Os dois fatos que fizeram Fernanda Lira abandonar direita e passar a apoiar PT e Lula
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de outubro de 2022
A vocalista e baixista Fernanda Lira, da Crypta, publicou vídeo no seu Instagram em que explica por que abandonou a direita e resolveu apoiar a esquerda. Segundo ela, os dois principais motivos para passar a concordar com Lula e o PT foram o impeachment da Dilma e a prisão do ex-presidente.

"Eu era anti- petista e anti-Lula, sei que isso é uma surpresa. Você que é assim também, eu te entendo. Já estive desse lado. Meu discurso não é pró-Lula, e sim anti-Bozo. Ficam me falando: ‘Onde você estava quando o PT estava roubando?’. Eu era antipetista nessa época. Já fui ferrenhamente de direita, gastei meu dinheiro em livros contra o PT. Pessoas viam meu posicionamento lá atrás e ficavam puta. Eu era anti-PT porque fui ensinada politicamente a odiar o PT com todas as forças. Tinha uma convicção de que eles eram corruptos. Nunca questionei, estava muito solidificado. Por anos, não questionei.
Com o tempo, decidi estudar sobre o que tanto odiava. Tentei entender o que a esquerda representa. Isso teve um efeito contrário. Me descobri com muitas afinidades ideológicas com a esquerda. Foi uma confusão no meu cérebro. Eu ainda odiava o PT mesmo assim.
O ponto de virada mais forte para mim foi o golpe da Dilma. Nem lá atrás quando eu odiava, achava perigoso. Não tinha motivo suficiente para o impeachment. Vi o show de horrores do ‘Digo sim, pela família’. Fiquei com uma vergonha grande e me dei conta de que aquele não era meu lado. Me convenci a admitir que era de esquerda, por mais dolorido que isso fosse. Ainda odiava o Lula de qualquer forma.
Minha percepção mudou quando vazaram prints do Sérgio Moro. O Reinaldo Azevedo começou a denunciar a prisão do Lula como ilegal. Achei aquilo muito esquisito. Fiz minha própria investigação sobre os casos de corrupção, pesquisei em fontes de direita e esquerda para entender de maneira imparcial. A conclusão que tirei foi destruidora. Essa é minha opinião.
Quando entendi que o Lula foi preso de maneira ilegal, sem crime e sem prova, só para sair da eleição de 2018, meu mundo caiu. Se ele era culpado, por que não fizeram um julgamento legítimo? Daí, comecei a ligar os pontos. No meu ver, o antipetismo foi um projeto criado pelo PSDB. Isso fez surgir o Bolsonaro depois.
Me senti culpada por toda essa barbárie. Como pude estar tão errada? O que mais me fez mudar minha visão foi o perigo que isso representa. Quando um ex-presidente pode ser preso sem provas, imagina eu e você? Pessoas simples sem influência política.
Depois disso, precisei entender como seguir em frente. Eu ia ser teimosa ou seguir em frente? Escolhi tentar corrigir e fazer uma redução de danos. Fazer as pessoas que influencio no meu convívio. Se eu puder influenciar elas a pensar, sinto que isso é minha obrigação moral. Eu contribuí indiretamente para o bolsonarismo surgir".
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