O dia que Kiko Loureiro se atrasou para casamento de Edu Falaschi e trocou de roupa no carro
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de novembro de 2022
Na época do álbum "Temple of Shadows", Edu Falaschi casou e convidou para a festa seus companheiros do Angra. Em entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato, o tour manager Carl Casagrande relembrou essa ocasião do casório e também contou como começou nesse mundo do music business.
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Além de tour manager, você também é músico. Quais suas primeiras lembranças no mundo da música?
"Tem sido uma jornada. Comecei como qualquer moleque estudando rock. Tive minhas primeiras bandas e o caminho natural foi conhecer outros caras com os mesmos gostos. Lembro de imitar o Bruce Dickinson em casa! Quando vi o primeiro show do Iron Maiden, em 1996, conheci meu amigo Maurício e fiz minha primeira banda.
Logo cedo, tive interesse em desenvolver o instrumento. Quando comecei, fui estudar música clássica e me formei em canto clássico. Minha primeira banda foi a Scelerata, no Rio Grande do Sul. Gravamos dois discos entre 2004 e 2008. Éramos umas das bandas do cenário gaúcho, que era forte. Tinha o Burning Hell, Hibria... Época muito boa para o metal no Brasil, com a virada do ‘Rebirth’ em 2001. O Shaman surgiu junto. Vivi muito aquela época.
Nessa época, comecei a trabalhar com os caras do Angra fazendo workshop dos integrantes. Mais tarde, mudei para Londres, mas vi que ter banda é muito complicado. É difícil que todos pensem iguais. É um negócio, sabe? Não adianta ter só um disco bom, por exemplo. É tipo abrir uma padaria. Você não tem garantia que isso dará certo".
Fale um pouco sobre seu trabalho como tour manager.
"Começou no Brasil. Já fazia eventos desde 2002, com os workshops do Angra. Fiz do Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli, Edu Falaschi e Aquiles Priester. Depois, passei a agendar as turnês do Angra e Shaman no Sul, com o Scelerata abrindo. Sempre tive esse lado de negócios.
Aqui na Inglaterra, conheci a Lauren Harris, filha do Steve Harris. Em 2012, fiz shows com ela. Na sequência, em 2013, o Angra fez aquele show no 70.000 Tons of Metal. Eles estavam sem vocalista, o Edu tinha saído e o Fabio Lione fez o primeiro ensaio e primeiro show dele com a banda. O Kiko Loureiro me chamou para ajudar naquele show e acompanhar a banda.
Marquei estúdio para eles em Miami e tudo mais. Em 2014, fiz o primeiro show do Angra na Europa com o Bruno Valverde na bateria. Isso foi na Itália. As coisas foram desenrolando. Deixei meus projetos autorais e segui como tour manager. Fiz todas as turnês do Angra também no Japão e hoje metade da minha vida é isso".
Conta alguma história dessa sua fase inicial com o Angra na época do "Rebirth!"
"Isso foi 21 anos atrás! Eu tinha 18 para 19 anos. Estava na fase em que tudo é possível e você quer conquistar o mundo. Sempre mirei no que tinha de melhor. Quem podia me inspirar e criar vínculo? Foi o Angra, obviamente.
Fiz workshops e construí amizade com eles. Foi incrível! O Angra não sabia se ia acontecer. Eles quase acabaram. O sucesso do ‘Rebirth’ e ‘Temple of Shadows’ foi estrondoso. Tenho várias histórias!
Fiz muita coisa com o Edu Falaschi, somos muito amigos. Tem uma história que foi na época do ‘Temple of Shadows’. Fui ao casamento do Edu com a ex-mulher dele Camila. Eu estava em São Paulo e ia encontrar com o Kiko Loureiro para irmos juntos. Estávamos atrasados e o Kiko entrou rápido no carro! Ele tinha um Astra verde! Ele pediu para eu dirigir, porque ele precisava se trocar.
Só que eu não sabia o caminho e ele acabou dirigindo. Eu já tinha ouvido falar que ele dirige igual maluco! [risos]. Chegamos muito rápido no lugar e ele se trocou no carro! Botou terno e tudo! Foi uma história muito engraçada. Depois da festa, algumas pessoas seguiram a festa na casa do Kiko. Dormi lá e meu voo era no dia seguinte. Na época, não era amigo pessoal o Kiko. Fiquei sem graça de acordar ele para me levar no aeroporto. Levantei quietinho e ele lá esparramado no chão. Ele me deu carona com a cara toda torta! [risos]. Foi uma situação muito engraçada".
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