma.
A música de Koenjihyakkei consegue aliar uma atmosfera invocativa a uma extrema complexidade rítmica e harmônica, e definitivamente não é para qualquer um. É talvez a banda mais radical desta lista, embora possa-se argumentar que seja a menos inovadora, pela própria finalidade de soar como uma extensão de algo já existente. De qualquer forma, seguir os passos de uma banda como Magma não é para qualquer um, e K?enjihyakkei assume este papel com maestria.
Lost Crowns
Dizer que Lost Crowns é uma banda nascida em Londres, Inglaterra, é praticamente uma hipérbole. Lost Crowns é uma daquelas bandas cuja sonoridade transpira sua origem. A banda, que lançou seu primeiro - e até então único - álbum em 2019, é um compilado de membros de várias bandas já bem conhecidas na região, como por exemplo a North Sea Radio Orchestra, a Stars in Battledress, entre outras. Neste álbum, Lost Crowns une idéias harmônicas ríspidas - comuns ao movimento Rock In Opposition - a uma boa pitada de pop rock britânico. É interessante notar que, em meio a uma união de elementos (a princípio) antagônicos, a banda consegue também exibir um pouco do típico senso de humor britânico, o que de certa forma se encaixa perfeitamente bem na estranheza instrumental de sua música.
Fracktura
A primeira vez que um amigo me indicou Fracktura, imaginei estar diante de uma aspirante a King Crimson. À parte das linhas de guitarra que certamente possuem certa influência de Robert Fripp, fui surpreendido por uma banda que soa diferente de qualquer outra que conheço. Fracktura vem de Cincinnati, uma cidade norte-americana do estado de Ohio. Sua característica mais marcante é o uso eficiente de camadas sobrepostas de estilos variados, que acabam por resultar em um estilo ímpar e coeso. Jazz Moderno (evidenciado pelo excelente saxofonista Ander Peterson) encontra pitadas de música expressionista e muita harmonia expandida, contudo envoltos em sonoridades tradicionais do Rock. Randy Radic, da The Huffington Post, caracterizou Fracktura como uma banda "avant-garde rock brilhante; pesada, densa e sonicamente hiper civilizada."
The Physics House Band
Banda inglesa formada em 2012 na cidade de Brighton, The Physics House Band é a única banda instrumental desta lista. Banda extremamente eclética e difícil de rotular, descrita pelo jornal The Guardian como "a tempestade perfeita de rock, prog, psicodélico, cósmico, tech metal e jazz fusion". Um disco inteiro - ou uma apresentação ao vivo - desta banda vai te remeter ora a Rush, ora a King Crimson, seguindo de Animals As Leaders, e até mesmo Pink Floyd, e por aí vai. No final das contas, no entanto, não se carrega da experiência de escutá-los uma sensação de compilação musical forçada, pois a conexão entre todos estes elementos se dão de maneira a gerar um senso geral de identidade - ampla, é verdade - que confere à banda a chance de atingir bolhas musicais diversas. Para fãs de música instrumental repleta de experimentos, The Physics House Band é um prato cheio.
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