Eddie Vedder odiava hair metal dos anos 80 e dá o recado: "Mötley Crüe, vão se f****"
Por Emanuel Seagal
Postado em 05 de fevereiro de 2022
Eddie Vedder, lendário vocalista do Pearl Jam, foi questionado por David Marchese, em entrevista ao New York Times, se acreditava que a explosão da cultura alternativa do início dos anos 90 ainda pode ser sentida hoje, e comparou o cenário musical do início dos anos noventa, com a ascenção da cena de Seattle, com o final dos anos 80 e as bandas de glam metal, como Mötley Crüe, foi alvo de críticas pelo músico.
"Sabe, eu costumava trabalhar em San Diego carregando equipamentos em uma casa de shows. Eu acabava estando em shows que eu não escolheria ir — bandas que monopolizaram a MTV do final dos anos 80. As bandas de metal que — estou tentando ser legal — eu desprezava. 'Girls, Girls, Girls' do Mötley Crüe: Fod**-se. Eu odiava isso. Eu odiava como estragavam a imagem dos caras, e das mulheres. Era tão vazio. Graças a Deus o Guns N' Roses apareceu", desabafou.
O músico afirmou que uma das mudanças que apreciou na época foi a valorização da mulher, anteriormente objetificada no glam. "As garotas podiam usar seus coturnos e suéteres, e seus cabelos pareciam com a (cantora) Cat Power e não com Heather Locklear (atriz conhecida pelo seriado Melrose) — nada contra ela. Elas não estavam se vendendo por pouco. Elas podiam ter uma opinião e serem respeitadas. Acredito que foi uma mudança que durou. Parece tão banal, mas antes disso eram bustiês. A única pessoa que usava um bustiê nos anos 90 que eu curtia era Perry Farrell (vocalista do Jane's Addiction)", concluiu.
O entrevistador afirmou que Eddie Vedder é um caso raro entre os cantores de grandes bandas de rock por escrever através da perspectiva das mulheres, como fez em seu álbum "Fallout Today", além de se posicionar a respeito do aborto, algo também raro entre homens. "Sem entrar em detalhes, meu pensamento sobre o aborto germinou da minha experiência pessoal. A questão só cresceu em importância para mim. O problema de verdade é não permitir que as mulheres tenham controle sobre seus próprios corpos e seu próprio futuro. Se fosse um problema masculino, não seria um problema. Sempre pensei que, como homens, talvez não devêssemos fazer parte da discussão. Eu cederia alegremente meu lugar nele se todos os outros homens também o fizessem. É frustrante estarmos voltando a falar de problemas que foram aparentemente tratados com bastante responsabilidade." Ele acrescentou: "O fato de que esses direitos ainda estão em risco — parece que estamos tentando curar a poliomielite novamente."
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