Alice Cooper em 1972: "Se eu acreditasse em tudo que ouço sobre mim, me mataria"
Por André Garcia
Postado em 28 de maio de 2023
Nos anos 70, Alice Cooper se especializou na arte de chocar o público. Ao ouvir os absurdos inventados sobre ele na Inglaterra, em 1972 ele disse: "Se eu acreditasse em tudo que ouço sobre mim, me mataria."
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Em 1972, a Inglaterra, habituada ao glam de David Bowie, Marc Bolan e Elton John, ficou chocada com Alice Cooper. Já naquela época os shows do mestre do shock rock tinham sangue, violência, depravação sexual, chicote, serpente, decapitação… Tudo era cênico, nada era real, mas a mídia acreditava no contrário.
A mídia britânica, especialmente os tabloides sensacionalistas, não só acreditava que tudo aquilo era real como exagerava e inventava um monte de absurdos: escreviam que sobre o palco o vocalista arrancava cabeça de galinhas com o dente, que esmagava filhotes de gato com uma marreta e por aí vai.
Conforme publicado pela Classic Rock, em entrevista para a Melody Maker, Alice ficou horrorizado ao ouvir os absurdos que andavam inventando sobre ele:
"Quem quer que tenha inventado isso, deve ser ainda mais doente que eu. Além do mais, [se eu fosse esmagar gatinhos] usaria martelos pneumáticos. Tem tanta gente que vê maldade em nós, mas se eu acreditasse em tudo que ouço sobre mim, eu me mataria. Parece que somos um veículo para a exagero e as fantasia do pessoal. Dizem nos terem visto fazendo coisas no palco que nunca fizemos. Essa história de arrancar a cabeça de uma galinha… Meu Deus, nunca arranquei a cabeça de um frango... Talvez uma perna ou outra [risos], mas a cabeça não."
"Todo mundo gostaria de liberar seu Mr. Hyde [o monstro de O Médico e o Monstro] em algum momento. Eu realizo as fantasias das pessoas, e é uma grande libertação para mim também. Veja bem, eu não tenho que dar satisfações para ninguém no palco; lá tudo é permitido, e tudo é legal. Mas não apoiamos a violência entre as pessoas. Se elas nos veem fazendo coisas violentas no palco — fazendo POR ELAS — então elas não vão sair por aí fazendo aquilo nas ruas. Tem que ter mais teatro. Isso tem que acontecer; tudo ficou parado por tempo demais... Eu enxergo algo a mais do que a maioria das pessoas vê no rock. Vejo algo artístico e (por mais que odeie dizer isso) cultural no que estamos fazendo", concluiu.
Firme e forte na estrada até hoje, Alice Cooper está em estúdio trabalhando em seu novo álbum. Já sabemos que esse novo trabalho será roqueiro, orientado à guitarra, e que será conceitual, com as letras falando justamente sobre a vida na estrada.
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