Por que a cena de metal na França é tão fraca, segundo Clémentine Delauney
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de maio de 2022
A França é um dos maiores países da Europa, com população estimada em 67 milhões de habitantes. Mas por que será que não existem muitas bandas de metal naquele país? Francesa de nascimento, a vocalista Clémentine Delauney, do Visions of Atlantis, explicou em entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato os motivos pelos quais acredita que seu país não consegue produzir a mesma quantidade de grupos e sucesso dentro do metal como Inglaterra ou Finlândia.
"Existem bandas de metal na França, mas eles têm um problema enorme para conseguir transpor as fronteiras. A raiz do problema vem do fato de que as bandas da França não conseguem fazer uma boa rede de contatos. Para isso, é preciso uma mentalidade específica e as bandas francesas acho que não têm isso. Eles não sabem como ser uma banda grande.
Não sei, eles tentam ser organizados e profissionais. Chegam a produzir materiais, mas países como Holanda, Alemanha e Inglaterra produzem muitas bandas de alta qualidade. As bandas da França parecem não estar dispostas a investir tudo que é preciso para conseguir atenção. Tem muita banda por aí, acho que as bandas na França pensam que vão começar pequenas e aos poucos vão conseguir atenção.
Eles estão com aquela mentalidade de enviar álbuns para uma gravadora, mas não funciona assim! O grande problema é que ninguém na França está ciente de como as coisas realmente funcionam. Esse é meu palpite", disse.
Em outro ponto, Clémentine Delauney comentou sobre as inspirações por trás do novo álbum "Pirates", lançado pelo Visions of Atlantis pela Napalm Records. Dessa vez, o grupo assumiu a temática de piratas e, ao que tudo indica, deve manter essa característica daqui para frente.
"Verdade. No começo não era assim. Me juntei ao Visions of Atlantis em 2013. Queria escrever as letras para o que seria o próximo disco. Precisava descobrir uma maneira de fazer do Visions minha banda. Criei um universo para escrever letras sobre ele. Decidi manter esses assuntos relacionados ao oceano, que vem desde o começo.
Então pensei: ‘Bom, nós falamos sobre oceanos, mas também tocamos metal. Os metaleiros vivem longe do mainstream, sempre à margem, como rebeldes. Quem são os rebeldes do mar?’. Aí pensei nos piratas, claro! Amei esse tema porque se relaciona com vários assuntos que curto, como liberdade, exploração, aventura, viajar pelo mundo.
Desde então comecei a pensar no Visions of Atlantis como uma banda que fala sobre piratas. Por isso lá em 2018, no álbum ‘The Deep & The Dark’, já tinha uma música chamada ‘The Silent Mutiny’, que já tem referências a estar a bordo de um navio e tudo mais. Ou seja, esse tema não é totalmente novo para nós.
Aí começamos a compor para o novo álbum e as músicas estavam ficando muito mais pesadas e sombrias do que o ‘Wanderers’. Pensamos: ‘ok, precisamos evoluir a partir disso’. Queríamos soar mais épicos ainda e esse lance dos piratas retornou com força. Pensamos que seria o momento exato de assumir essa característica. Tem tudo a ver com a música do álbum. Por isso que, no meio do processo de composição, decidimos tomar essa decisão", concluiu.
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